terça-feira, 16 de junho de 2026

CAPITULO 4: MESTRE X DISCIPULO

 MESTRE X DISCIPULO - SCFR X VASCO 

CAPITULO 04 : MESTRE X DISCIPULO – O DUELO DE VASCO 1X2 SCFR

25 DE ABRIL



**Vasco:** Nelson; Hespanhol e Itália; Nesi, Claudionor e Arthur; Pascoal, Torterolli, Moacyr, Milton e Dininho.

**SCFR:** Paulino; Póvoas e Zé Luiz; Julinho, Henrique e Alberto; Oswaldo, Octávio, Vicente, Arthur e Theophilo.

**Juiz:** João Luiz (Flamengo).

**Gols:** Henrique e Jaburu.

 Uma tarde chuvosa que parecia destinada a ser triste acabou reservando um dos melhores jogos daquele campeonato. O encontro entre criador e criatura não decepcionou. A imprensa estava de olho nas duas sensações da competição: o São Cristóvão, que chegava com duas vitórias e uma derrota, e o Vasco da Gama, atual bicampeão carioca, líder e invicto.Nos três primeiros jogos disputados pela equipe de São Januário, haviam sido registradas três goleadas impressionantes:

* Vasco 5 x 0 Vila Isabel;

* Vasco 6 x 2 Syrio Libanez;

* Vasco 9 x 3 SC Brasil.

Dos três jogos da rodada, este foi o que despertou maior interesse do público. Por isso, a partida foi realizada no campo do Flamengo, na Rua Paysandu.



Os olhares do estádio lotado estavam voltados não apenas para os jogadores, mas também para Vinhaes e Ramon Platero, treinadores das duas equipes. Vinhaes havia sido jogador e aprendera praticamente tudo o que sabia com Platero, o uruguaio campeão pelo Vasco e campeão sul-americano. Os métodos de treinamento, a preparação física e até mesmo a forma de jogar foram inspirados nos ensinamentos de seu mestre. Entretanto, Vinhaes soube adaptar esses conceitos à sua própria realidade. Um de seus métodos de treinamento consistia em levar os atletas do São Cristóvão para correr pelas praias e arredores do Caju e de São Cristóvão.

 E o que se viu em campo foram duas equipes de excelente técnica e preparo físico invejável. Foi uma partida intensa, disputada e admirável sob o aspecto físico, com vários destaques individuais.

 A defesa vascaína, considerada uma das melhores do Rio de Janeiro, teve atuação formidável. Nelson, Hespanhol e Itália trabalharam intensamente durante toda a partida, mas não conseguiram conter por muito tempo o quarteto ofensivo formado por Theophilo, Oswaldo, Arthur e Vicente.

 Ainda assim, o grande nome do São Cristóvão foi Julinho. Atuando tanto na construção ofensiva quanto na recomposição defensiva, o meio-campista apareceu por todos os setores do campo, marcando, distribuindo jogadas e apoiando os companheiros. Sua atuação foi tão completa que acabou sendo apontado como o principal destaque da partida.

Agora os cadetes entravam de vez na disputa pelo titulo, mas faltava uma equipe a ser batida para a mídia dar atenção ao clube: Flamengo . E o rubro-negro conheceria a palavra : humilhação!

HISTORIADOR PAULO 

CAPÍTULO 03 - SCFR X VILLA ISABEL

 SÃO CRISTÓVÃO X VILLA ISABEL 


CAPITULO 03: O JOGO ESQUECIDO

21 DE ABRIL SÃO CRISTOVÃO 3X2 VILLA ISABEL

Formação do SCFR

 

Paulino;

Povoas e Zé Luiz;

Julinho, Henrique e Alberto;

Oswaldo, Octávio, Vicente, Bahianinho e Theophilo.

Juiz: Alarico Maciel, do Botafogo.

Gols: Vicente e Bahianinho (2x).

 

Este é um jogo que a mídia simplesmente cobriu muito pouco. Talvez porque os times ainda não atraíssem tanta atenção, ou porque, no mesmo dia, ocorreu um grave acidente ferroviário e era feriado de Tiradentes.

A manchete que chamou a atenção foi o fato de o Vila Isabel estar envolvido na disputa da AMEA pela vaga do Hellenico. No entanto, o pouco que encontramos relata uma emocionante partida disputada em uma quarta-feira à tarde.

