CAMPEONATO CARIOCA SEGUNDA DIVISÃO 1965
SOMOS CAMPEÕES.
A Conquista Histórica de 1965
Esse é um registro marcante da história do São Cristóvão de Futebol e Regatas (SCFR): a inesquecível conquista do Torneio da Morte . Mais do que um troféu, a campanha foi um verdadeiro teste de superação, união e paixão pelo clube.
Superação e Planejamento: O "Torneio da Morte"
Para montar uma equipe competitiva, a diretoria se sacrifique e se planejou intensamente, sem poupar verbas. O clube oferecia almoço para os treinos e garantiu todas as condições necessárias aos atletas. Os bichos (premiações) foram pagos graças à criação de caravanas e parcerias com os associados.
O torneio exigiu tanto esforço financeiro e logístico que ficou conhecido nos bastidores como o "Torneio da Morte".
Segundo dados divulgados pelo Presidente Neiva Mazza, o SCFR teve uma despesa total de cerca de CR$ 28 milhões com a competição. Como o clube arrecadou apenas CR$ 2,3 milhões na bilheteria (com o público bruto totalizando CR$ 5.784.700 e arrecadação de CR$ 7.174.400 em alguns setores), o prejuízo financeiro superou os CR$ 25 milhões. O clube encerrou a participação com um déficit de CR$ 2,3 milhões apenas em despesas com o estádio e organização. Ainda assim, o periódico Diário Carioca destacou que o torneio representou uma salvação financeira para os clubes grandes, enquanto o título honrou o sacrifício dos dirigentes que, mesmo em meio às dificuldades, não desistiram de jogar.
Apoio Mútuo e Reforços de Peso
O caminho até a taça contou com importante apoio externo. O Santos SP ajudou no reforço da equipe por meio de um acordo de apoio mútuo, enviando para o clube os jogadores Eliseu, Gilberto e Turcão. Além deles, a diretoria negociou o passe do Fraga junto ao Flamengo e ainda contou com a chegada de Calazans. A diretoria também deu apoio amplo ao time profissional, negociando a vinda do goleiro Marco Aurélio, ex-Flamengo.
O Elenco Campeão e a Base Titular
O plantel vitorioso contou com 21 atletas inscritos:
* Atletas: Roberto, Ailton, Valdocir, Guina, Castilho, Valdomiro Garcia, Aladim, Delzo, Manga, Balbino, Edson, Moises, Elton, Turcão, Eliseu, Jair, Calazans, Jorge, Gilberto e Fraga.
A equipe titular frequentemente escalada contava com: Balbino; Edson, Moises, Elton e Turcão; Eliseu e Jair; Calazans, Jorge, Gilberto e Fraga.
Participação dos Jogadores (Jogos disputados):
* Balbino: 6 jogos (destacando-se também como goleiro em partidas e marcando 6 gols em 6 partidas)
* Jair: 6 jogos
* Edson: 6 jogos
* Moises: 6 jogos
* Elton: 6 jogos
* Turcão: 6 jogos
* Eliseu: 6 jogos
* Calazans: 6 jogos
* Gilberto: 6 jogos (marcou 4 gols)
* Aladim: 4 jogos
* Jorge: 5 jogos
* Ailton: 5 jogos
* Fraga: 3 jogos
* Manga: Atuou por 11 minutos contra o Madureira.
No ranking de artilheiros da equipe na competição, Balbino brilhou com 6 gols, enquanto Gilberto e Jair balançaram as redes 4 vezes cada.
O Comando Técnico: Silas da Silva.
O comandante à frente dessa jornada foi o técnico Silas da Silva, de 35 anos. Com uma trajetória sólida no clube — onde começou no infanto-juvenil, atuou como dirigente e comandou os aspirantes —, ele também passou pelo Bangu antes de retornar ao São Cristóvão, sendo efetivado como treinador principal pelo Presidente Neiva Mazza.
Para atrair o público, a tabela de preços dos ingressos variava entre:
* Cadeiras: CR$ 800
* Arquibancada: CR$ 500
* Militares: CR$ 200
Diante dos custos, o presidente fez um apelo para que torcedores e associados comparecessem em peso ao jogo contra o Campo Grande. O apelo deu resultado: o Estádio da Figueira de Melo registrou os maiores públicos do torneio.
Após o apito final da partida decisiva contra o Campo Grande, a Figueira de Melo virou um verdadeiro carnaval! Os jogadores deram a volta olímpica sob os aplausos da torcida, com direito a talco e confete espalhados pelo gramado. A festa contou com a presença marcante do Bloco Mocidade Louca, que esteve presente em todos os jogos. Para coroar a celebração, o time realizou uma grande passeata pelo bairro que durou até as primeiras horas do dia 5 de julho.
O Torneio da Morte de 1965 permaneceu eternizado como a prova de que, com planejamento, união entre diretoria, jogadores e torcida, o São Cristóvão é capaz de superar qualquer obstáculo para alcançar a glória.
- Madureira 1 x 0 Campo Grande
- São Cristóvão 3 x 1 Olaria
Segunda Rodada — 6 de junho
- Campo Grande 0 x 6 Olaria
- São Cristóvão 1 x 0 Madureira
Terceira Rodada — 13 de junho
- Campo Grande 1 x 2 São Cristóvão
- Olaria 4 x 0 Madureira
Quarta Rodada — 20 de junho
- Campo Grande 2 x 1 Madureira
- Olaria 3 x 3 São Cristóvão
Quinta Rodada — 27 de junho
- Olaria 2 x 0 Campo Grande
- Madureira 1 x 3 São Cristóvão
Sexta Rodada — 4 de julho
- Madureira 1 x 3 Olaria
- São Cristóvão 2 x 0 Campo Grande
Ficha do último jogo:
* SÃO CRISTÓVÃO F.R. 2 x 0 CAMPO GRANDE A.C.
* LOCAL: Estádio Figueira de Melo, em São Cristóvão – Zona Norte do Rio (RJ)
* CARÁTER: 6ª Rodada do Returno, da Divisão de Acesso
* DATA: Domingo, 04 de Julho de 1965
* PÚBLICO: 2.180 pagantes
* RENDA: Cr$ 1.130.500,00
* ÁRBITRO: Armando Marques
* AUXILIARES: Antônio Viug e Cláudio Flávio de Magalhães
* SÃO CRISTÓVÃO: Balbino; Edson, Ailton, Elton e Turcão; Elizeu e Jair; Jorge, Gilberto, Aladim e Calazãs.
* CAMPO GRANDE: Ridir; Paulo, Guilherme, Geneci e Carlinhos; Ezequiel e Hércio; Norival, Domingos, Jonas e Nodir.
* GOLS: Calazãs aos 21 minutos do 1º Tempo e 42 minutos do 2º Tempo
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