segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

HOMENAGEM AOS NOSSOS IDOLOS

 UM ÍTALO ARGENTINO QUE EM POUCO TEMPO VIROU LENDA ...

HECTOR PAPETTI


CLUBES DA CARREIRA 
  • GIMNASIA Y ESGRIMA 
  • PLATENSE 
  • BAHIA 
  • VITÓRIA( UM JOGO ) 
  • SÃO CRISTÓVÃO 
  • BOTAFOGO 
  • AMÉRICA MG. 


PAPETI NO CENTRO DA FOTO . 


Mais um capítulo de nossos ídolos que iremos contar hoje. Um gringo que saiu da Argentina para brilhar com a camisa do São Cristóvão de Futebol e Regatas, que considerava a Rua Figueira de Melo como a casa de sua família.

Ele foi grato ao clube por ter aberto as portas do futebol nacional para que ficasse conhecido, e a dedicação foi tanta que apenas um time foi capaz de tirar Papetti dos Cadetes: o Botafogo de Futebol e Regatas.

O argentino teve propostas de Sociedade Esportiva Palmeiras, Club de Regatas Vasco da Gama e Clube de Regatas do Flamengo, mas, como ele mesmo disse:

— Apenas um time me tira do São Cristóvão: o Botafogo!


Formação do SCFR no Torneio Inicio de 1944- ultimo torneio de Papetti 

Papetti nasceu na Argentina, no dia 8 de junho de 1914, na cidade de Rosário. Oriundo de uma família pobre da periferia da cidade, desde pequeno tinha o sonho de ser jogador de futebol. Seus pais não tinham condições de comprar uma chuteira, e o menino, aos 7 anos, foi trabalhar em uma carpintaria para conseguir adquirir seu primeiro par. No mesmo local, trabalhou até a adolescência.

Começou em um time da cidade chamado Atlético Calçada, passando também pelas categorias de base do Newell's Old Boys. Mas foi no Gimnasia y Esgrima La Plata que se profissionalizou, ainda com 17 anos. Contudo, uma situação marcou sua primeira decepção: quando o clube viu potencial no jovem e o vendeu para o Club Atlético Platense. A transferência provocou uma tristeza tão grande que ele quase desistiu do futebol.

E, para completar, uma situação gravíssima quase o tirou de forma definitiva dos gramados: uma contusão no joelho — que ajudou a encurtar sua vida futebolística — o afastou das partidas. A lesão fez com que a diretoria do Platense rescindisse seu contrato, deixando o jovem Papetti desamparado.

Mas sua história mudaria por causa de um presidente ambicioso e de um clube que queria subir de patamar. Carlos Wildberger, um homem rico da época, decidiu trazer de imediato três jogadores da Argentina, formando uma linha média que marcaria a história do São Cristóvão de Futebol e Regatas e mudaria a vida daqueles atletas. Papetti, Bianchi e Avalle — os dois primeiros jogariam no São Cristóvão mais tarde.

Avalle era italiano, mas atuou no Estudiantes de La Plata e no Racing Club. Papetti vinha do Platense, e Bianchi também tinha passagem pelo Racing. Era a época denominada “platinismo”, pois os brasileiros desenvolveram um misto de admiração e temor diante dos clubes e da seleção argentina. O Brasil era freguês de caderno.

Os clubes argentinos chegavam ao país com organização tática mais avançada, jogo mais físico e, sobretudo, uma mentalidade competitiva que impressionava. O intercâmbio entre as equipes do Rio da Prata fortalecia o nível técnico, enquanto o futebol brasileiro ainda buscava consolidar sua identidade e profissionalização.

O supertime montado por Carlos acabou levando o próprio dirigente à falência. Mesmo conquistando o título, a renda dos ingressos não cobria os gastos e, como patrocínio era praticamente inexistente na época, o presidente precisou tirar dinheiro do próprio bolso para manter o elenco.

Vale uma observação: a equipe terminou invicta, e o trio foi escolhido como o melhor meio-campo da Bahia, consolidando-se como uma das formações mais marcantes daquele período.