Os cadetes começaram atacando e demonstraram seu poder de fogo, abrindo 3 a 0 no placar e, depois, relaxando. No segundo tempo, o Vila Isabel conseguiu marcar dois gols de pênalti e passou a ameaçar a meta são-cristovense. Ainda assim, a equipe soube se segurar e manteve a vitória.

Agora viria o maior desafio daquele campeonato: enfrentar o bicampeão Club de Regatas Vasco da Gama. Seria o reencontro de mestre e aprendiz.


segunda-feira, 8 de junho de 2026

CAPITULO 2: A DERROTA INJUSTA.

CAPITULO 2: UMA DERROTA INESPERADA !

SÃO CRISTÓVÃO 2X6 FLUMINENSE.




 

A primeira rodada já demonstrou claramente que aquele time do São Cristóvão era diferente. A equipe havia reunido grandes jogadores, aliados ao preparo físico exigido pela escola de Ramón Platero. Naquele campeonato, dois times pareciam destinados a abrir grande vantagem sobre os demais: o próprio São Cristóvão e o Vasco da Gama.

O segundo compromisso, válido pela segunda rodada, também foi disputado na Figueira de Melo. Desta vez, o adversário seria o bicho-papão Fluminense, a maior equipe carioca da época, vencedora de diversos torneios e dona do elenco mais caro do futebol local.

O jogo estava equilibradíssimo até os 35 minutos, quando novamente o Fluminense "apelou", e isso acabou proporcionando sua vitória. A principal chamada do jornal O Globo na época destacou justamente os erros do árbitro, o senhor Ramos Freitas, que, devido a uma falha gigantesca, ajudou diretamente na vitória tricolor.

As equipes entraram em campo com as seguintes escalações:



Fluminense: Ramos; Paulo e Ebraico; Nascimento, Floriano e Fortes; Pipper, Nilo, Alfredo, Coelho e Moura Costa.

São Cristóvão: Paulino; Póvoas e Zé Luiz (Martins); Júlio, Henrique e Alberto; Oswaldo, Octávio, Vicente, Arthur e Theóphilo.

Com a Figueira de Melo lotada, o clima era de festa. O Fluminense era favorito pelo histórico e pelo peso de sua camisa, mas, pelo que havia sido apresentado na primeira rodada, o time a ser temido era o dos Cadetes. A torcida estava ansiosa, pois o torneio retornava após um período de paralisação.

E o motivo da paralisação foi mais do que justo.

Imagine seu time ser campeão da Segunda Divisão e quem sobe é o vice-campeão. Parece loucura, não é? Pois foi exatamente isso que a AMEA fez.

Em 1925, o Andarahy conquistou a Segunda Divisão Carioca de forma invicta, com 12 jogos, 11 vitórias e apenas um empate. O vice-campeão foi o Villa Isabel, que sequer chegou perto de ameaçar a liderança do campeão.

O Helênico disputava a Primeira Divisão, mas enfrentava sérios problemas financeiros. Por isso, preferiu abrir mão de sua vaga para reduzir despesas e concentrar seus esforços em outras modalidades esportivas. O correto seria o Andarahy herdar a vaga. No entanto, a AMEA resolveu promovê-la utilizando um regulamento que envolvia algumas exigências administrativas que tanto o Andarahy quanto o Villa Isabel preenchiam.

Apesar disso, o Andarahy carregava o peso esportivo de ter sido campeão. Na assembleia que definiria quem subiria, porém, o resultado foi um massacre: 6 votos a 1 em favor do Villa Isabel. Apenas um clube apoiou o Andarahy: o Botafogo.

Voltando ao jogo, a torcida presente assistiria a uma atuação magnífica da equipe do Bairro Imperial e a um enorme esforço do Fluminense para equilibrar as ações. Apesar disso, ambas as equipes apresentavam um nível técnico impressionante, demonstrando um futebol de alto nível.

O ataque do São Cristóvão era leve, veloz e envolvente, enquanto a experiente defesa tricolor tentava conter suas investidas. No entanto, os Cadetes sofreriam um duro golpe ainda no primeiro tempo.

O zagueiro Zé Luiz sofreu uma entrada violenta de um atacante do Fluminense, lesionando-se. O técnico Vinhaes precisou substituí-lo por Martins. A mudança acabou desorganizando parcialmente a equipe, que perdeu um pouco de seu equilíbrio defensivo.

