terça-feira, 6 de janeiro de 2026

IVO SODRÉ- O MAIOR 10 DO CLUBE

 IVO SODRÉ- O MAIOR 10 DO CLUBE 



O que é ser um camisa 10 no futebol antigo? A 10 que já foi de Pelé, eternizada por ele; essa mesma 10 de Alex, Rivelino, Tostão, entre outras feras que escreveram a história do nosso esporte. Mas essa camisa 10 tem sua importância no São Cristóvão?

Sabemos que a camisa lendária do clube é a 9, não apenas porque Ronaldo Fenômeno transformou o número em um símbolo mundial de artilharia e vitórias, mas também porque, nos cadetes, a 9 pertenceu a Luís Sena, craque do passado que jogou na Europa e virou ídolo no Vitória-BA.

Hoje, porém, falaremos de um jogador que quase disputou uma Olimpíada, é ídolo no México, teve problemas contratuais e, por vezes, faltava a jogos do São Cristóvão — não por indisciplina, mas porque estava de serviço na Polícia Militar. Esse jogador é Ivo Sodré.

Uma unanimidade. Todos os ex-jogadores com quem tive a oportunidade de conversar sobre Ivo dizem a mesma coisa: craque de bola, jogador diferenciado, acima da média.


FOTO MELHORADA POR I.A. 

Ivo Sodré nasceu em Niterói, no dia 3 de junho de 1943. Começou sua vida futebolística no Bonsucesso, mas, sem muitas chances, passou por um período de treinamento no Botafogo, onde se aprimorou. Retornou ao Bonsucesso e ali se tornou um craque. Foi convocado para integrar a comissão dos selecionados para as Olimpíadas de 1964 e sagrou-se campeão pela Seleção Brasileira. Jogou no América do México e no Comercial-MS, onde aprontou para cima de Pelé. Também passou pelo América do Rio e pelo Bangu, mas foi no São Cristóvão que se tornou uma lenda.

Ivo Sodré surgiu como um jovem promissor, de grande habilidade, no Bonsucesso, no início dos anos 1960. Já se destacava bastante pela técnica, apesar de ser muito magro, o que o atrapalhou no início da carreira. De 1961 a 1962, ficou treinando entre os profissionais e os juvenis, sempre se destacando, mas não entendia por que nunca era aproveitado no time principal. Segundo pesquisas, mesmo adolescente, já era um dos melhores jogadores do clube.

Apesar da pouca idade, já era considerado um jogador de personalidade. Tentou, então, uma transferência para o América do Rio, iniciativa que ele próprio tentou intermediar, pois estava insatisfeito com sua situação. Ao que tudo indica, porém, foi persuadido a desistir.

Em 1964, uma passagem pelo Botafogo mudaria significativamente sua vida. Viveu um período de experiência no time da Zona Sul e ali aprimorou suas habilidades, evoluindo de tal forma que, ao retornar ao Bonsucesso, tornou-se titular absoluto. Seu destaque foi tão grande que acabou convocado para um período de treinamentos da Seleção Brasileira que participaria das Olimpíadas de 1964. Passou vários dias treinando e se destacando, porém foi cortado na lista final de convocados, acabando por ficar de fora.

Chegou a entrar no decorrer de um jogo-treino contra o Serra Negra E.C.

A título de curiosidade, o Brasil foi eliminado ainda na primeira fase da competição. Estava no grupo com Coreia do Sul, Tchecoslováquia e República Árabe Unida. Nesse mesmo ano, Ivo Sodré passou por uma cirurgia nas amígdalas, na Santa Casa de Jundiaí, cidade onde a seleção treinava, e provavelmente esse foi o motivo do corte.

Ainda em 1964, Ivo Sodré conquistaria um título por uma espécie de “Seleção Brasileira B”.

A seleção brasileira, composta por jogadores de clubes menores da Guanabara (Olaria, Madureira, São Cristóvão e Portuguesa) e do Rio de Janeiro (Canto do Rio), conquistou, em 1964, em Buenos Aires, o 2º Campeonato Sul-Americano da Divisão de Acesso, de maneira invicta.

Médico: Hilton Gosling.
Jogadores: Ari Seixas, Renato, Valtinho, Ari, Elton, Nésio, Fefeu, Franz, Casimiro, Uriel, Zé Carlos, Batata, Ivo Sodré, Zezinho, Luís Carlos, Jair e Enir.
Treinador: Denôni.
Massagista: Nocaute Jack.

Vale lembrar que, em 1962, em Lima, capital do Peru, também de forma invicta, o Brasil havia conquistado o título, daquela vez com jogadores de clubes do interior paulista.

IVO SODRÉ- AMÉRICA -MEX 


De 1968 a 1970, teve uma passagem pelo América do México. Foi vendido pelo Bonsucesso por 20 mil dólares, valor considerado significativo à época. Retornou ao Brasil para jogar pelo América-RJ, porém não chegou a atuar devido a problemas burocráticos. Após resolver essas pendências, transferiu-se para o clube onde se eternizou como o maior camisa 10 da história dos Cadetes.

