A NOSSA SEGUNDA E ÚLTIMA DERROTA: O REENCONTRO MESTRE X DISCÍPULO
O encontro era muito esperado pela imprensa esportiva e pelos espectadores. Afinal de contas, eram duas potências esportivas na disputa do título, ao lado do Fluminense. O Vasco queria muito vencer esse jogo, não apenas para se manter na disputa, mas também para vingar a derrota do primeiro turno.
O jogo aconteceu na quarta-feira por um único motivo: no domingo anterior, havia sido inaugurado, com grande festa e a atenção de toda a mídia, o Hipódromo da Gávea. A rodada foi cancelada devido a isso e transferida para a quarta-feira. O Vasco entrou na segunda colocação e iria enfrentar o líder do campeonato. A derrota era esperada, mas isso não quer dizer que não tenha sido dolorida, pois foi um dos melhores jogos do campeonato. Mas a derrota foi mais por incompetência do São Cristóvão, pois os cadetes não jogaram bem como nos outros jogos e foram abatidos por um Vasco animado e pronto para recuperar a primeira colocação. Segundo o livro Memórias da Conquista, a atuação dos cadetes foi medíocre, muito devido à má atuação de Henrique, um dos pilares do time. Mas, em pesquisas em outros periódicos, encontramos também referências à má atuação de Julinho, outro homem decisivo da equipe. Bolão fez uma marcação cerrada em cima de Vicente, anulando nosso atacante. A zaga vascaína estava em seus melhores dias, mas um jogador acabou com a partida, colocando todo mundo no bolso: Russinho, que marcou os três gols do Vasco. Faltando pouco para terminar a partida, aconteceu de tudo um pouco. Um estádio com 19 mil pessoas, com duas equipes consideradas populares e lutando pelo título, só poderia dar problema, como acontece em todo local com grande multidão. O Exército foi chamado para auxiliar a polícia devido às inúmeras tentativas de invasão do campo por parte dos "homens exaltados". Mas um "apito falso" ocasionou uma grande confusão. Faltando um minuto para acabar o jogo, o árbitro Francisco apitou um impedimento e, como já havia vencido o tempo da partida, a torcida acabou achando que o jogo tinha terminado, ocasionando uma grande invasão por todos os lados. O árbitro, tonto, percebeu o que havia acontecido e comunicou ao cronometrista que ainda precisava acontecer mais um minuto. Era preciso evacuar as pessoas, e isso foi feito por parte da polícia e do Exército, claro, usando a força bruta. Confusão resolvida, partida reiniciada e... pênalti para o São Cristóvão! Bolão acabou colocando a mão dentro da área intencionalmente. O árbitro marcou o pênalti, nova confusão por parte dos jogadores e nova invasão de campo por torcedores indignados. Novamente, a confusão foi resolvida, e cabia ao artilheiro Vicente marcar o gol e empatar a partida. Mas ele chutou muito mal, passando longe da meta de Nelson. Acabou o jogo. O Vasco derrotou os cadetes dentro da Figueira de Melo, mas não era o fim. Na próxima rodada, teríamos um jogo duro, mas decisivo para as nossas pretensões. HISTORIADOR PAULO JORGE |

Nenhum comentário:
Postar um comentário