Mesmo assim, o São Cristóvão foi superior durante boa parte dos dois tempos. Porém, um fator decisivo acabaria entregando a vitória ao Tricolor das Laranjeiras.

Aos 30 minutos do segundo tempo, o placar marcava 2 a 2. Em uma jogada dentro da área, o goleiro Paulino sofreu uma entrada violenta de Moura Costa e caiu no gramado. O Fluminense seguiu atacando. O árbitro viu a falta e chegou a apitar, mas ninguém ouviu o apito. Com o gol livre, o atacante tricolor empurrou a bola para as redes.



Inacreditavelmente, o árbitro validou o gol.

A confusão foi imediata.

A revolta dos jogadores do São Cristóvão foi tão grande que rapidamente se refletiu nas arquibancadas. Tentativas de invasão de campo foram registradas, obrigando a polícia a intervir. A partida ficou paralisada por cerca de dez minutos.

Quando o jogo foi retomado, constatou-se que Paulino não tinha mais condições de continuar. Sem substituições disponíveis na época, um jogador de linha — cujo nome não foi registrado pelas fontes consultadas — assumiu a posição de goleiro.

Nos minutos finais, aproveitando-se da situação, o Fluminense marcou mais três gols, transformando um confronto equilibrado em uma goleada de 6 a 2.

Foi uma derrota dura, injusta e fortemente influenciada pela arbitragem. Mas, ao mesmo tempo, os Cadetes deixaram o campo com uma certeza: aquele time tinha qualidade suficiente para enfrentar e vencer qualquer adversário. Bastava jogar futebol.

HISTORIADOR PAULO JORGE 

Realizado pesquisa de apoio usando o livro "Andarahy Eterno". 

Pesquisa ao Acervo jornal "O Globo". 

 

 


quinta-feira, 4 de junho de 2026

CAPÍTULO 1: JOGO SÃO CRISTÓVÃO X BOTAFOGO

 BOTAFOGO CONHECE A FORÇA DO SÃO CRISTÓVÃO. 



SÃO CRISTÓVÃO 6X3 BOTAFOGO 
Jornal o Globo 


No capítulo 1 do dossiê, vimos que a montagem do time de 1926 começou nos anos anteriores, com a chegada de alguns jogadores e como Vinhaes, já em fim de carreira, ajudou a montar a equipe ainda atuando como jogador.

 O São Cristóvão disputava a Primeira Divisão desde 1912 e, até aquele momento, sua melhor colocação havia sido o terceiro lugar, feito alcançado em três oportunidades: 1918, 1923 e 1924.

 Vinhaes comandava o primeiro e o segundo quadros. Conhecido como jogador por seu estilo de jogo e por ser um bom discípulo de Ramon Platero, técnico uruguaio campeão carioca com o Vasco em 1923 e 1924, começou a aplicar no São Cristóvão os métodos de treinamento utilizados no clube cruz-maltino, sem deixar de lado suas próprias convicções. Aliado a isso, contava com uma geração vitoriosa, formada por diversos jogadores que eram considerados craques da época.

 Amadeu Macedo, presidente do clube, fez um esforço gigantesco para montar essa equipe e, junto com sua diretoria, conseguiu equilibrar as finanças do clube e investir na formação de um bom time.

 Não era apenas um simples jogo de futebol. Era a Zona Norte contra a Zona Sul, a elite contra o subúrbio. Os jornais apontavam uma vitória do Botafogo, mesmo com a partida sendo disputada na Figueira de Melo. Havia, porém, um detalhe interessante: o Botafogo era a vítima preferida do São Cristóvão. Antes daquele confronto, desde 1913, o clube cadete havia derrotado o Alvinegro em 13 oportunidades.

 Existe até uma lenda sobre uma frase atribuída a Cantuária, mas trata-se apenas de uma lenda urbana, pois não há qualquer comprovação de sua existência. O que se sabe é que o ídolo tinha admiração pelo clube de General Severiano, embora também guardasse certa mágoa.

 O primeiro tempo foi marcado por muita luta e equilíbrio entre as equipes. O Botafogo, entretanto, demonstrava maior desorganização e falta de critérios técnicos. Já os cadetes, além de apresentarem melhor preparo físico, jogavam um futebol de maior qualidade. Os jornais da época, especialmente O Globo, foram claros ao afirmar que o Botafogo estava mal treinado, enquanto o São Cristóvão seguia no caminho certo. Os cadetes terminaram a partida inteiros fisicamente, enquanto os botafoguenses estavam praticamente exaustos em campo.