Entre a saída do México e a chegada ao São Cristóvão, ficou cerca de dois anos parado em razão de entraves burocráticos relacionados à sua transferência internacional. Nesse período, chegou a negociar com o Vasco da Gama, mas, por conta dessas dificuldades, as negociações não avançaram.



América-Mex. Temporada 1968/1969 - Ivo Sdré segundo em Pé 

Em 1973, chegou ao São Cristóvão. Teve uma rápida passagem pelo Comercial-MT, onde viveu uma situação inusitada, e depois retornou aos Cadetes, clube no qual escreveu definitivamente a sua história e encerrou a carreira em 1980.

Abrindo um parêntese, durante sua passagem pelo Comercial, quando a equipe disputava a Primeira Divisão do Campeonato Nacional — sendo, inclusive, o primeiro clube do Mato Grosso a alcançar essa divisão —, ocorreu um episódio marcante. A estreia foi contra o Santos de Pelé. O Esporte Clube Comercial venceu o Santos por 1 a 0, com gol de Gil. No entanto, o lance que ficou para a história foi o chapéu aplicado por Ivo Sodré justamente na lenda Pelé, diante de um público de cerca de 45 mil pessoas, que presenciou aquela vitória lendária.


Ivo Sodré- penúltimo agachado. Fonte: Craques do Rádio 

Quando Ivo Sodré chegou ao São Cristóvão, precisou se dividir com outro emprego: era policial militar. Segundo relatos de jogadores da época — com os quais tive a oportunidade de conversar em encontros realizados no final de 2015 —, era comum o São Cristóvão chegar ao Maracanã para jogar e encontrar o próprio Ivo Sodré responsável pela segurança das ruas ao redor do estádio.

Ivo era o clássico camisa 10: pensador, articulador e distribuidor de jogo. Esteve em campo em partidas memoráveis e jogou o fino da bola quando, em um Maracanã lotado de flamenguistas, com Zico em campo, Ivo Sodré, Sena e Fio Maravilha desafiaram a lógica e, de virada, conduziram a vitória do São Cristóvão sobre o Flamengo.

Ivo Sodré comandou a equipe na segunda maior conquista da história do clube, o Torneio Abelard França. Infelizmente, ele não consta na foto oficial da equipe nem aparece segurando o troféu.

Segundo seu amigo e lateral Peixinho, Sodré estava chateado com a diretoria da época, que não demonstrava interesse em renovar seu contrato. Como forma de protesto, ambos não apareceram na foto oficial, embora Ivo tenha sido o melhor jogador do torneio.

Ivo Sodré chegou ao São Cristóvão em 1972, depois que o clube resolveu — ou, na verdade, ajudou a resolver — os problemas burocráticos pendentes no México. Ele chegou acompanhado de um pacote de reforços:

  1. Dias, zagueiro do América-RJ;

  2. Almir, lateral esquerdo do Campo Grande;

  3. Alexandre, armador, de clube não identificado;

  4. Norival, goleiro da Ponte Preta.

Após 1976, ainda atuou por Bangu e Bonsucesso, retornando posteriormente ao São Cristóvão, onde encerrou a carreira em 1980.


PRIMEIRO JOGO OFICIAL DE IVO SODRÉ 

Olaria 2 x 1 São Cristóvão
Local: Rua Bariri
Árbitro: Antônio Viug
Renda: Cr$ 3.820,00

Gols:

  • Ézio, aos 20 minutos do 1º tempo

  • Fernando, aos 5 minutos do 2º tempo

  • Jorge, aos 27 minutos do 2º tempo

Olaria:
Beto; Aluísio, Mário Tito, Altivo e Mineiro; Gessé e Roberto Pinto; Robertinho, Ézio, Agnaldo e Fernando.

São Cristóvão:
Otávio; Triel, Joel, Dias e Madeira; Arlindo (Santos) e Mafra; Gilbert, Jorge, Ivo Sodré e Humberto (Alex).


APÓS ENCERRAR A CARREIRA CONTINUOU SUA VIDA DE POLICIAL INCLUSIVE SE ENVOLVEU EM UM TIROREIO NA TIJUCA , ONDE ELE PERCEBEU QUE POPULARES ESTAVAM SENDO ASSALTADOS E ACABOU TROCANDO TIRO COM O MELIANTE, ELE ACABOU LEVANTO UM TIRO NA PERNA , PORÉM SEM GRAVIDADE. 


Essa é a nossa homenagem ao grande camisa 10, Ivo Sodré!

HOMENAGEM A NOSSOS ÍDOLOS

 AFFONSINHO- CRAQUE E PROBLEMÁTICO.  Um verdadeiro craque de sua época, com passagens por equipes gigantes e pela Seleção Brasileira. Um jog...