Mostrando postagens com marcador IDOLOS.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador IDOLOS.. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

HOMENAGEM A NOSSOS ÍDOLOS

 UM CRAQUE QUE CARREGAVA A HISTÓRIA DE UM BAIRRO : 

SANTO CRISTO !  


Ele carregava o nome do bairro com orgulho. Um craque habilidoso, de gênio forte, que marcou geração por onde passou. Sempre apontado entre os destaques das partidas, Walter Goulart da Silveira foi um gigante de sua época, um dos principais responsáveis pelo segundo maior título do São Cristóvão de Futebol e Regatas: o Torneio Municipal de 1943.

Entre idas e vindas, o Santo Cristo jogou cinco anos pelo clube dos Cadetes, em três passagens. Em duas delas, foi um dos principais jogadores da equipe. Vamos conhecer esse verdadeiro craque de sua geração.

Walter Goulart da Silveira nasceu no dia 12 de setembro de 1922, no bairro de Santo Cristo. As origens do bairro remetem aos tempos coloniais. A região recebeu esse nome em razão da Igreja de Santo Cristo, construída em frente ao cais do porto. Por ali passaram alguns dos primeiros bondes da cidade — inicialmente de tração animal e, posteriormente, elétricos.

Com proximidade ao bairro Imperial de São Cristóvão, ao Caju e à antiga região da Praia Formosa, foi nesse cenário que Santo Cristo iniciou sua vida futebolística.



Como descrito acima, a proximidade entre os bairros facilitou o início de Santo Cristo no futebol. No entanto, ele não se limitou apenas à região para tentar a sorte.

Ainda jovem, passou pelas categorias do Club de Regatas Vasco da Gama, atuou pelo Oposição, equipe da Piedade, e também pelo Bonsucesso Futebol Clube, onde se destacava bastante — embora, na época, não tenha sido aproveitado como poderia.

Foi, porém, no Marvillis, time da fábrica do Caju, que seu talento chamou atenção. Olheiros do São Cristóvão de Futebol e Regatas perceberam o potencial daquele jovem promissor e decidiram contratá-lo, dando início a uma trajetória marcante no clube dos Cadetes.




página Caju Cultural 

Uma pequena aula sobre a antiga fábrica que deu origem ao time : 

O Rui Barbosa — sim, o mesmo nome eternizado na Literatura — defendia a industrialização como eixo central para o progresso nacional. As medidas de ampliação de crédito e a política econômica do Encilhamento, conduzidas por ele à frente do Ministério da Fazenda, somadas às mudanças na legislação das Sociedades Anônimas, abriram caminho para a expansão da Companhia América Fabril.

Em aproximadamente uma década, a então Santos Peixoto & Cia. América Fabril ampliou seu capital de maneira significativa, fortalecendo sua posição no setor industrial.

O crescimento levou, em 1903, à aquisição da Fábrica Bonfim, localizada no bairro do Caju — área que anteriormente integrava a freguesia de São Cristóvão. Com isso, a empresa passou a figurar entre as dez maiores indústrias têxteis do país.

Entretanto, foi a partir de 1911, com a inauguração da Fábrica Mavilis, também instalada na região portuária do Caju, ao lado da Bonfim, que a companhia atingiu seu auge de modernização. Reconhecida como “a mais avançada fábrica de fiação e tecelagem do Brasil” naquele período, a Mavilis destacou-se por operar com os equipamentos de fiação mais modernos da época, consolidando definitivamente o protagonismo da Companhia América Fabril no cenário industrial brasileiro.



Santo Cristo iniciou sua trajetória no juvenil do Marvillis. Tentou a sorte no Club de Regatas Vasco da Gama, mas, apesar de toda a habilidade, isso não foi suficiente para se firmar.

Chegou ao Bonsucesso Futebol Clube e, nos treinamentos, “fazia chover”. Com apenas 17 anos, integrou o elenco principal e disputou o Campeonato Carioca de Reservas (segundos quadros). No entanto, sem oportunidades no time de cima, retornou ao Marvillis — e foi aí que sua história começou a mudar.

Aos 18 anos, em 1942, acertou com o São Cristóvão de Futebol e Regatas. Desde o início, treinador e diretoria tinham uma convicção: haviam encontrado seu craque.


time de veteranos em 1943 do SCFR 


No dia 29 de março de 1942, aconteceu o primeiro jogo oficial de Santo Cristo pelo São Cristóvão de Futebol e Regatas. A partida foi válida pelo antigo Torneio Início, e os Cadetes saíram vitoriosos por 1 a 0 contra o America Football Club (RJ).