 Um lance marcaria aquela partida. Arthur, conhecido como Baianinho, deu uma entrada digna de um touro sobre um defensor adversário. Os melhores jogadores em campo foram Baianinho, Vicente e Jaburu.

 O primeiro desafio foi vencido. Porém, o segundo jogo traria uma derrota que muitos considerariam enganosa, e vocês entenderão o porquê.

Jornal o Globo 


 São Cristóvão: Paulino; Zé Luiz e Póvoas; Júlio, Vinhaes e Martins; Vicente, Arthur, Jaburu, Oswaldo e Theophilo.

 Botafogo: Pessoa; Couto e Pardal; Jeronymo, Pamplona e Lagreca; Maciel, Alkindar, Rodolpho, Octacílio e Claudionor.

 Árbitro: Cyro Werneck.

 Local: Figueira de Melo.

 Gols do Botafogo: Alkindar (2) e Claudionor.

 Gols do São Cristóvão: Jaburu (3), Arthur e Vicente (2).


HISTORIADOR E ACADÊMICO DE JORNALISMO PAULO JORGE 

Dupla de Zaga do São Cristóvão- Jornal o Globo.


terça-feira, 26 de maio de 2026

ESPORTES FEMININOS

 AS MULHERES NO COMANDO: NOSSO FUTEBOL FEMININO.

"Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país."




As mulheres estão em nossa história desde o nosso começo. O clube sempre procurou incluir nossas amadas mães e filhas no esporte e em nossa trajetória, e isso começa no nosso pavilhão. Nossa bandeira tem três cores: preto, branco e rosa.

A cor rosa é uma homenagem a uma jovem chamada Marie Françoise-Thérèse Martin, irmã que, em 1897, comoveu o mundo. Ela ingressou, aos 15 anos, em um convento na Normandia, em 1888. Ali, reclusa e em oração, escreveu o livro História de uma Alma, lançado em 1898, mas sua devoção já era famosa um ano antes.

Depois de sua morte, foi santificada, tornando-se, assim, Santa Teresinha do Menino Jesus.

Essa imagem da jogadora no Maracanã foi no anos de 2000,quando o São Cristóvão reativou seu departamento feminino de futebol, participando do Torneio Inicio em 2000 e campeonato Brasileiro em 2001.

A equipe foi comandada pelo treinador Alexandre Mathias - que hoje mora nos EUA e vai participar do nosso podcast-, e ele montou uma boa equipe para participar do torneio , mas a equipe acabou perdendo no primeiro jogo para o Botafogp, mas a história estava escrita. 

No dia 21 de março de 2000 aconteceu o torneio inicio e juntou as seguintes equipes : 

  • VASCO
  • BOTAFOGO 
  • CAMPO GRANDE 
  • SÃO CRISTOVÃO/BEM FORTE 
  • FLUMINENSE 
  • MADUREIRA 
  • FLAMENGO/GAMA FILHO 
  • PORTUGUESA/ESPERANÇA 
São Cristóvão 0x1 Botafogo 
Portuguesa 0x0 Flamengo 
Campo Grande 0x0 Fluminense 
Madureira 0x1 Vasco 
Botafogo 0x0 Fluminense 
Flamengo 0x1 Vasco 
Botafogo 0x0 Vasco (campeão)





O esporte feminino durante muito tempo foi proibido no país. As mulheres, que antes eram apenas torcedoras, passaram a ser atletas desde o início dos esportes, como vôlei, basquete, futebol e corrida. Elas sempre estiveram presentes. Porém, o presidente Getúlio Vargas resolveu proibir esportes que, segundo ele, não condiziam com a “estrutura feminina”.

Através do Decreto-Lei nº 3.199, de 14 de abril de 1941, durante a ditadura do Estado Novo, a proibição foi imposta.

Muitas vezes, as mulheres praticavam os esportes proibidos longe dos holofotes, mas, com o tempo, as regras foram sendo afrouxadas até perderem o efeito, e a proibição caiu em 1979.

Com a extinção da lei, foi formada a Liga Nacional de Futebol (LINAF), que organizou os primeiros campeonatos e, nesse contexto, nasceu a primeira grande equipe feminina: o Radar RJ.

