sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

AMISTOSO INTERESTADUAL

 SÃO CRISTÓVÃO X ATLÉTICO MG

1960 DIÁRIO DE NOTÍCIAS - SCFR X ATLÉTICO 




O tempo é cruel com todos — e no futebol, ele cobra com ainda mais rigor. Alguns clubes nascem pequenos e se tornam gigantes; outros, mesmo grandes, desaparecem ou são condenados a vagar pelo limbo do esporte. Os caminhos de Atlético Mineiro e São Cristóvão são muito distintos, mas, em determinados momentos da história, eles se cruzaram.

O Atlético Mineiro já teve embates com o time dos Cadetes, embora encontrar informações sobre esses confrontos seja tarefa quase impossível. Registros completos, com detalhes relevantes, praticamente não existem. A única partida da qual se tem dados mais concretos ocorreu em 1960, em um amistoso realizado em São Januário, como jogo preliminar do duelo entre Vasco e Palmeiras.

O São Cristóvão venceu o Atlético Mineiro em apenas um desses encontros, e essa vitória veio com a geração brilhante dos anos 1930. Um time que contava com nomes como Affonsinho, Walter, Villegas, Picabéia e Carreiro. Foi essa equipe que derrotou o Atlético no dia 24 de agosto de 1938 e que, meses antes, também venceu o Fluminense — justamente o mesmo Fluminense que conquistou o Campeonato Carioca de 1937 com apenas uma derrota em toda a competição: a derrota para o São Cristóvão.

Era um time especial. Campeão de um campeonato interrompido em 1937, vencedor do Torneio Início desse mesmo ano , e formado por jogadores acima da média, muitos deles com passagem pela Seleção Brasileira. Walter, goleiro daquela equipe, permaneceu no clube até 1938, quando se transferiu para o Flamengo e ali foi convocado  para a Copa do Mundo. Affonsinho e Roberto também estiveram no Mundial, sendo que  vestindo a camisa do São Cristóvão. Houve ainda um terceiro convocado, Caxambu, que acabou não sendo selecionado.

Essa geração marcou a história do clube e prova que, mesmo em caminhos tão distintos, o futebol reserva encontros em que o tempo parece, por um instante, ser mais justo.

HISTÓRICO DO CONFRONTO 

4 VITÓRIAS DO ATLÉTICO MG

1 VITÓRIA DO SÃO CRISTÓVÃO 

4 EMPATES 


  1. 21 de Junho de 1926 - Atlético 3x1 SCFR
  2. 20 de setembro de 1930- Atlético 3x1 SCFR
  3. 24 de Agosto de 1938- Atlético 1x2 SCFR ( Jogo na Figueira de Melo)
  4. 07 de Abril de 1940- Atlético 1x1 SCFR
  5. 17 de Março- Altético 1x1 SCFR 
  6. 21 de Março -Atlético 2x1 SCFR
  7. 11 de Julho de 1951- Atlético 2x1 SCFR 
  8. 26 de junho de 1960- Atlético 0x0 SCFR

Como comentei anteriormente, o único jogo entre Atlético Mineiro e São Cristóvão do qual foi possível encontrar informações mais consistentes foi justamente o último, realizado nos anos 1960. A partida aconteceu em São Januário, como jogo preliminar do confronto entre Vasco da Gama e Palmeiras, e terminou empatada.

O jogo teve início às 15h30 e teve como árbitro Nuno Álvares Ribeiro. Segundo os relatos da época, foi uma partida sofrível, tecnicamente muito fraca, marcada pelo excesso de marcação e por sistemas defensivos bem postados, o que resultou em um jogo truncado e de poucas emoções.

As raras chances criadas surgiram, em sua maioria, do lado do São Cristóvão. O time dos Cadetes foi ligeiramente superior ao Atlético Mineiro, levando algum perigo ao gol adversário, embora sem conseguir balançar as redes. O Atlético, que vinha de derrota para o Bangu, conseguiu ao menos segurar bem o empate.

A renda da partida foi de CR$ 36.070,00 (trinta e seis mil e setenta cruzeiros).