Uma semana depois, em 5 de abril, veio a estreia no Campeonato Carioca — e já deixou sua marca: Santo Cristo marcou um gol na vitória por 5 a 2 sobre o Bangu Atlético Clube.

Santo Cristo teve três passagens pelo São Cristóvão, sempre com muito destaque e identificação com o clube.



TIME CAMPEÃO DO TORNEIO MUNICIPAL 

Naquele time montado em 1942 — que custou caro à diretoria, inclusive com investimentos em excursões — os comandados de Santo Cristo e Caxambu, ambos grandes craques da época, formaram uma equipe muito forte.

Em 1943, aquele elenco conquistou o terceiro título mais importante do futebol carioca à época: o Campeonato Municipal do Rio de Janeiro.

Santo Cristo era um verdadeiro craque. Tanto que seu destino foi a maior potência do período: o Club de Regatas Vasco da Gama, que montava o time que ficaria conhecido como “Expresso da Vitória”. Lá, Santo Cristo disputou 71 jogos e marcou 34 gols, participando de um dos elencos mais emblemáticos da história do clube. Chegou a ser cogitado para jogar a Copa de 1950. 

  • SCFR; 1942-1944/ 1954-1956/ 1959
  • Vasco: 1945-1946
  • Botafogo : 1947 
  • São Paulo: 1948
  • Fluminense: 1948-1951
  • Guarani: 1951
  • XV de Piracicaba: 1951-1953
  • Portuguesa SP: 1953
  • Ferroviária SP: 1953-1954
  • Altético-MG: 1955
  • Olaria: 1956

Na campanha do título do Campeonato Municipal do Rio de Janeiro de 1943, Santo Cristo marcou cinco gols. Um dado curioso é que três deles aconteceram em uma mesma partida — e que partida! No último jogo do campeonato, contra o Canto do Rio Foot-Ball Club, no dia 6 de junho, as equipes protagonizaram um eletrizante empate em 6 a 6, com nada menos que 12 gols.

Santo Cristo também esteve presente em um dos episódios mais marcantes da história do São Cristóvão de Futebol e Regatas: o fechamento do Estádio da Figueira de Melo. No dia 19 de setembro, em uma partida contra o Clube de Regatas do Flamengo, assim que o Flamengo marcou o primeiro gol — anotado por Vevé — parte da arquibancada onde estava a torcida rubro-negra desabou, gerando desespero e confusão. O incidente levou à interdição do estádio.

No meio de sua segunda passagem pelo São Cristóvão, Santo Cristo saiu para treinar por três meses no Clube Atlético Mineiro, mas retornou ao clube carioca.

Em 1956, participou da excursão do São Cristóvão pela Europa e África, sendo novamente um dos principais jogadores da equipe.

Ao fim da carreira, já com 39 anos, decidiu encerrar sua trajetória no clube que o projetou para o futebol. Em 1959, seu último ano como profissional, não poderia ter sido diferente: aposentou-se vestindo a camisa do São Cristóvão, consolidando seu nome como um dos grandes ídolos da história do clube.

Educação salvou a vida de Santo Cristo

Dois anos antes, em 1948, quando atuava no futebol paulista, Santo Cristo viveu um episódio que marcaria sua história. Era sexta-feira, 27 de agosto, e ele aguardava um voo da Vasp com destino ao Rio de Janeiro, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando um imprevisto mudou tudo.

O cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar, precisava chegar com urgência à então capital federal. O voo estava lotado. Consultado, Santo Cristo não hesitou: adiou a própria viagem e cedeu seu lugar ao religioso.

A aeronave seguiu viagem, mas, ao tentar pousar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, uma das asas atingiu o prédio da Escola Naval. O avião caiu na Baía de Guanabara.

Dezoito pessoas morreram e apenas três sobreviveram. Entre as vítimas estava o jornalista Cásper Líbero, fundador do jornal A Gazeta.

Com um gesto de generosidade, Santo Cristo acabou salvando a própria vida.

Histórias do futebol que parecem roteiro de cinema — mas são absolutamente reais.


terça-feira, 6 de janeiro de 2026

IVO SODRÉ- O MAIOR 10 DO CLUBE

 IVO SODRÉ- O MAIOR 10 DO CLUBE 



O que é ser um camisa 10 no futebol antigo? A 10 que já foi de Pelé, eternizada por ele; essa mesma 10 de Alex, Rivelino, Tostão, entre outras feras que escreveram a história do nosso esporte. Mas essa camisa 10 tem sua importância no São Cristóvão?