Entre 1983 e 1989, foi disputada a Taça Brasil de Futebol Feminino. Em 1990, ocorreram dois torneios nacionais: o Troféu Brasil de Futebol Feminino e o Torneio Quadrangular de Futebol Feminino.

De 1994 a 1996, voltou a Taça Brasil de Futebol Feminino e, finalmente, de 1997 a 2001, aconteceu o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino. Foi em 2001 que o nosso “Trovão” participou.


O IV campeonato Feminino de Futebol foi disputado em UBÀ entre os dias 18 de agosto e 9 de setembro. 20 equipes foram divididos em cinco grupos de 4 times cada e o São Cristóvão esteve no grupo C com Grêmio, Matonense e Juventus e a campanha foi de três derrotas em três jogos: 

  • Grêmio 5x0 São Cristóvão 
  • São Cristóvão 1x5 Juventus 
  • São Cristovão 0x10 Matonense




A DIRIGENTE "MÃO DE FERRO"!

 


“MÃO DE FERRO NO COMANDO DO SÃO CRISTÓVÃO.”

Em 2015, o clube vivia uma série de problemas financeiros e tinha acabado de retornar da terceira divisão. Disposto a mudar, melhorar e pelo menos se manter na Segundona, resolveu inovar.

E que tal contratar uma mulher para dirigente de futebol? Foi nessa aposta que o presidente Emanuel França acreditou.

O presidente resolveu trazer uma dirigente com 11 anos de experiência para comandar 43 homens e tentar tirar o São Cristóvão da lama da Segundona da época. Moradora de Santa Cruz quando começou, ela resolveu abandonar o ateliê para fazer um curso de gestão e, assim, seguir quebrando barreiras no futebol.

Apelidada de “Margaret Thatcher”, dormia na Figueira de Melo durante a semana, pois morava em Cabo Frio. Começou a carreira como dirigente no Santa Cruz e passou por Mangaratibense e São Pedro da Aldeia antes de chegar ao São Cristóvão.

Em uma época de quebra de paradigmas, Silvani Maria fez história ao assumir o comando técnico do clube. Lembra dela no comando do time? Uma das primeiras mulheres a assumir esse cargo — se não foi a primeira.


ANO: 2015
FOTOS: JORNAL EXTRA E JORNAL O GLOBO
GOOGLE+ ACERVO DO O GLOBO







1939 -VOLEI FEMININO DO SCFR 


sexta-feira, 22 de maio de 2026

DOSSIE JOÃO CANTUÁRIA

 O TEXTO DEFINITIVO SOBRE O MAIOR DE TODOS!
JOÃO CANTUÁRIA.

1918- Vida Esportiva 

O atacante recebeu muitas homenagens, mas a morte de outro atleta sensibilizou ainda mais o meio esportivo carioca: a de João Cantuária, jogador-símbolo do São Cristóvão de Futebol e Regatas. Mineiro de São João del-Rei, nascido em 28 de setembro de 1894 em uma família de longa tradição militar pelo lado paterno, ele também veio ainda jovem para a então capital federal, onde começou a jogar futebol pelos segundos times do Riachuelo e do Mangueira.

Em julho de 1909, participou da fundação do São Christóvão Athletico Club (na grafia da época), que, dois anos depois, se filiaria à Liga Metropolitana de Sports Athleticos (LMSA), entidade que organizava o Campeonato Carioca naquele período. Jogador de boa estatura, grande agilidade, técnica refinada e espírito de liderança, Cantuária marcou época vestindo a camisa alva nos primeiros anos do clube no futebol do Rio, destacando-se como um notável “sportsman”.

Após estrear na primeira divisão do campeonato da LMSA em 1912, aos poucos o São Cristóvão foi melhorando suas campanhas até alcançar um bom quarto lugar em 1917, quando bateu duas vezes o Botafogo de Futebol e Regatas — uma delas por sonoros 6 a 1 em seu campo da Figueira de Melo, inaugurado no ano anterior — e venceu o futuro campeão Fluminense Football Club por 3 a 1, também em casa. O clube cadete terminou apenas cinco pontos atrás dos tricolores.

Alguns anos antes, em 16 de setembro de 1913, João Cantuária participara de uma das partidas embrionárias da Seleção Brasileira de Futebol, quando um combinado carioca enfrentou e venceu o chileno por 2 a 1, em jogo disputado no campo do America Football Club, na Rua Campos Sales. Tempos depois, ele voltaria a ser convocado para seleções cariocas, nas quais, coincidentemente, chegou a ter o então banguense Archibald French como um dos companheiros da linha ofensiva.

