quinta-feira, 16 de julho de 2026

O primeiro Convocado

A HISTÓRIA SENDO DESCOBERTA – O PRIMEIRO JOGADOR DA SELEÇÃO

O São Cristóvão está para a história do futebol assim como Dom Pedro II está para a história do Brasil. O time da Figueira de Melo ajudou a construir a trajetória do futebol carioca e da própria Seleção Brasileira.

Você sabia que a Seleção já contou com jogadores do São Cristóvão, convocados na época em que o clube jogava com a tradicional camisa branca dos Cadetes? Pois é! Hoje, quero apresentar aos amantes do futebol raiz o primeiro jogador do clube a vestir a camisa da Seleção — que na época ainda era branca: Álvaro Martins.

Nascido no Distrito Federal (Rio de Janeiro), Álvaro chegou ao São Cristóvão em 1917, onde permaneceu até 1922. Titular desde sua chegada, é possível que tenha estreado justamente na goleada por 7x1 contra o Carioca, pelo Campeonato Carioca.

Após anos dedicados aos Cadetes, Álvaro transferiu-se para o América, estreando no charmoso Torneio Initium, mesmo com a derrota por 2x1 para o Carioca. Ficou um ano no América antes de seguir para o Andarahy, onde também estreou com vitória: 3x2 sobre o poderoso Vasco, atual campeão carioca na época.

Permaneceu no time da Grande Tijuca entre 1924 e 1925, e depois decidiu retornar ao clube que o projetou para o mundo do futebol: o São Cristóvão. Em 1926, participou de duas partidas na campanha do Campeonato Carioca daquele ano, quando o time do bairro Imperial conquistou o título de forma brilhante.
Mas onde entra a Seleção Brasileira nessa história?

Álvaro Martins foi o primeiro jogador do São Cristóvão — ainda com a camisa branca — a ser convocado para representar a Seleção Brasileira. Ao todo, foram quatro partidas pelo Brasil: uma vitória, um empate e duas derrotas.
Sua estreia aconteceu na Taça Roberto Chery, contra a Argentina, em um empate emocionante por 3x3. Esse torneio foi uma homenagem ao goleiro uruguaio que faleceu durante o Sul-Americano de 1919.

Os outros três jogos foram disputados no Campeonato Sul-Americano de 1920:
Brasil 1x0 Chile
Brasil 0x6 Uruguai
Brasil 0x2 Argentina

A história de Álvaro Martins está, finalmente, vindo à luz. Peço o apoio de todos que amam o futebol raiz. Estamos resgatando a memória do São Cristóvão, um clube que já teve seu nome gravado na história da Seleção. E esse resgate precisa do apoio de todos!

FOTO : PRIMEIRO JOGO DE ÁLVARO PELA SELEÇÃO 
DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO E HISTÓRIA DO SÃO CRISTÓVÃO

quarta-feira, 15 de julho de 2026

CAPÍTULO 08: O EMPATE AMARGO NO CLÁSSICO SUBURBANO

 CAPÍTULO 08: O EMPATE AMARGO NO CLÁSSICO SUBURBANO 

GOLEIRO PAULINO 


SÃO CRISTÓVÃO 2X2 BANGU 

FIGUEIRA DE MELO 

13 DE JUNHO 

ARBITRO: JOSÉ RAMOS FREITAS SC BRASIL 

SCFR : PAULINO; PÓVOA E ZÉ LUIZ; JULINHO, HENRIQUE E ALBERTO; OSWALDO, JABURU, VICENTE, ARTHUR E THEOPHILO. 

BANGU: MATTOS; ÁUREO E LUIZ ANTÔNIO; ZÉ MARIA, ARNÔ E CESAR; CRHYSTOLINO,LADISLAU,FAUSTO,BAHIANO E PASTOR.

GOLS: VICENTE E THEOPHILO 

O empate foi considerado justo pela crônica esportiva. Foi um jogo franco e aberto, entre duas equipes de técnica apurada. Pelo que se viu em campo, o Bangu havia se preparado muito bem para a partida.

O Bangu contava com um plantel magnífico, com nomes como Fausto, Arnô e Ladislau. Durante boa parte do jogo, foi superior ao São Cristóvão. Com uma técnica mais refinada e maior habilidade, conseguiu se impor diante de um adversário que compensava com muita força física, mas que, pela segunda partida consecutiva, não conseguiu apresentar um bom futebol do ponto de vista técnico.

Essa queda de rendimento técnico esteve diretamente ligada à segunda atuação abaixo do esperado de Julinho, considerado o craque e o cérebro da equipe. Principal articulador do São Cristóvão, ele foi novamente muito mal, assim como já havia acontecido na partida contra o Sítio, desestruturando o funcionamento da equipe dos Cadetes. Outro jogador que também teve atuação discreta foi Henrique.

