quinta-feira, 4 de junho de 2026

CAPÍTULO 1: JOGO SÃO CRISTÓVÃO X BOTAFOGO

 BOTAFOGO CONHECE A FORÇA DO SÃO CRISTÓVÃO. 



SÃO CRISTÓVÃO 6X3 BOTAFOGO 
Jornal o Globo 


No capítulo 1 do dossiê, vimos que a montagem do time de 1926 começou nos anos anteriores, com a chegada de alguns jogadores e como Vinhaes, já em fim de carreira, ajudou a montar a equipe ainda atuando como jogador.

 O São Cristóvão disputava a Primeira Divisão desde 1912 e, até aquele momento, sua melhor colocação havia sido o terceiro lugar, feito alcançado em três oportunidades: 1918, 1923 e 1924.

 Vinhaes comandava o primeiro e o segundo quadros. Conhecido como jogador por seu estilo de jogo e por ser um bom discípulo de Ramon Platero, técnico uruguaio campeão carioca com o Vasco em 1923 e 1924, começou a aplicar no São Cristóvão os métodos de treinamento utilizados no clube cruz-maltino, sem deixar de lado suas próprias convicções. Aliado a isso, contava com uma geração vitoriosa, formada por diversos jogadores que eram considerados craques da época.

 Amadeu Macedo, presidente do clube, fez um esforço gigantesco para montar essa equipe e, junto com sua diretoria, conseguiu equilibrar as finanças do clube e investir na formação de um bom time.

 Não era apenas um simples jogo de futebol. Era a Zona Norte contra a Zona Sul, a elite contra o subúrbio. Os jornais apontavam uma vitória do Botafogo, mesmo com a partida sendo disputada na Figueira de Melo. Havia, porém, um detalhe interessante: o Botafogo era a vítima preferida do São Cristóvão. Antes daquele confronto, desde 1913, o clube cadete havia derrotado o Alvinegro em 13 oportunidades.

 Existe até uma lenda sobre uma frase atribuída a Cantuária, mas trata-se apenas de uma lenda urbana, pois não há qualquer comprovação de sua existência. O que se sabe é que o ídolo tinha admiração pelo clube de General Severiano, embora também guardasse certa mágoa.

 O primeiro tempo foi marcado por muita luta e equilíbrio entre as equipes. O Botafogo, entretanto, demonstrava maior desorganização e falta de critérios técnicos. Já os cadetes, além de apresentarem melhor preparo físico, jogavam um futebol de maior qualidade. Os jornais da época, especialmente O Globo, foram claros ao afirmar que o Botafogo estava mal treinado, enquanto o São Cristóvão seguia no caminho certo. Os cadetes terminaram a partida inteiros fisicamente, enquanto os botafoguenses estavam praticamente exaustos em campo.

 Um lance marcaria aquela partida. Arthur, conhecido como Baianinho, deu uma entrada digna de um touro sobre um defensor adversário. Os melhores jogadores em campo foram Baianinho, Vicente e Jaburu.

 O primeiro desafio foi vencido. Porém, o segundo jogo traria uma derrota que muitos considerariam enganosa, e vocês entenderão o porquê.

Jornal o Globo 


 São Cristóvão: Paulino; Zé Luiz e Póvoas; Júlio, Vinhaes e Martins; Vicente, Arthur, Jaburu, Oswaldo e Theophilo.

 Botafogo: Pessoa; Couto e Pardal; Jeronymo, Pamplona e Lagreca; Maciel, Alkindar, Rodolpho, Octacílio e Claudionor.

 Árbitro: Cyro Werneck.

 Local: Figueira de Melo.

 Gols do Botafogo: Alkindar (2) e Claudionor.

 Gols do São Cristóvão: Jaburu (3), Arthur e Vicente (2).


HISTORIADOR E ACADÊMICO DE JORNALISMO PAULO JORGE 

Dupla de Zaga do São Cristóvão- Jornal o Globo.


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