A temporada de 1918 tivera um início muito promissor para Cantuária. No dia 13 de janeiro, ele havia sido um dos destaques na vitória do São Cristóvão por 4 a 3 sobre o Società Sportiva Palestra Italia, em um “match interestadual” na Figueira de Melo, ao fazer duas assistências para gols do meia-esquerda Leão. Em março, novamente atuando pela seleção carioca, levantara a Taça Delfim Moreira ao vencer o “scratch” mineiro em Belo Horizonte.

No dia 21 daquele mesmo mês, Cantuária ajudaria o São Cristóvão a conquistar o Torneio Início do Campeonato Carioca, primeiro título da equipe principal em sua história. Após superar o Villa Isabel e o Andarahy nas primeiras fases, o time levantou a taça ao bater o Fluminense por 2 a 0 na competição disputada no campo do Botafogo, na Rua General Severiano. Em seguida, o clube voltou a aparecer forte na briga pelo título do campeonato propriamente dito.

Quando o mês de outubro começou, os cadetes somavam dez vitórias e um empate em suas 14 partidas, ainda tendo chances de tirar a conquista das mãos do Fluminense. No último jogo antes da pausa, porém, um empate com o Bangu Atlético Clube em 1 a 1, na Rua Ferrer, tornou as possibilidades mais remotas. Cantuária, que já havia marcado oito gols na competição, jogou nessa partida. Diz-se que já estava febril, mas, mesmo assim, entrou em campo.

O ídolo sãocristovense resistiria por pouco mais de duas semanas, vindo a falecer em 25 de outubro, aos 24 anos de idade. Em seu leito de morte, Cantuária pediu aos companheiros apenas que não perdessem para o Botafogo, que, de acordo com a tabela original, seria o próximo adversário. A partida acabaria adiada para 5 de janeiro de 1919, já com o título definido. Ainda assim, os jogadores cumpriram seu último desejo, vencendo por 3 a 1.

Entre as muitas homenagens que recebeu estava um poema escrito sob pseudônimo por uma torcedora do Clube de Regatas do Flamengo e publicado no jornal “O Imparcial”. Nos anos 1930, o jornal oficial do clube seria batizado de “O Cantuária”. Mais tarde, quando Lamartine Babo criou canções que serviriam de hinos para os clubes cariocas, o falecido atleta ficaria eternizado nos versos: “Estimulam sua fibra extraordinária / Os grandes feitos do saudoso Cantuária”.

Quase todos os clubes da cidade perderam associados e dirigentes infectados pelo vírus, como o primeiro-secretário do Flamengo, Thiers da Silva. Entre os atletas contaminados que conseguiram se curar estava outro rubro-negro, o famoso zagueiro Píndaro, o “Gigante de Pedra” da Seleção, que, após se recuperar, passou a exercer sua profissão de médico sanitarista durante a paralisação, ajudando a cuidar de pacientes da gripe em outras regiões da cidade.

AMIGO ANTES DA MORTE : 

Cantuária vivia e respirava o clube. Sua residência era na Rua Figueira de Melo, número 238, literalmente a poucos metros do clube, onde fazia de tudo um pouco e passava boa parte do seu dia.

O Rio de Janeiro passava por uma pandemia de gripe espanhola que assolava toda a cidade. Estimativas de pesquisadores mostram que morreram entre 14 e 15 mil pessoas em decorrência da doença. E essa maldita epidemia infelizmente deixou dois de nossos jogadores doentes: Cantuária e Vinhaes.

Um dado interessante que encontramos é a amizade que existia entre os dois. Considerados melhores amigos, Cantuária e Vinhaes eram vistos sempre juntos; até dentro de campo se procuravam. Quis o destino que os amigos fossem contaminados e que um cuidasse do outro até a morte.

Ambos os jogadores foram convocados para representar os cariocas em um amistoso contra a equipe paulista. Viagem marcada, delegação reunida, tudo pronto para viajar, mas ambos os jogadores estavam doentes e, com isso, foram cortados da viagem. Esse corte aconteceu no dia 12 de outubro. Cantuária se despediria deste mundo no dia 25.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Amistosos

SÃO CRISTÓVÃO E O HISTÓRICO JOGO CONTRA O COLO COLO. 



