segunda-feira, 8 de junho de 2026

CAPITULO 2: A DERROTA INJUSTA.

CAPITULO 2: UMA DERROTA INESPERADA !

SÃO CRISTÓVÃO 2X6 FLUMINENSE.




 

A primeira rodada já demonstrou claramente que aquele time do São Cristóvão era diferente. A equipe havia reunido grandes jogadores, aliados ao preparo físico exigido pela escola de Ramón Platero. Naquele campeonato, dois times pareciam destinados a abrir grande vantagem sobre os demais: o próprio São Cristóvão e o Vasco da Gama.

O segundo compromisso, válido pela segunda rodada, também foi disputado na Figueira de Melo. Desta vez, o adversário seria o bicho-papão Fluminense, a maior equipe carioca da época, vencedora de diversos torneios e dona do elenco mais caro do futebol local.

O jogo estava equilibradíssimo até os 35 minutos, quando novamente o Fluminense "apelou", e isso acabou proporcionando sua vitória. A principal chamada do jornal O Globo na época destacou justamente os erros do árbitro, o senhor Ramos Freitas, que, devido a uma falha gigantesca, ajudou diretamente na vitória tricolor.

As equipes entraram em campo com as seguintes escalações:



Fluminense: Ramos; Paulo e Ebraico; Nascimento, Floriano e Fortes; Pipper, Nilo, Alfredo, Coelho e Moura Costa.

São Cristóvão: Paulino; Póvoas e Zé Luiz (Martins); Júlio, Henrique e Alberto; Oswaldo, Octávio, Vicente, Arthur e Theóphilo.

Com a Figueira de Melo lotada, o clima era de festa. O Fluminense era favorito pelo histórico e pelo peso de sua camisa, mas, pelo que havia sido apresentado na primeira rodada, o time a ser temido era o dos Cadetes. A torcida estava ansiosa, pois o torneio retornava após um período de paralisação.

E o motivo da paralisação foi mais do que justo.

Imagine seu time ser campeão da Segunda Divisão e quem sobe é o vice-campeão. Parece loucura, não é? Pois foi exatamente isso que a AMEA fez.

Em 1925, o Andarahy conquistou a Segunda Divisão Carioca de forma invicta, com 12 jogos, 11 vitórias e apenas um empate. O vice-campeão foi o Villa Isabel, que sequer chegou perto de ameaçar a liderança do campeão.

O Helênico disputava a Primeira Divisão, mas enfrentava sérios problemas financeiros. Por isso, preferiu abrir mão de sua vaga para reduzir despesas e concentrar seus esforços em outras modalidades esportivas. O correto seria o Andarahy herdar a vaga. No entanto, a AMEA resolveu promovê-la utilizando um regulamento que envolvia algumas exigências administrativas que tanto o Andarahy quanto o Villa Isabel preenchiam.

Apesar disso, o Andarahy carregava o peso esportivo de ter sido campeão. Na assembleia que definiria quem subiria, porém, o resultado foi um massacre: 6 votos a 1 em favor do Villa Isabel. Apenas um clube apoiou o Andarahy: o Botafogo.

Voltando ao jogo, a torcida presente assistiria a uma atuação magnífica da equipe do Bairro Imperial e a um enorme esforço do Fluminense para equilibrar as ações. Apesar disso, ambas as equipes apresentavam um nível técnico impressionante, demonstrando um futebol de alto nível.

O ataque do São Cristóvão era leve, veloz e envolvente, enquanto a experiente defesa tricolor tentava conter suas investidas. No entanto, os Cadetes sofreriam um duro golpe ainda no primeiro tempo.

O zagueiro Zé Luiz sofreu uma entrada violenta de um atacante do Fluminense, lesionando-se. O técnico Vinhaes precisou substituí-lo por Martins. A mudança acabou desorganizando parcialmente a equipe, que perdeu um pouco de seu equilíbrio defensivo.

Mesmo assim, o São Cristóvão foi superior durante boa parte dos dois tempos. Porém, um fator decisivo acabaria entregando a vitória ao Tricolor das Laranjeiras.

Aos 30 minutos do segundo tempo, o placar marcava 2 a 2. Em uma jogada dentro da área, o goleiro Paulino sofreu uma entrada violenta de Moura Costa e caiu no gramado. O Fluminense seguiu atacando. O árbitro viu a falta e chegou a apitar, mas ninguém ouviu o apito. Com o gol livre, o atacante tricolor empurrou a bola para as redes.



Inacreditavelmente, o árbitro validou o gol.

A confusão foi imediata.

A revolta dos jogadores do São Cristóvão foi tão grande que rapidamente se refletiu nas arquibancadas. Tentativas de invasão de campo foram registradas, obrigando a polícia a intervir. A partida ficou paralisada por cerca de dez minutos.

Quando o jogo foi retomado, constatou-se que Paulino não tinha mais condições de continuar. Sem substituições disponíveis na época, um jogador de linha — cujo nome não foi registrado pelas fontes consultadas — assumiu a posição de goleiro.

Nos minutos finais, aproveitando-se da situação, o Fluminense marcou mais três gols, transformando um confronto equilibrado em uma goleada de 6 a 2.

Foi uma derrota dura, injusta e fortemente influenciada pela arbitragem. Mas, ao mesmo tempo, os Cadetes deixaram o campo com uma certeza: aquele time tinha qualidade suficiente para enfrentar e vencer qualquer adversário. Bastava jogar futebol.

HISTORIADOR PAULO JORGE 

Realizado pesquisa de apoio usando o livro "Andarahy Eterno". 

Pesquisa ao Acervo jornal "O Globo". 

 

 


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