quinta-feira, 2 de abril de 2026

CAMPEONATO CARIOCA 1926 - REPORTAGEM DO GLOBO NA ÉPOCA

 Hoje iremos mostrar trechos da reportagem do jornal " O Globo" do dia 22/11/1926, um dia após do título carioca.

Decidiu-se, ontem, o Campeonato do Rio de Janeiro — o São Cristóvão, campeão de 1926. A sua vitória de ontem sobre o Flamengo por 5x1.



Não é preciso grande gasto de palavras para encarecer o valor que teve o dia esportivo de ontem, com o jogo de futebol decisivo do campeonato oficial da cidade, entre os times do C. R. do Flamengo e do São Cristóvão A. C. Disputado o referido campeonato em circunstâncias das mais interessantes, tendo o sorriso da vitória, durante longo tempo, oscilado entre três clubes, chegou afinal ao seu término.

O Flamengo, aliás, sem colocação de destaque na lista dos concorrentes, ofereceu uma bela lição de moral esportiva, empenhando-se pela vitória nesse jogo, apesar de não ter interesse direto no final do campeonato. Mas os clubes que, com maior atenção e entusiasmo, acompanharam a disputa de ontem foram o São Cristóvão, participante direto, e o Vasco da Gama, como espectador, que via decidir-se a sua sorte. Para que se avalie a relevância desse jogo, basta dizer que qualquer de suas possíveis soluções levaria a um resultado diferente.


A vitória do Flamengo importaria na obtenção do título de campeão por parte do Vasco da Gama; o triunfo do São Cristóvão dar-lhe-ia o cobiçado e honroso título; o empate tornaria empolgante o final do campeonato, pelo empate deste também e sua subsequente decisão no melhor de três jogos.Já se vê, assim, a importância que teve a partida referida, assistida por numerosa concorrência, apesar do mau tempo que fez.

A chuva, forte pela manhã e persistente durante o resto do dia, prejudicou muitas das pessoas esportivas presentes. Entre as atrações que deixaram de ser realizadas, deve ser citado o final do campeonato individual de lawn-tennis, em que deveriam ter medido forças, num encontro de sensação, os tenistas Alberto, do Fluminense F. C., uma das “raquetes” mais afamadas do Rio de Janeiro, e Sidney Pullen, do C. R. do Flamengo, jogador de notoriedade, que estava então no apogeu da forma e do valor.



O valente S. Christovão é o-campeio ds cidade!

 A sua equipe derrottou» lindamente, o Fíamengó por 5x1



Magnífico aspecto apresentava, na tarde de ontem, o campo da Rua Paysandu. E havia razão para a grande afluência, pois se ia travar uma peleja importantíssima, como há muito não se verificava, da qual resultaria o cobiçado título de campeão carioca de futebol no corrente ano.

Sendo assim, muito embora o tempo chuvoso, todas as dependências do grande clube rubro-negro estavam repletas. E toda aquela multidão vibrava de entusiasmo, aplaudindo emocionada os seus favoritos por ocasião dos lances sensacionais.

É verdade que não se registraram lances perfeitos em todo o transcorrer da pugna, pois, na segunda fase, tal foi a pressão exercida pelo quadro alvinegro que o jogo dos locais descambou por completo. Seus jogadores desnortearam-se, a equipe desmantelou-se e, por que não dizer, na iminência de uma grande derrota, veio a desconjuntar-se toda na fase final do segundo tempo.

A primeira fase, entretanto, foi magnífica. Houve falhas de técnica, sim, mas o ardor e a energia dos combatentes, disputando palmo a palmo o terreno e pondo em ação todos os esforços possíveis, deram uma excelente impressão à partida, encobrindo, assim, as ligeiras falhas que poderiam ser apontadas se o jogo fosse tão somente analisado dentro dos rigores exigidos pela técnica para a verdadeira prática do esporte.

Com relação ao vencedor, porém, poucas — muito poucas mesmo — foram as falhas encontradas. O valente quadro, que tão brilhantemente conquistou o campeonato da cidade, é bem merecedor deste título, pois o conquistou no terreno da luta, derrotando, de forma brilhante, os seus mais terríveis adversários.

O seu esmagador triunfo da tarde de ontem, abatendo pelo elevado placar de 5 x 1 o Flamengo, é bem a prova do que afirmamos. Neste final de temporada, já na estação imprópria para a prática dos esportes terrestres, ciente de sua responsabilidade, o São Cristóvão.


A equipe do Flamengo, por mais treino que ainda tivesse, não podia, absolutamente, derrotar o seu antagonista de ontem. Esta foi a impressão deixada.É verdade que o Flamengo resistiu brilhantemente durante todo o primeiro tempo e parte do segundo. Mas teve de sucumbir ante a superioridade manifesta do adversário. Aliás, já na primeira fase, ao observador desapaixonado não passaria despercebida certa superioridade do vencedor.

Notava-se no São Cristóvão muito treino, muita compreensão e muito valor, tanto no conjunto quanto nas forças isoladas. No Flamengo, via-se vontade e energia, porém pontos fraquíssimos, quer na defesa, quer no ataque. Entre os jogadores, Amílcar e Neci foram os que mais se salientaram. Pena não esteve firme; os “halves” fracassaram, mormente Japonês; e, na linha, Fragoso foi um elemento nulo e Nonô não esteve em seus bons dias. Moderato foi um dos que mais trabalharam, enquanto Allemand esteve medíocre.

O primeiro a pisar o gramado foi o Flamengo. O público recebeu o quadro rubro-negro com grandes aclamações. Pouco depois, a multidão prorrompeu em novos aplausos: era a entrada do time são-cristovense.