Com o meio-campo apresentando falhas, o ataque ficou isolado e produziu muito pouco. Os gols do São Cristóvão surgiram graças às jogadas individuais de Vicente e Theophilo, que assumiram a responsabilidade nos momentos decisivos.

Apesar da qualidade de seu elenco, o Bangu vinha fazendo uma campanha irregular e precisava de uma boa atuação para recuperar a confiança. Até então, a equipe não havia convencido no campeonato, mas justamente nessa partida apresentou todo o futebol que se esperava de um time com tanto talento.

O próximo jogo seria o último do primeiro turno e o encontro seria contra os diabos vermelhos da Tijuca. O América em casa receberia o time do São Cristóvão e se arrependeria profundamente  do jogo. 

HISTORIADOR PAULO JORGE

ESTAGIÁRIO DE COMUNICAÇÃO 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Evaristo de Macedo com o manto sagrado!

Evaristo de Macedo no São Cristóvão 


AMISTOSO INTERNACIONAL : SÃO CRISTÓVÃO 3X3 DÍNAMO DE ZAGREB
O JOGO QUE EVARISTO DE MACEDO VESTIU A CAMISA DO TROVÃO 
 
Um amistoso que jamais pode ser esquecido pela história.

O time do Dinamo de Zagreb foi participar da Copa Montevidéu e, depois, passou pelo Brasil para disputar uma série de amistosos contra equipes brasileiras. Entre esses jogos, enfrentou o Fluminense e, em uma manobra da diretoria do São Cristóvão, também atuou na Figueira de Melo.

A equipe iugoslava era uma das grandes forças do país e da Europa. Seu elenco contava com jogadores que haviam participado da Copa do Mundo de 1950 e que voltariam a disputar a edição de 1954, além de verdadeiras lendas do futebol local.

O melhor jogador iugoslavo, e também da seleção nacional, foi Cajkovski I. O meia-direita demonstrou toda a sua habilidade, apesar do intenso calor, e era peça-chave no esquema da equipe europeia. Outros dois destaques estavam no gol: Kralj e Horvat I, ambos goleiros que se tornariam grandes jogadores, principalmente o primeiro, que realizou três grandes defesas durante a partida. Outro nome de destaque foi Dvornik, que deu muito trabalho à zaga do São Cristóvão.

O jogo aconteceu na tarde do dia 22 de fevereiro, sob o intenso calor do verão carioca, fator que prejudicou bastante o time iugoslavo e, de certa forma, beneficiou a equipe carioca. Por isso, os europeus optaram por um estilo baseado na troca de passes e pouca correria, enquanto o São Cristóvão buscava acelerar o ritmo da partida.

A diretoria do São Cristóvão, entretanto, entendeu que, para enfrentar uma equipe tão qualificada, precisava de reforços. Assim, acertou o empréstimo de dois jogadores apenas para aquele compromisso: o ponta Carlinhos, do Vasco da Gama, e um jovem que estava deixando o Madureira para acertar com o Flamengo, Evaristo de Macedo.

Os reforços pouco puderam fazer. A crônica esportiva da época afirmou que a entrada de ambos descaracterizou o esquema da equipe, fazendo o São Cristóvão render abaixo do esperado. Segundo os jornais, o empate só aconteceu devido a um erro grotesco da arbitragem, que assinalou um pênalti inexistente no fim da partida.

O São Cristóvão entrou em campo com: Hélio; Ratão (Índio) e Aloísio; Índio (Manfredo), Geraldo e Elau (Severino); Nei, Evaristo, Humberto, Nelsinho, Ivan e Carlinhos.

O Dinamo alinhou com: Kralj; Horvat I e Crnovic; Mantula, Horvat II e Boškov; Liposinovic, Cajkovski I, Osojnik, Dvornik e Cajkovski II.

Os gols do São Cristóvão foram marcados por Evaristo, Humberto e Carlinhos. Curiosamente, apesar de a crônica esportiva afirmar que os reforços pouco contribuíram e até atrapalharam o funcionamento coletivo da equipe, foram justamente eles que ajudaram o clube suburbano a conquistar o empate. Pelo Dinamo, marcaram Mantula e Liposinovic, duas vezes.

Mas como esse jogo aconteceu?

O presidente do clube, Arduino Toneloto, usou sua influência nos bastidores do futebol para trazer a equipe, que estava em excursão pelo Rio de Janeiro, aproveitando a oportunidade para arrecadar uma boa renda. Ele foi pessoalmente negociar com dirigentes da Federação e do clube europeu, conseguindo acertar o amistoso, garantir um cachê pela partida e ainda ficar com toda a renda do jogo, que totalizou C$ 56.476,90.