O São Cristóvão atuou com os seguintes titulares:

PICHAU;
JAIME, RENATO e MOACYR;
AZEITONA (ÂNGELO) e MEDEIROS;
WILSON, CELSO (GERALDO), GENIVALDO, RUSSO e OLIVAR.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

AMISTOSO INTERESTADUAL

 UM JOGO ESQUECIDO : SÃO CHRISTOVAM X ATHLETIC DE SÃO JOÃO DEL REY 

1940 SPORT ILUSTRADO 

Nos dias atuais, o Athletic ressurgiu com força e protagonismo. Além de boas campanhas no Campeonato Mineiro, o clube alcançou a Série B do Campeonato Brasileiro, reafirmando sua importância no cenário nacional.

Mas essa vocação para grandes momentos vem de longe. Imagine uma cidade ainda jovem, com pouco população, buscando afirmar sua identidade por meio do futebol. Para isso, seu time convida diversas equipes para a realização de amistosos. Muitas aceitam, mas poucas levam a sério o desafio. Apenas uma delas, porém, decide agir de forma diferente: respeita o adversário e entra em campo com seus principais jogadores.

Esse episódio marcante aconteceu em 1940, quando o time dos Cadetes aceitou o convite e, demonstrando grandeza e espírito esportivo, levou o que tinha de melhor em seu plantel. A atitude não passou despercebida. Em retribuição, a equipe visitante foi recebida com festa, respeito e admiração, em um ambiente que celebrava não apenas o futebol, mas também o encontro entre tradição, honra e competitividade.

O amistoso ficou marcado na memória local como um símbolo de respeito mútuo e da força do esporte na construção da história de uma cidade e de seu clube. Episódios como esse ajudam a explicar por que o Athletic, ontem como hoje, ocupa um lugar especial no coração de seus torcedores e na história do futebol brasileiro.


1940 SPORT ILUSTRADO 

O time de São João del-Rei acompanhou atentamente toda a trajetória dos Cadetes e preparou uma grande festa na estação de trem da cidade para recepcioná-los. Outros times cariocas já haviam visitado a cidade anteriormente e deixado um rastro de frustração. América, Botafogo e o time da Polícia Civil disputaram amistosos contra o Athletic, mas todos utilizaram plantéis mistos ou equipes reservas. Diferentemente deles, o São Cristóvão levou sua força máxima, demonstrando respeito ao adversário e ao público local.

A delegação dos Cadetes embarcou na Central do Brasil no dia 20 de agosto, seguindo em direção a São João del-Rei. A chegada ocorreu por volta das 19 horas, quando os jogadores foram recebidos por uma grande festa, com a presença de parte significativa da população, além do prefeito e outras autoridades locais, ansiosos para ver de perto atletas como Affonsinho, Roberto e Magdalena.

No dia do jogo, foi oferecido um café da manhã especial aos visitantes, seguido de diversos passeios pela cidade, todos organizados e conduzidos pelo presidente do Athletic, Ottoni Sobrinho. Entre os locais visitados, destacou-se a Companhia Industrial Sanjoanense, da qual Ottoni Sobrinho era diretor e um dos proprietários.

O time dos Cadetes ficou hospedado no Grande Hotel Brasil, onde recebeu presentes e diversos “mimos”, em mais uma demonstração do carinho, da hospitalidade e do respeito do povo sanjoanense aos seus ilustres visitantes.


1940 SPORT ILUSTRADO 

A partida aconteceu em um estádio em Governador Valadares, com a presença de políticos, dirigentes esportivos e a população em massa, que compareceu para prestigiar o grande evento. Em campo, o Athletic saiu vitorioso pelo placar de 2 a 1, coroando uma jornada que já era especial muito além do resultado.

Apesar da derrota, aqueles jogadores certamente jamais esqueceram a receptividade e o carinho que receberam em São João del-Rei, marcando para sempre a memória da delegação dos Cadetes.

Pelo lado do São Cristóvão, os destaques da partida foram Magdalena, o goleiro, além de Roberto, Oscarino, Mundinho e o ídolo conhecido como “Problema” Affonsinho, que foi amplamente tietado pelo público, não apenas por seu talento, mas também por ser um jogador de Copa do Mundo, o que despertou enorme admiração entre os torcedores e moradores da cidade.

O amistoso entrou para a história como um raro exemplo de respeito, grandeza esportiva e celebração do futebol, valores que ajudaram a moldar a tradição do Athletic e a memória esportiva da região.



HISTORIADOR PAULO JORGE 

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO E HISTÓRIA DO SÃO CRISTÓVÃO F.R.

HOMENAGEM AOS NOSSOS IDOLOS

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