As equipes posaram para os fotógrafos entre a ansiedade da assistência, que se dividia em duas grandes correntes, uma favorável ao clube rubro-negro e outra ao clube visitante. Fervilhavam, então, os palpites, todos, aliás, desencontrados.

Pouco depois, um frêmito de animação perpassou pela assistência: o juiz anunciava o início da pugna.

Alinharam-se os dois times na seguinte ordem:

FLAMENGO — Amado; Pennaf­orte e Hélcio; Japonês, Flávio e Favorino; Allemand, Achê, Nonô, Fragoso e Moderato.

SÃO CRISTÓVÃO — Paulino; Póvoas e Zé Luiz; Júlio, Henrique e Alberto; Oswaldo, Octávio, Vicente, Arthur e Theophilo.

 

TIME CAMPEÃO.

 O JUIZ — Foi o Sr. Carlos Martins da Rocha (Carlito), do Botafogo F. C.


SÃO CRISTÓVÃO 5X1 FLAMENGO 

E, assim, com esse resultado conquistado numa partida leal, o valente grêmio da Rua Figueira de Melo conquistou o honroso e merecido título de campeão da cidade. Honroso e merecido, dissemos bem: honroso porque exprime a força máxima entre os principais clubes da cidade; merecido porque foi conquistado após consecutivas vitórias contra os mais fortes, à custa de seus esforços, sacrifícios e, sobretudo, muita disciplina.

O Globo deixa aqui registradas as suas felicitações ao valente São Cristóvão, o glorioso campeão do ano. Ele bem mereceu o título que conquistou, marcando a página mais gloriosa de sua vida esportiva.

Houve uma cena sentimental: o conhecido esportista Amadeu Macedo, velho baluarte do campeão da cidade, do qual é presidente, ao terminar a peleja, abraçou-se com os amigos, chorando. Eram lágrimas de alegria, lágrimas suaves.


ATACANTE THEÓPHILO 

ZAGUEIRO ZÉ LUIZ 


HOMENAGEM A NOSSOS ÍDOLOS: NESI

 NESI - UM ÍDOLO ESQUECIDO.


Luis Ferreira Nesi nasceu no dia 15 de novembro de 1902 e veio a falecer em 19 de junho de 1967, no Rio de Janeiro. Nesi começou sua vida futebolística no São Cristóvão; ele é cria da Figueira de Melo. Conseguimos poucas informações, e com muito esforço, já que conseguir informações dessa época é uma verdadeira luta.

Ele jogou em dois times em toda sua vida: no São Cristóvão e no Vasco da Gama, onde encerrou sua carreira. Mas um detalhe chama a atenção sobre Nesi: além de ser o segundo jogador convocado para a seleção jogando pelo São Cricri, ele ganhou dois títulos pela Seleção Brasileira. Um meia de habilidade e bom passe, era também sempre convocado para jogar pela seleção carioca.

Até o momento, não conseguimos contabilizar a quantidade de jogos e gols de Nesi pelo São Cristóvão, mas descobrimos que, em 1920, ele era reserva, sendo titular nos outros quatro anos de clube. Ele também era figurinha carimbada na seleção carioca.

São Cristóvão: 1920 a 1925
Vasco: 1926 a 1930

Títulos Conquistados:
São Cristóvão: sem títulos
Vasco: Campeonato Carioca 1926
Torneio Início: 1926, 1929 e 1930
Seleção Brasileira: Copa Rocca 1922
Taça Rodrigues Alves: 1922



Pela seleção Brasilera, além dos dois títulos, Nesi realizou 8 jogos com 4 vitórias e 4 derrotas: 

  • Brasil 2x1 Argentina 
  • Brasil 3x1 Paraguai 
  • Paraguai 1x0 Brasil 
  • Argentina 2x1 Brasil 
  • Brasil 2x0 Paraguai 
  • Brasil 1x2 Uruguai 
  • Brasil 2x0 Argentina 
  • Argentina 2x0 Brasil 


Pelo que apuramos também, Nesi era meio “esquentado”. Achamos reportagens que mostram que ele estava sempre envolvido em confusão; em uma delas, ele tomou uma suspensão de 30 dias quando agrediu o amador do Botafogo, Renato da Silva Pessoa.


Campanhas do Nesi pelo São Cristóvão. 

  1. 1920: Sétimo Colocado 
  2. 1921:Sexto colcoado 
  3. 1922: Sétimo colocado(último)
  4. 1923:Terceiro colocado 
  5. 1924:Terceiro Colocado 
  6. 1925: Sexto Colocado

Um detalhe sobre a carreira de Nesi: o Vasco foi campeão carioca da Segunda Divisão em 1922, e o São Cristóvão foi o último colocado no Carioca do mesmo ano. O regulamento previa o encontro entre as duas equipes. Caso o S.C. ganhasse, permaneceria na Primeira Divisão e o Vasco não subiria. Se o Vasco vencesse, o Vasco iria subir e o São Cricri seria rebaixado, e o Nesi estava nesse jogo, mas aconteceu algo inusitado.

As equipes empataram em 0 a 0. O regulamento, na época, era omisso em relação ao empate; o Vasco foi promovido, e o São Cristóvão acabou permanecendo.


HISTORIADOR PAULO JORGE 

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO. 

CAMPEONATO CARIOCA DE 1937- O NOSSO TROFÉU

 BEM VINDO A NOVA CASA: O TROFÉU DE CAMPEÃO CARIOCA DE 1937.  O São Cristóvão de Futebol e Regatas teve o título de 1937 reconhecido pela F...