Entre as lendas que estiveram em campo, destaca-se o goleiro Ivica Horvat, reserva naquela ocasião, que se tornaria o sétimo jogador que mais vezes defendeu a seleção iugoslava como goleiro, ultrapassando a marca de 60 partidas.

A partida foi morna. O Dinamo de Zagreb valorizava a posse de bola e trocava passes com tranquilidade, enquanto o São Cristóvão tentava sair para o jogo em velocidade. A equipe suburbana abriu o placar, sofreu a virada, conseguiu marcar o segundo gol e, já no fim da partida, o árbitro José Monteiro assinalou um pênalti bastante contestado, permitindo que o São Cristóvão chegasse ao empate por 3 a 3.



terça-feira, 7 de julho de 2026

CAPITULO 07: VITÓRIA , MAS UM JOGO RUIM

 CAPITULO 07: VITÓRIA , MAS UM JOGO RUIM 


Até então uma campanha quase perfeita do São Cristóvao , o penukltimo jogo da primeira fase era o encotnro dos times que colocaram no cenário do futebol Le^`onidas da Silva, que jogou no clube dos cadetes com 15 anos e com 18 anos jogava e marcada diversos gols no Syrio Libanês. 

No carioca, o São Cristóvão chegava com 6 vitórias e uma derrota( para o Flunminense na segunda rodada). O jogo foi disputado nas Larjanjeiras e foi um jogo morno e fraco. 

ESTÁDIO LARANJEIRAS

DATA: 30/05/1926

ARBITRO: GUILHERME PASTOR- BANGU

SCFR : PAULINO; PÓVOAS E ZÉ LUIZ; JULINHO, HENRIQUE E ALBERTO; OSWALDO, JABURU, VICENTE, BAIANINHO E THEÓPHILO

SYRIO: COTTA; URUGUAY E HEITOR; LEMOS, ROGÉRIO E RODRIGUES; RHODAS, EDUARDO, VIOLA,ÁLVARO E AMPHISIO

Gols: Bahianimho, Oswaldo (2x)

Pela primeira vez no campeonato, a crônica esportiva registrou um São Cristóvão pouco inspirado. A equipe esteve abaixo do seu padrão habitual e não apresentou o futebol envolvente das rodadas anteriores. Apesar da vitória no placar, o Syrio fez uma partida superior em diversos momentos, mas não possuía a mesma qualidade técnica para transformar o bom desempenho em gols.

O São Cristóvão venceu muito mais pela força física do que pela técnica. Quando o talento não apareceu como de costume, prevaleceram a imposição física, a determinação e a experiência da equipe dos Cadetes.

Pelo lado do Syrio, o atacante Viola foi um dos destaques da partida e deu muito trabalho à dupla de zaga formada por Povôas e Zé Luiz. Os dois defensores, entretanto, fizeram uma atuação segura e foram apontados como os melhores jogadores em campo. O jogo foi vencido de virada pelo time dos cadetes.

Mesmo com uma atuação abaixo do esperado, os jornais da época mantiveram os elogios ao São Cristóvão, ressaltando a força de uma equipe que, mesmo sem jogar bem, encontrou recursos para conquistar mais uma importante vitória na campanha do título de 1926.

Nesse momento , o campeonato estava em disputa. São Cristóvão, Fluminense e Vasco brigavam pela liderança. 




HISTORIADOR PAULO JORGE 


terça-feira, 30 de junho de 2026

CAPITULO 06- A GOLEADA

 

CAPITULO 06 – UMA GOLEADA HISTÓRICA

SÃO CRISTÓVÃO 8X2 SC BRASIL

Estádio Figueira de Melo

Data: 23/05/2026

Àrbitro: Heitor De Oliveira



**SCFR:** Paulino; Póvoas e Zé Luiz; Júlio, Henrique e Alberto; Oswaldo, Octávio, Vicente, Arthur e Theóphilo.

 **SC Brasil:** Antoninho; Bianco e Raymundo; Juca, Lincoln e Neves; Waldemar, Byza, Ondino, Octávio e Ary.

 **Gols:** Oswaldo (3x), Vicente (2x), Theóphilo (2x) e Jaburu.

 Diferentemente do jogo contra o Vila Isabel, a partida diante do SC Brasil recebeu uma cobertura maior da imprensa devido à excelente campanha do São Cristóvão. A equipe do Brasil era considerada tecnicamente limitada, mas vista como uma equipe perigosa por sua disciplina tática. Seus jogadores seguiam rigorosamente os treinamentos e esquemas de jogo, o que lhes rendia certo destaque no futebol carioca.