Sabemos que a camisa lendária do clube é a 9, não apenas porque Ronaldo Fenômeno transformou o número em um símbolo mundial de artilharia e vitórias, mas também porque, nos cadetes, a 9 pertenceu a Luís Sena, craque do passado que jogou na Europa e virou ídolo no Vitória-BA.

Hoje, porém, falaremos de um jogador que quase disputou uma Olimpíada, é ídolo no México, teve problemas contratuais e, por vezes, faltava a jogos do São Cristóvão — não por indisciplina, mas porque estava de serviço na Polícia Militar. Esse jogador é Ivo Sodré.

Uma unanimidade. Todos os ex-jogadores com quem tive a oportunidade de conversar sobre Ivo dizem a mesma coisa: craque de bola, jogador diferenciado, acima da média.


FOTO MELHORADA POR I.A. 

Ivo Sodré nasceu em Niterói, no dia 3 de junho de 1943. Começou sua vida futebolística no Bonsucesso, mas, sem muitas chances, passou por um período de treinamento no Botafogo, onde se aprimorou. Retornou ao Bonsucesso e ali se tornou um craque. Foi convocado para integrar a comissão dos selecionados para as Olimpíadas de 1964 e sagrou-se campeão pela Seleção Brasileira. Jogou no América do México e no Comercial-MS, onde aprontou para cima de Pelé. Também passou pelo América do Rio e pelo Bangu, mas foi no São Cristóvão que se tornou uma lenda.

Ivo Sodré surgiu como um jovem promissor, de grande habilidade, no Bonsucesso, no início dos anos 1960. Já se destacava bastante pela técnica, apesar de ser muito magro, o que o atrapalhou no início da carreira. De 1961 a 1962, ficou treinando entre os profissionais e os juvenis, sempre se destacando, mas não entendia por que nunca era aproveitado no time principal. Segundo pesquisas, mesmo adolescente, já era um dos melhores jogadores do clube.

Apesar da pouca idade, já era considerado um jogador de personalidade. Tentou, então, uma transferência para o América do Rio, iniciativa que ele próprio tentou intermediar, pois estava insatisfeito com sua situação. Ao que tudo indica, porém, foi persuadido a desistir.

Em 1964, uma passagem pelo Botafogo mudaria significativamente sua vida. Viveu um período de experiência no time da Zona Sul e ali aprimorou suas habilidades, evoluindo de tal forma que, ao retornar ao Bonsucesso, tornou-se titular absoluto. Seu destaque foi tão grande que acabou convocado para um período de treinamentos da Seleção Brasileira que participaria das Olimpíadas de 1964. Passou vários dias treinando e se destacando, porém foi cortado na lista final de convocados, acabando por ficar de fora.

Chegou a entrar no decorrer de um jogo-treino contra o Serra Negra E.C.

A título de curiosidade, o Brasil foi eliminado ainda na primeira fase da competição. Estava no grupo com Coreia do Sul, Tchecoslováquia e República Árabe Unida. Nesse mesmo ano, Ivo Sodré passou por uma cirurgia nas amígdalas, na Santa Casa de Jundiaí, cidade onde a seleção treinava, e provavelmente esse foi o motivo do corte.

Ainda em 1964, Ivo Sodré conquistaria um título por uma espécie de “Seleção Brasileira B”.

A seleção brasileira, composta por jogadores de clubes menores da Guanabara (Olaria, Madureira, São Cristóvão e Portuguesa) e do Rio de Janeiro (Canto do Rio), conquistou, em 1964, em Buenos Aires, o 2º Campeonato Sul-Americano da Divisão de Acesso, de maneira invicta.

Médico: Hilton Gosling.
Jogadores: Ari Seixas, Renato, Valtinho, Ari, Elton, Nésio, Fefeu, Franz, Casimiro, Uriel, Zé Carlos, Batata, Ivo Sodré, Zezinho, Luís Carlos, Jair e Enir.
Treinador: Denôni.
Massagista: Nocaute Jack.

Vale lembrar que, em 1962, em Lima, capital do Peru, também de forma invicta, o Brasil havia conquistado o título, daquela vez com jogadores de clubes do interior paulista.

IVO SODRÉ- AMÉRICA -MEX 


De 1968 a 1970, teve uma passagem pelo América do México. Foi vendido pelo Bonsucesso por 20 mil dólares, valor considerado significativo à época. Retornou ao Brasil para jogar pelo América-RJ, porém não chegou a atuar devido a problemas burocráticos. Após resolver essas pendências, transferiu-se para o clube onde se eternizou como o maior camisa 10 da história dos Cadetes.

Entre a saída do México e a chegada ao São Cristóvão, ficou cerca de dois anos parado em razão de entraves burocráticos relacionados à sua transferência internacional. Nesse período, chegou a negociar com o Vasco da Gama, mas, por conta dessas dificuldades, as negociações não avançaram.



