sábado, 27 de junho de 2026

CAPITULO 05: VENCEMOS O CAMPEÃO

 SÃO CRISTÓVÃO 5X0 FLAMENGO - O MASSACRE NA FIGUEIRA DE MELO 


CAMPEONATO CARIOCA 1926

CAÍTULO 05: A VITÓRIA SOBRE OS CAMPEÕES

 Na rodada passada, o São Cristóvão mostrou que não era uma zebra, mas sim uma realidade ao vencer o Vasco por 2 a 1. Dessa vez, o time teria pela frente os campeões de 1925, o Clube de Regatas do Flamengo.

Estádio Figueira de Melo**

SCFR: Paulinho; Póvoas e Zé Luiz; Júlio, Henrique e Alberto; Oswaldo, Octávio, Vicente, Arthur e Theóphilo.

FLAMENGO: Batalha; Pennaforte e Hélcio; Japonez, Flávio e Hermínio; Allemand, Aché, Chagas, Fragoso e Moderato.

Início do jogo: 15h35

16.05.2026

Gols: Vicente (2x), Arthur “Baianinho”, Jaburu e Octávio.

O São Cristóvão chegava como realidade e não mais como zebra, e o Flamengo sabia o que enfrentaria, mas não esperava que o jogo seria um verdadeiro massacre. O rubro-negro não viu a cor da bola.

A Rua Figueira de Melo estava lotada. A capacidade do estádio foi ultrapassada em muito, e o povo que não conseguiu comprar ingressos invadiu as arquibancadas, derrubando grades e cercas, mas sem qualquer desordem. Tudo ocorreu na mais perfeita calma; todos só queriam conferir o time que estava se tornando muito popular contra a equipe que vinha surpreendendo o futebol carioca.

Segundo as crônicas da época, o Flamengo entrou em campo em desvantagem por estar mal fisicamente, mal treinado e nem mesmo seu principal craque, Moderato, estava bem. Ele errou tudo o que tentou graças à atuação da defesa são-cristovense.

Já o conjunto do São Cristóvão estava, mais uma vez, em perfeitas condições. Apesar de Julinho ter sido novamente o grande destaque, toda a equipe demonstrou perfeita harmonia técnica e física. Com um ataque poderoso e uma defesa sólida, o time encontrou um Flamengo totalmente desorientado, o que facilitou a goleada.

 Mesmo vindo de três vitórias consecutivas, o Flamengo não atuava bem, e o São Cristóvão soube explorar as falhas rubro-negras. No primeiro tempo, a partida já estava praticamente decidida com o placar de 3 a 0. Na etapa final, vieram mais dois gols e o domínio total dos donos da casa.

Uma informação curiosa é que o primeiro gol foi marcado "com as calças na mão". Vicente abriu o placar aos 9 minutos, mas, enquanto chutava para o gol, segurava o calção, já que os botões haviam se arrebentado.

O feito se tornou ainda maior porque o Flamengo era treinado pelo lendário Flávio Costa, futuro treinador da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1950 e comandante do famoso Expresso da Vitória do Vasco nas décadas de 1940 e 1950.

A vitória marcou o fim de um jejum que durava oito anos, já que o último triunfo do São Cristóvão sobre o Flamengo havia acontecido em 1918, também na Figueira de Melo. Curiosamente, naquela ocasião o placar também foi de 5 a 1.

Vitória, liderança e confiança em alta. No próximo jogo viria uma goleada daquelas que a história jamais poderia apagar.






TIME QUE ENTROU EM CAMPO CONTRA O FLAMENGO 

foto colorizada por I.A.



quinta-feira, 25 de junho de 2026

O FIM DA FIGUEIRA DE MELO - UM PLANO OUSADO

 O FIM DA FIGUEIRA DE MELO- VAMOS EMBORA PARA A ILHA. 



O Estádio Ronaldo Nazário, em Figueira de Melo, já esteve ameaçado de desaparecer em diversas ocasiões. O local chegou a ter um projeto de ampliação para 40 mil pessoas e quase foi vendido, nos anos 2010, para a construção de prédios residenciais.

Entretanto, a maior ameaça ocorreu em 1971, quando a sede quase foi negociada para viabilizar um projeto gigantesco. A proposta previa que o São Cristóvão abandonasse suas raízes no bairro de São Cristóvão e se mudasse para a Ilha do Governador.

O São Cristóvão sempre conviveu com dificuldades financeiras, principalmente após a década de 1960. Apesar de alguns períodos de sucesso, o clube enfrentou muitos problemas econômicos ao longo de sua história, o que tornava propostas desse tipo bastante tentadoras.



As antigas diretorias tinham um desejo: unir as duas sedes em uma só. Ou seja, transferir a sede náutica para junto da sede de futebol, levando barcos e toda a estrutura para a Figueira de Melo. Por motivos óbvios, isso não era possível.