 


No entanto, a derrota avassaladora foi atribuída quase que inteiramente ao que os jornais da época chamaram de "imperícia" do goleiro Antoninho, que falhou em praticamente todos os gols sofridos. O time até começou a partida com bravura, mas logo foi desmantelado pela equipe dos Cadetes, que demonstrou ser muito superior e provavelmente venceria mesmo sem a ajuda involuntária do arqueiro adversário.

 

Mais uma vez, o grande diferencial do São Cristóvão foi o treinamento. O preparo físico da equipe se refletia diretamente dentro de campo, onde o vigor atlético, aliado à técnica refinada, fazia enorme diferença diante dos adversários.

 



Desde os primeiros minutos, o São Cristóvão mostrou agressividade e abriu o placar rapidamente. Depois disso, o Brasil até conseguiu equilibrar as ações por alguns instantes e ameaçou os Cadetes, mas foi então que começou o "show" particular de Antoninho, que passou a cometer falhas sucessivas.

 

O primeiro tempo terminou com uma vantagem confortável de 4 a 0 para o São Cristóvão. Na etapa final, assim como na primeira, o domínio foi absoluto. O massacre continuou e novas falhas do goleiro contribuíram para ampliar ainda mais o placar.

 

Quando o marcador já apontava 8 a 0, o São Cristóvão diminuiu o ritmo da partida. Aproveitando a queda de intensidade do adversário, o Brasil conseguiu marcar seus gols de honra e amenizar o resultado final.

 


sábado, 27 de junho de 2026

CAPITULO 05: VENCEMOS O CAMPEÃO

 SÃO CRISTÓVÃO 5X0 FLAMENGO - O MASSACRE NA FIGUEIRA DE MELO 


CAMPEONATO CARIOCA 1926

CAÍTULO 05: A VITÓRIA SOBRE OS CAMPEÕES

 Na rodada passada, o São Cristóvão mostrou que não era uma zebra, mas sim uma realidade ao vencer o Vasco por 2 a 1. Dessa vez, o time teria pela frente os campeões de 1925, o Clube de Regatas do Flamengo.

Estádio Figueira de Melo**

SCFR: Paulinho; Póvoas e Zé Luiz; Júlio, Henrique e Alberto; Oswaldo, Octávio, Vicente, Arthur e Theóphilo.

FLAMENGO: Batalha; Pennaforte e Hélcio; Japonez, Flávio e Hermínio; Allemand, Aché, Chagas, Fragoso e Moderato.

Início do jogo: 15h35

16.05.2026

Gols: Vicente (2x), Arthur “Baianinho”, Jaburu e Octávio.

O São Cristóvão chegava como realidade e não mais como zebra, e o Flamengo sabia o que enfrentaria, mas não esperava que o jogo seria um verdadeiro massacre. O rubro-negro não viu a cor da bola.

A Rua Figueira de Melo estava lotada. A capacidade do estádio foi ultrapassada em muito, e o povo que não conseguiu comprar ingressos invadiu as arquibancadas, derrubando grades e cercas, mas sem qualquer desordem. Tudo ocorreu na mais perfeita calma; todos só queriam conferir o time que estava se tornando muito popular contra a equipe que vinha surpreendendo o futebol carioca.

Segundo as crônicas da época, o Flamengo entrou em campo em desvantagem por estar mal fisicamente, mal treinado e nem mesmo seu principal craque, Moderato, estava bem. Ele errou tudo o que tentou graças à atuação da defesa são-cristovense.

Já o conjunto do São Cristóvão estava, mais uma vez, em perfeitas condições. Apesar de Julinho ter sido novamente o grande destaque, toda a equipe demonstrou perfeita harmonia técnica e física. Com um ataque poderoso e uma defesa sólida, o time encontrou um Flamengo totalmente desorientado, o que facilitou a goleada.

 Mesmo vindo de três vitórias consecutivas, o Flamengo não atuava bem, e o São Cristóvão soube explorar as falhas rubro-negras. No primeiro tempo, a partida já estava praticamente decidida com o placar de 3 a 0. Na etapa final, vieram mais dois gols e o domínio total dos donos da casa.

Uma informação curiosa é que o primeiro gol foi marcado "com as calças na mão". Vicente abriu o placar aos 9 minutos, mas, enquanto chutava para o gol, segurava o calção, já que os botões haviam se arrebentado.

O feito se tornou ainda maior porque o Flamengo era treinado pelo lendário Flávio Costa, futuro treinador da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1950 e comandante do famoso Expresso da Vitória do Vasco nas décadas de 1940 e 1950.