América-Mex. Temporada 1968/1969 - Ivo Sdré segundo em Pé 

Em 1973, chegou ao São Cristóvão. Teve uma rápida passagem pelo Comercial-MT, onde viveu uma situação inusitada, e depois retornou aos Cadetes, clube no qual escreveu definitivamente a sua história e encerrou a carreira em 1980.

Abrindo um parêntese, durante sua passagem pelo Comercial, quando a equipe disputava a Primeira Divisão do Campeonato Nacional — sendo, inclusive, o primeiro clube do Mato Grosso a alcançar essa divisão —, ocorreu um episódio marcante. A estreia foi contra o Santos de Pelé. O Esporte Clube Comercial venceu o Santos por 1 a 0, com gol de Gil. No entanto, o lance que ficou para a história foi o chapéu aplicado por Ivo Sodré justamente na lenda Pelé, diante de um público de cerca de 45 mil pessoas, que presenciou aquela vitória lendária.


Ivo Sodré- penúltimo agachado. Fonte: Craques do Rádio 

Quando Ivo Sodré chegou ao São Cristóvão, precisou se dividir com outro emprego: era policial militar. Segundo relatos de jogadores da época — com os quais tive a oportunidade de conversar em encontros realizados no final de 2015 —, era comum o São Cristóvão chegar ao Maracanã para jogar e encontrar o próprio Ivo Sodré responsável pela segurança das ruas ao redor do estádio.

Ivo era o clássico camisa 10: pensador, articulador e distribuidor de jogo. Esteve em campo em partidas memoráveis e jogou o fino da bola quando, em um Maracanã lotado de flamenguistas, com Zico em campo, Ivo Sodré, Sena e Fio Maravilha desafiaram a lógica e, de virada, conduziram a vitória do São Cristóvão sobre o Flamengo.

Ivo Sodré comandou a equipe na segunda maior conquista da história do clube, o Torneio Abelard França. Infelizmente, ele não consta na foto oficial da equipe nem aparece segurando o troféu.

Segundo seu amigo e lateral Peixinho, Sodré estava chateado com a diretoria da época, que não demonstrava interesse em renovar seu contrato. Como forma de protesto, ambos não apareceram na foto oficial, embora Ivo tenha sido o melhor jogador do torneio.

Ivo Sodré chegou ao São Cristóvão em 1972, depois que o clube resolveu — ou, na verdade, ajudou a resolver — os problemas burocráticos pendentes no México. Ele chegou acompanhado de um pacote de reforços:

  1. Dias, zagueiro do América-RJ;

  2. Almir, lateral esquerdo do Campo Grande;

  3. Alexandre, armador, de clube não identificado;

  4. Norival, goleiro da Ponte Preta.

Após 1976, ainda atuou por Bangu e Bonsucesso, retornando posteriormente ao São Cristóvão, onde encerrou a carreira em 1980.


PRIMEIRO JOGO OFICIAL DE IVO SODRÉ 

Olaria 2 x 1 São Cristóvão
Local: Rua Bariri
Árbitro: Antônio Viug
Renda: Cr$ 3.820,00

Gols:

  • Ézio, aos 20 minutos do 1º tempo

  • Fernando, aos 5 minutos do 2º tempo

  • Jorge, aos 27 minutos do 2º tempo

Olaria:
Beto; Aluísio, Mário Tito, Altivo e Mineiro; Gessé e Roberto Pinto; Robertinho, Ézio, Agnaldo e Fernando.

São Cristóvão:
Otávio; Triel, Joel, Dias e Madeira; Arlindo (Santos) e Mafra; Gilbert, Jorge, Ivo Sodré e Humberto (Alex).


APÓS ENCERRAR A CARREIRA CONTINUOU SUA VIDA DE POLICIAL INCLUSIVE SE ENVOLVEU EM UM TIROREIO NA TIJUCA , ONDE ELE PERCEBEU QUE POPULARES ESTAVAM SENDO ASSALTADOS E ACABOU TROCANDO TIRO COM O MELIANTE, ELE ACABOU LEVANTO UM TIRO NA PERNA , PORÉM SEM GRAVIDADE. 


Essa é a nossa homenagem ao grande camisa 10, Ivo Sodré!

CAPITULO 06- A GOLEADA

  CAPITULO 06 – UMA GOLEADA HISTÓRICA SÃO CRISTÓVÃO 8X2 SC BRASIL Estádio Figueira de Melo Data: 23/05/2026 Àrbitro: Heitor De Olive...