Com uma sede única, os investimentos poderiam ser concentrados e intensificados. Para isso, o plano era transferir todas as atividades para uma nova sede náutica, localizada na entrada da Ilha do Governador. O projeto também envolveria o desaparecimento de uma favela existente na área.

A diretoria recebeu uma proposta de 8 milhões de cruzeiros para vender a sede da Figueira de Melo e todas as suas dependências, que dariam lugar à construção de prédios comerciais e residenciais. O dinheiro arrecadado seria utilizado na construção de um novo estádio, além da reforma e modernização da sede náutica.

Uma reunião foi realizada com os conselheiros e associados do clube para discutir a proposta. A ideia era destinar 2 milhões de cruzeiros à modernização da sede náutica e os outros 6 milhões à construção de um novo estádio. O local escolhido seria a área ocupada pela comunidade da Nova Holanda, que seria removida — contando, inclusive, com apoio do governo — para dar lugar à nova casa do São Cristóvão.

Um dos grandes porta-vozes desse projeto era Benilton Rodrigues, diretor de futebol do clube. Ele estava cansado de ver o São Cristóvão ser tratado como um pobre coitado e se apresentar como um "mendigo do futebol". Os jogadores conviviam diariamente com a estrutura precária do estádio, atrasos salariais, falta de material e diversas dificuldades. Além disso, reclamavam que tinham desempenho inferior quando atuavam no Maracanã, pois as dimensões do campo eram diferentes das encontradas na Figueira de Melo.






O presidente João Gualberto de Quadros Mendonça recebeu uma herança cruel das administrações anteriores: uma dívida considerada impagável. Com débitos protestados em cartório e credores aparecendo diariamente à porta do clube, ele via na venda do terreno a única solução para salvar as finanças da instituição. Tratava-se justamente da histórica sede da Figueira de Melo, adquirida em definitivo pelo São Cristóvão em 1922.

A situação era tão conturbada que João, inicialmente vice-presidente, assumiu a presidência após o licenciamento de José Ferreira de Agostinho, que lhe deixou uma dívida de cerca de 400 mil cruzeiros. Sócio do clube há muitos anos, João sempre defendeu a ideia de unificar as sedes e enxergava naquele projeto uma oportunidade de reorganizar o São Cristóvão.

Os estudos para a mudança já estavam avançados. A metragem do terreno destinado ao novo estádio havia sido levantada, e a sede náutica, com 28 metros de fundos e 400 metros de frente, seria transformada em um grande centro esportivo, concentrando as atividades sociais e esportivas do clube em um único local.


HISTORIADOR PAULO JORGE 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

A HISTÓRIA DE NOSSO HINO

     QUEM FOI LAMARTINE BABO ? 

Fonte: Wikipédia

 Quando se fala na história da música popular brasileira, poucos nomes foram tão versáteis e influentes quanto Lamartine Babo. Compositor, cantor, humorista, radialista e teatrólogo, ele marcou profundamente a cultura nacional durante a primeira metade do século XX, tornando-se uma das figuras mais importantes da chamada Era do Rádio.

Lamartine de Azeredo Babo nasceu no Rio de Janeiro, em 10 de janeiro de 1904. Desde cedo demonstrou interesse pela música e pelas artes, participando de atividades culturais ainda na juventude. Sua carreira ganhou impulso na década de 1920, período em que o rádio começava a se consolidar como o principal meio de comunicação de massa do país.

Dotado de grande criatividade e senso de humor, Lamartine destacou-se pela composição de marchinhas carnavalescas que rapidamente conquistaram o público. Entre seus maiores sucessos estão canções como "O Teu Cabelo Não Nega", "Linda Morena", "Cantores do Rádio" e "História do Brasil", obras que atravessaram gerações e se tornaram parte do patrimônio musical brasileiro.

Durante as décadas de 1930 e 1940, suas músicas dominaram os carnavais do Rio de Janeiro e de diversas cidades do país. Suas composições misturavam irreverência, sátira social e melodias de fácil assimilação, características que ajudaram a popularizar o gênero das marchinhas carnavalescas. Muitas de suas canções refletiam aspectos do cotidiano brasileiro, utilizando humor e crítica de maneira leve e acessível.

Além de sua contribuição para a música popular, Lamartine Babo entrou para a história do esporte brasileiro por um feito singular. Na década de 1940, compôs os hinos de diversos clubes de futebol do Rio de Janeiro. Entre eles estão os hinos de Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco da Gama, América, Bangu, São Cristóvão, Madureira, Olaria e outros clubes cariocas. Curiosamente, embora fosse torcedor do América Futebol Clube, conseguiu criar canções que se tornaram símbolos de identidade para torcedores de diferentes equipes.

Sua capacidade de compreender a paixão popular pelo futebol fez com que esses hinos permanecessem vivos por décadas, sendo cantados até hoje nos estádios e em eventos esportivos. Poucos compositores brasileiros conseguiram deixar uma marca tão forte tanto na música quanto no esporte.