A vitória marcou o fim de um jejum que durava oito anos, já que o último triunfo do São Cristóvão sobre o Flamengo havia acontecido em 1918, também na Figueira de Melo. Curiosamente, naquela ocasião o placar também foi de 5 a 1.

Vitória, liderança e confiança em alta. No próximo jogo viria uma goleada daquelas que a história jamais poderia apagar.






TIME QUE ENTROU EM CAMPO CONTRA O FLAMENGO 

foto colorizada por I.A.



quinta-feira, 25 de junho de 2026

O FIM DA FIGUEIRA DE MELO - UM PLANO OUSADO

 O FIM DA FIGUEIRA DE MELO- VAMOS EMBORA PARA A ILHA. 



O Estádio Ronaldo Nazário, em Figueira de Melo, já esteve ameaçado de desaparecer em diversas ocasiões. O local chegou a ter um projeto de ampliação para 40 mil pessoas e quase foi vendido, nos anos 2010, para a construção de prédios residenciais.

Entretanto, a maior ameaça ocorreu em 1971, quando a sede quase foi negociada para viabilizar um projeto gigantesco. A proposta previa que o São Cristóvão abandonasse suas raízes no bairro de São Cristóvão e se mudasse para a Ilha do Governador.

O São Cristóvão sempre conviveu com dificuldades financeiras, principalmente após a década de 1960. Apesar de alguns períodos de sucesso, o clube enfrentou muitos problemas econômicos ao longo de sua história, o que tornava propostas desse tipo bastante tentadoras.



As antigas diretorias tinham um desejo: unir as duas sedes em uma só. Ou seja, transferir a sede náutica para junto da sede de futebol, levando barcos e toda a estrutura para a Figueira de Melo. Por motivos óbvios, isso não era possível.

Com uma sede única, os investimentos poderiam ser concentrados e intensificados. Para isso, o plano era transferir todas as atividades para uma nova sede náutica, localizada na entrada da Ilha do Governador. O projeto também envolveria o desaparecimento de uma favela existente na área.

A diretoria recebeu uma proposta de 8 milhões de cruzeiros para vender a sede da Figueira de Melo e todas as suas dependências, que dariam lugar à construção de prédios comerciais e residenciais. O dinheiro arrecadado seria utilizado na construção de um novo estádio, além da reforma e modernização da sede náutica.

Uma reunião foi realizada com os conselheiros e associados do clube para discutir a proposta. A ideia era destinar 2 milhões de cruzeiros à modernização da sede náutica e os outros 6 milhões à construção de um novo estádio. O local escolhido seria a área ocupada pela comunidade da Nova Holanda, que seria removida — contando, inclusive, com apoio do governo — para dar lugar à nova casa do São Cristóvão.

Um dos grandes porta-vozes desse projeto era Benilton Rodrigues, diretor de futebol do clube. Ele estava cansado de ver o São Cristóvão ser tratado como um pobre coitado e se apresentar como um "mendigo do futebol". Os jogadores conviviam diariamente com a estrutura precária do estádio, atrasos salariais, falta de material e diversas dificuldades. Além disso, reclamavam que tinham desempenho inferior quando atuavam no Maracanã, pois as dimensões do campo eram diferentes das encontradas na Figueira de Melo.






O presidente João Gualberto de Quadros Mendonça recebeu uma herança cruel das administrações anteriores: uma dívida considerada impagável. Com débitos protestados em cartório e credores aparecendo diariamente à porta do clube, ele via na venda do terreno a única solução para salvar as finanças da instituição. Tratava-se justamente da histórica sede da Figueira de Melo, adquirida em definitivo pelo São Cristóvão em 1922.

A situação era tão conturbada que João, inicialmente vice-presidente, assumiu a presidência após o licenciamento de José Ferreira de Agostinho, que lhe deixou uma dívida de cerca de 400 mil cruzeiros. Sócio do clube há muitos anos, João sempre defendeu a ideia de unificar as sedes e enxergava naquele projeto uma oportunidade de reorganizar o São Cristóvão.

Os estudos para a mudança já estavam avançados. A metragem do terreno destinado ao novo estádio havia sido levantada, e a sede náutica, com 28 metros de fundos e 400 metros de frente, seria transformada em um grande centro esportivo, concentrando as atividades sociais e esportivas do clube em um único local.


HISTORIADOR PAULO JORGE 

Rodada 02

NOVA CIDADE X SÃO CRISTÓVÃO.  Chegamos à segunda rodada da Série B1 Carioca e, jogando fora de casa, o São Cristóvão ficou apena...