UM MOMENTO HISTÓRICO: COLO-COLO 6X3 SÃO CRISTÓVÃO

O time do bairro Imperial tem diversas viagens pelo mundo, onde pôde desfilar seu melhor — e também seu pior — futebol. Tudo isso está ligado à história do clube. Antigamente, era comum os times fazerem excursões por diversos países. Para os grandes, a Europa normalmente era o destino; mas os menores, porém tradicionais, escolhiam mercados periféricos ou a América do Sul como saída para conquistar uma “prata” por fora.

O São Cristóvão realizava sua segunda excursão. O time passaria por Argentina e Chile, e foi no país da Cordilheira dos Andes que o clube marcou a história de um gigante chileno.

Cinquenta mil pessoas estiveram presentes na inauguração do Estádio Nacional de Santiago. Frente a frente, Colo-Colo e São Cristóvão, este como convidado. A delegação brasileira foi recebida com festa por mais de 300 dirigentes chilenos. Mas a cordialidade acabou quando o juiz apitou.
Sem dó nem piedade, o time chileno marcou 6 gols contra 3 do São Cristóvão. Os gols do time brasileiro foram marcados por Caxambú e Nestor (FALTA ACHAR O AUTOR DO TERCEIRO GOL) . O time chileno teve como artilheiros Rata Rojas (3), Tigre Sorrel, Raul Toro e Hernandez.

O melhor jogador do São Cristóvão foi o goleiro Madalena, que evitou uma tragédia ainda maior. O time entrou em campo com: Madalena; Hernanez, Oswaldo e Picabeia; Dodô, Afonso, Roberto, Vilegaz e Caxambú; Nestor e Carreiro.


No dia 4 de dezembro de 1938, foi realizada a primeira partida da história do Estádio Nacional de Santiago, no Chile. O amistoso colocou frente a frente o Colo-Colo e o São Cristóvão, do Rio de Janeiro, diante de cerca de 50 mil torcedores

A partir daquele momento, o Estádio Nacional passou a ser a principal casa da Seleção Chilena e palco de partidas de clubes tradicionais, como Universidad de Chile e Universidad Católica. Rapidamente, tornou-se um símbolo do futebol chileno, recebendo grandes confrontos da Copa Libertadores e sendo o estádio principal da Copa do Mundo de 1962.

Além de sua importância esportiva, o estádio também carrega um capítulo sombrio da história do Chile, por ter sido utilizado como campo de concentração durante o período da ditadura militar.





Elenco que viajou para a excursão para o Chile e Argentina : Magdalena; Hernandez,Owvaldo, Picabéia, Dodô, Archimeses, Roberto, Villegas, Caxambu, Carreiro, Nestor, Nelson e Afonsinho 

CAMPANHA: 

  • Colo Colo 6x3 SCFR
  • Audax Italiano 3x3 SCFR
  • Magalhães2x7 SCFR


OS CRAQUES QUASE NÃO VIAJARAM !

Imagina os craques do time não poderem viajar por pendências com os militares, a ponto de o craque da equipe precisar da intervenção de um cônsul para conseguir embarcar?

Essa história é maravilhosa. A viagem estava marcada: o São Cristóvão viajaria para o Chile e a Argentina. Mas o time tinha três jogadores com pendências junto aos militares.

Caxambu não possuía o documento de liberação do serviço militar e só conseguiu obtê-lo na véspera da viagem, no dia 23/11, já que o São Cristóvão embarcaria no dia 24.

Outro que teve de “rebolar” para resolver o mesmo problema foi Oswaldo, que pegou os documentos poucas horas antes da viagem.

Mas o caso mais sério era o do craque do time: Afonsinho. O jogador estava em idade de alistamento e poderia ser convocado para servir a qualquer momento. O Ministério da Guerra não queria liberar a viagem do atleta, mas um homem interveio para que o craque pudesse embarcar: o Sr. Nieto del Rio, cônsul chileno, que entrou em contato diretamente com Eurico Gaspar Dutra, solicitando a liberação do jogador — o que, ao que tudo indica, acabou acontecendo.













Rodada 02

NOVA CIDADE X SÃO CRISTÓVÃO.  Chegamos à segunda rodada da Série B1 Carioca e, jogando fora de casa, o São Cristóvão ficou apena...