Argentinos Bianchi e Papetti e o brasileiro Castanheira 

Papetti e os companheiros chegaram à Bahia, mais especificamente a Salvador, no dia 6 de abril de 1940, e uma situação inusitada aconteceu. Eles chegaram pouco menos de dois meses antes do Campeonato Baiano, que começou no dia 2 de junho. Os três jogaram e dominaram as ações, mas Papetti estava “irregular”, pois se encontrava no país em situação migratória indefinida: os documentos de autorização para trabalhar ainda não tinham sido liberados.

Por consequência, o jogador foi preso pelo Serviço de Estrangeiros, ficando incomunicável durante um período. Acabou sendo liberado com a ajuda do presidente do Esporte Clube Bahia, conseguindo, assim, retornar aos gramados para ajudar sua equipe.

No total, Papetti disputou 62 jogos pelo Bahia e marcou dois gols, conquistando um Campeonato Baiano e um vice-campeonato da mesma competição.

Papetti tinha uma peculiaridade: ele detinha o próprio passe e fazia contrato por temporada. Ao fim de cada ano, sentava para renegociar com a diretoria. Em 1942, depois de dois anos na Bahia, resolveu voltar para a Argentina. Porém, antes, desejava conhecer a cidade mais linda e charmosa do Brasil: o Rio de Janeiro. Queria ver de perto suas belezas naturais e descobrir se a fama da cidade era verdadeira.

No Rio de Janeiro, enquanto tomava um café, encontrou-se com um “hermano”, um argentino que vivia havia muito tempo na cidade, treinador e ex-jogador. Ao conhecer as habilidades de Papetti, convidou-o para integrar o time que estava formando — ali nascia um dos melhores elencos da história do São Cristóvão de Futebol e Regatas.

O treinador era Abel Picabéa, campeão carioca de 1937 e considerado um dos maiores jogadores do clube. A notícia animou Papetti. E havia ainda outro motivo para se empolgar: Bianchi também chegaria ao São Cristóvão.


O argentino aceitou o convite, começando na reserva, pois chegava a um time que já tinha uma espinha dorsal formada. Mas seus treinos mostravam que ele jamais poderia ser apenas opção no banco. Um camisa 8 disciplinado, efetivo, de ótimo passe e com visão de jogo acima da média. E isso se refletiria nos dois anos em que defendeu o São Cristóvão de Futebol e Regatas.

A estreia de Papetti (conforme reportagem da época) aconteceu no dia 31 de março de 1942, contra o America Football Club. Os “Diabos da Tijuca” venceram por 3x2. Naquele momento, o time ainda não contava com Bianchi, que, ao lado de Papetti e Castanheira, seria escolhido como parte do melhor meio-campo do Rio de Janeiro nos anos de 1942 e 1943.

O primeiro jogo oficial de Papetti ocorreu no dia 3 de maio de 1942, quando o São Cristóvão venceu o Canto do Rio Foot-Ball Club por 4x0. A equipe foi escalada da seguinte forma:

Oncinha;
Augusto e Mundinho;
Papetti, Dodô e Castanheira;
Santo Cristo, Salim, Alfredo, Magalhães e Nestor.



Estreia do Papetti pelo SCFR


O São Cristóvão de Futebol e Regatas teve campanhas épicas nos anos de 1942 e 1943 no Campeonato Carioca e, em 1943, conquistou o terceiro título mais importante de sua história: o Campeonato Municipal de 1943.

Papetti considerava o clube acolhedor; para ele, o time era uma família. Foi escolhido a revelação do Campeonato Carioca de 1942, e foram dois anos de muito brilho. A equipe contava com jogadores como Santo Cristo, Castanheira, entre outros, que formaram uma das melhores gerações da história do clube.

Mas ele sempre comentava que tinha um sonho: jogar pelo Botafogo de Futebol e Regatas, para onde se transferiu em 1944. Antes, fez uma excursão com o time dos Cadetes, na qual disputou seus últimos jogos pelo São Cristóvão, apresentando-se depois ao clube de General Severiano.

A diretoria tentou dificultar ao máximo sua saída, propondo aumento salarial, entre outras ofertas. Mas Papetti agradeceu por tudo e seguiu para o time alvinegro.

Certamente, por tudo o que construiu, Papetti está nos anais da história do clube. É mais do que justa esta homenagem a quem tanto realizou com a camisa do São Cristóvão.

HOMENAGEM AOS NOSSOS IDOLOS

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