Lamartine também foi um dos pioneiros do entretenimento radiofônico nacional. Trabalhou em programas humorísticos, escreveu roteiros e participou de produções que ajudaram a consolidar o rádio como uma das principais formas de diversão dos brasileiros. Sua versatilidade permitiu que transitasse entre diferentes áreas da cultura, sempre com criatividade e talento.

Ao longo de sua carreira, recebeu o reconhecimento do público e de seus colegas artistas, tornando-se uma referência da música popular brasileira. Sua obra ajudou a definir a identidade sonora de uma época marcada pela ascensão do rádio, pelo fortalecimento do carnaval e pela popularização do futebol.

Lamartine Babo faleceu em 16 de junho de 1963, no Rio de Janeiro, aos 59 anos. Apesar de sua morte, seu legado permanece vivo. Suas marchinhas continuam presentes nos carnavais, seus hinos ecoam nos estádios e sua contribuição para a cultura brasileira segue sendo lembrada como uma das mais importantes do século XX.

Mais do que um compositor de sucesso, Lamartine Babo foi um dos grandes intérpretes da alma popular brasileira, transformando em música o humor, a paixão e a alegria de seu tempo.

Em 1943, a pedido do programa de rádio Trem da Alegria, Lamartine Babo compôs os hinos dos clubes que disputavam o Campeonato Carioca. Os clubes já possuíam hinos oficiais, e esse seria um hino secundário.Quem fez o convite para o trabalho foi Mebar Boscoli.

Lamartine criou os hinos com alegria e bom humor, mas procurando destacar as características de cada clube.

O torcedor do América

Existem diversas versões sobre como Lamartine escreveu o hino do América e os demais hinos, mas a mais aceita é a contada por Sobrinho Sargentelli. Segundo ele, levaram Lamartine para um apartamento na Rua Senador Dantas, no Centro do Rio, onde havia uma geladeira abastecida com comida. Durante cinco ou seis dias, seguranças permaneceram na porta e só o deixaram sair quando todos os hinos estavam concluídos.

No dia 10 de janeiro de 1944, quando completava 40 anos, Lamartine apresentou pela primeira vez todos os hinos em uma única noite, no Teatro João Caetano, marcando um momento histórico da música e do futebol carioca.

HINOS ESCRITOS 

Lamartine Babo ficou famoso por compor os hinos de praticamente todos os grandes clubes cariocas na década de 1940. Eles foram criados originalmente para um programa de rádio e acabaram sendo adotados oficialmente ou popularmente pelas torcidas.

Os principais hinos compostos por Lamartine Babo são:

  • Clube de Regatas do Flamengo 
  • Fluminense Football Club
  • Botafogo de Futebol e Regatas 
  • Club de Regatas Vasco da Gama 
  • America Football Club 
  • Bangu Atlético Clube
  • São Cristóvão de Futebol e Regatas
  • Madureira Esporte Clube
  • Olaria Atlético Clube
  • Bonsucesso Futebol Clube
  • Canto do Rio Foot-Ball Club

A HISTÓRIA DO NOSSO .

Fonte: Matheus- Chefe de Comunicação 


O disco com os doze hinos foi lançado e o do São Cristóvão se diferenciava em dois pontos: quem cantava e o estilo da musica. 

O hino, escrito por Babo, exalta o orgulho e a tradição de um dos clubes mais antigos do Rio de Janeiro. Como referência histórica, cita a Rua Figueira de Melo, uma das mais conhecidas da cidade, anteriormente chamada de Rua da Feira. A rua é símbolo de luta, e sua história se confunde com a trajetória do clube.

Talvez a parte mais bonita seja a homenagem feita ao nosso maior ídolo de todos os tempos, Cantuária. A letra também valoriza e fortalece a relação do bairro com o subúrbio. Apesar de estar localizado no antigo Bairro Imperial, onde residiam a realeza e a nobreza, o clube nasceu tipicamente suburbano, criado e construído por suburbanos e militares. Surgindo antes do coirmão Vasco e do próprio Gigante da Colina, o clube levava o subúrbio para junto da elite carioca.

O arranjo musical foi gravado justamente por uma banda militar, remetendo à criação do clube. Trata-se de uma marcha militar suave e leve, mas que resgata suas raízes e sua identidade.

Se você escutar o disco, vai perceber que os hinos do nosso querido clube e do Vasco são interpretados por outro cantor. Já o intérprete do nosso hino foi Silvio Caldas, grande artista da era de ouro do rádio e torcedor apaixonado do clube. Neste blog, eu já contei a história dele. Basta acessar o link e conferir o texto!


https://resgatesaocricrifr.blogspot.com/2025/09/hino-do-sao-cristovao-silvio-caldas.html

HISTORIADOR PAULO JORGE 



CAPITULO 06- A GOLEADA

  CAPITULO 06 – UMA GOLEADA HISTÓRICA SÃO CRISTÓVÃO 8X2 SC BRASIL Estádio Figueira de Melo Data: 23/05/2026 Àrbitro: Heitor De Olive...