BOTAFOGO CONHECE A FORÇA DO SÃO CRISTÓVÃO.
SÃO CRISTÓVÃO 6X3 BOTAFOGO
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| Jornal o Globo |
No capítulo 1 do dossiê, vimos que a montagem do time de
1926 começou nos anos anteriores, com a chegada de alguns jogadores e como
Vinhaes, já em fim de carreira, ajudou a montar a equipe ainda atuando como
jogador.
O São Cristóvão disputava a Primeira Divisão desde 1912 e,
até aquele momento, sua melhor colocação havia sido o terceiro lugar, feito
alcançado em três oportunidades: 1918, 1923 e 1924.
Vinhaes comandava o primeiro e o segundo quadros. Conhecido
como jogador por seu estilo de jogo e por ser um bom discípulo de Ramon
Platero, técnico uruguaio campeão carioca com o Vasco em 1923 e 1924, começou a
aplicar no São Cristóvão os métodos de treinamento utilizados no clube
cruz-maltino, sem deixar de lado suas próprias convicções. Aliado a isso,
contava com uma geração vitoriosa, formada por diversos jogadores que eram
considerados craques da época.
Amadeu Macedo, presidente do clube, fez um esforço
gigantesco para montar essa equipe e, junto com sua diretoria, conseguiu
equilibrar as finanças do clube e investir na formação de um bom time.
Não era apenas um simples jogo de futebol. Era a Zona Norte
contra a Zona Sul, a elite contra o subúrbio. Os jornais apontavam uma vitória
do Botafogo, mesmo com a partida sendo disputada na Figueira de Melo. Havia,
porém, um detalhe interessante: o Botafogo era a vítima preferida do São
Cristóvão. Antes daquele confronto, desde 1913, o clube cadete havia derrotado
o Alvinegro em 13 oportunidades.
Existe até uma lenda sobre uma frase atribuída a Cantuária,
mas trata-se apenas de uma lenda urbana, pois não há qualquer comprovação de
sua existência. O que se sabe é que o ídolo tinha admiração pelo clube de
General Severiano, embora também guardasse certa mágoa.
O primeiro tempo foi marcado por muita luta e equilíbrio
entre as equipes. O Botafogo, entretanto, demonstrava maior desorganização e
falta de critérios técnicos. Já os cadetes, além de apresentarem melhor preparo
físico, jogavam um futebol de maior qualidade. Os jornais da época,
especialmente O Globo, foram claros ao afirmar que o Botafogo estava mal
treinado, enquanto o São Cristóvão seguia no caminho certo. Os cadetes
terminaram a partida inteiros fisicamente, enquanto os botafoguenses estavam
praticamente exaustos em campo.
Um lance marcaria aquela partida. Arthur, conhecido como
Baianinho, deu uma entrada digna de um touro sobre um defensor adversário. Os
melhores jogadores em campo foram Baianinho, Vicente e Jaburu.
O primeiro desafio foi vencido. Porém, o segundo jogo traria
uma derrota que muitos considerariam enganosa, e vocês entenderão o porquê.
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| Jornal o Globo |
São Cristóvão: Paulino; Zé Luiz e Póvoas; Júlio, Vinhaes e
Martins; Vicente, Arthur, Jaburu, Oswaldo e Theophilo.
Botafogo: Pessoa; Couto e Pardal; Jeronymo, Pamplona e
Lagreca; Maciel, Alkindar, Rodolpho, Octacílio e Claudionor.
Árbitro: Cyro Werneck.
Local: Figueira de Melo.
Gols do Botafogo: Alkindar (2) e Claudionor.
Gols do São Cristóvão: Jaburu (3), Arthur e Vicente (2).
HISTORIADOR E ACADÊMICO DE JORNALISMO PAULO JORGE
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| Dupla de Zaga do São Cristóvão- Jornal o Globo. |
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