quinta-feira, 26 de março de 2026

TORNEIO MUNICIPAL

Campeonato Municipal de 1943  

Um time que marcou a história e incomodou muito os advesários!


O Torneio Municipal de 1943 foi uma competição organizada por clubes cariocas e disputada antes do início do Campeonato Estadual. O torneio seguia o formato de liga, no qual todas as equipes se enfrentavam, com partidas realizadas em campo neutro.

Ao final da competição, o clube que somasse o maior número de pontos era consagrado campeão.


1943-JORNAL O GLOBO. 



Um dos títulos mais importantes da história do clube foi o Campeonato Municipal de 1943, que consolidou uma equipe montada com muito esforço e formada por verdadeiros craques da época, como Bianchi, Papetti e Santo Cristo, entre outros. O time deu trabalho, por dois anos consecutivos, aos chamados grandes clubes do futebol carioca. A campanha praticamente perfeita colocou o São Cristóvão entre as principais equipes do Campeonato Carioca daquele período. ⚽🏆 





O ano de 1943 também foi marcante por representar uma grande mudança para o clube: foi quando ocorreu a fusão entre o clube de futebol e o clube de remo. Esse era um antigo sonho não apenas das diretorias, mas de todo o bairro imperial, já que se tratava de duas agremiações de enorme potencial esportivo, que carregavam praticamente o mesmo nome e possuíam tradições e glórias próprias. A unificação facilitou, inclusive, a questão associativa e fortaleceu ainda mais a instituição. 🤝 

A força daquela equipe ficou evidente também em excursões interestaduais. Em uma viagem a Minas Gerais, o São Cristóvão venceu o poderoso Cruzeiro por 5 a 3, resultado expressivo para a época. 🟡⚫ 

No Torneio Municipal, a campanha foi quase impecável: em nove jogos, o time conquistou sete vitórias, obteve um empate e sofreu apenas uma derrota, números que demonstram a consistência e a qualidade daquele elenco histórico. 

A campanha:  

SCFR 2x0 Bonsucesso( gols: Alfredo e Caxambú) 

SCFR 2x0 Vasco(gols: Nestor e Magalhães) 

SCFR 4x3 Bangu( Alfredo(2),Caxambú e Nestor  

SCFR4x0 Madureira(Caxambú(2),Santo Cristo e Alfredo 

SCFR 2x5 Botafogo ( Nestor(2) 

SCFR 4x1 Flamengo(João Pinto(2) e Nestor(2)) 

SCFC4x2 Fluminense( Nestor(2), Santo Cristo e Alfredo) 

SCFR6x6Canto do Rio (Santo Cristo(6) João Pinto(2) e Alfredo.  

Os comandados de Abel Picabéia ( ex-jogador e ídolo do clube) recolocou novamente o ”Tovão” no mapa do futebol Carioca. O Torneio Municipal era um campeonato que o São Cristóvão fez história enquanto existiu . Foram 8 torneios realizados  

O primeiro torneio , com uma equipe espetacular, que tinha sido campeão Carioca em 1937( liga extinta no meio ) ,fomosvice-campeões,perdendo o título para o tricolor das Laranjeiras, mas perdemos por muito pouco. Esse torneio foi disputado em pontos corridos e jogos de ida e volta e o Fluminense não conseguiu vencer nossos cadetes. No primeiro jogo, um 3x0 de respeito e no jogo de volta, 1x1.  

Outra campanha marcante foi no último torneio Municipal de 1951, último que foi disputado e a equipe chegou na terceira colocação. O torneio acabou, porém o São Cristóvão deixou sua marca registrada.  

Campeões : Veliz e Joel (goleiros) 

Walter, Bianchi,Santo Cristo, Papetti, Augusto, Pelado,Bernardino,Castanheira, João pinto, Joel, Dodo,Nestor e Mundinho.  


AUGUSTO- A FORTALEZA DA ZAGA 





São Cristóvão 2 x 0 Bonsucesso 
 Campos Sales 
Juiz:Guilherme Gomes 
Cr$: 5.667,20 
Gols: Alfredo 15, Caxambu 46 
SCFR: Joel; Pelado e Mundinho; Bianchi, Dodô e Castanheira; Santocristo, Alfredo, Cxambu, Nestor e Magalhães 
BFC: Pintado; Clodoaldo e Toninho; Bolinha, Telesca e Jayme; Sá, Careca, Bororó, Eunapio e Lenine 

São Cristóvão 2 x 0 Vasco 
Conselheiro Galvao 
Juiz:Durval Caldeira 
Cr$: 36.230,00 
Gols: Nestor, Magalhães 
SCFR: Joel; Pelado e Mundinho; Bianchi, Papetti e Castanheira; Santocristo, Alfredo, Caxambu, Nestor e Magalhães 
CRVG: Alfreo; Haroldo e Oswaldo; Otacilio, Figliola e Argemiro; Ademir, Lele, Isaias, Jair e Orlando 

São Cristóvão 4 x 2 Bangu 
 Teixeira de Castro 
Juiz:Haroldo Drolhe 
Cr$:4.794,90 
Gols:Alfredo 10, 18, Moacyr 23, Caxambu 30, Nestor 55, Moacyr 63 
SCFR: Joel; Pelado e Mundinho; Bianchi, Papetti e Castanheira; Santocristo, Alfredo, Caxambu, Nestor e Magalhães
BAC:Ananias; Enéas e Mineiro; Nadinho, Antonio e Adauto; Otacilio, Madureira, Moacyr, Baleiro e Joaquim 
Obs:Jogo suspenso aos 63 por falta de bola 

QUINTA FEIRA, 29 DE ABRIL DE 1943
São Cristóvão 4 x 3 Bangu 
Continuação do jogo suspenso aos 63 por falta de bola 
Teixeira de Castro 
Juiz:Haroldo Drolhe 
Cr$:4.794,90 
Gols: o Bangu fez mas um gol

São Cristóvão 4 x 0 Madureira 
Campos Sales
Juiz:Pereira Peixoto
CR$:9.375,20
Gols: Caxambu 16, Santo Cristo 56, Caxambu 76, Alfredo 84
SCFR: Joel; Pelado e Mundinho; Bianchi, Papetti e Castanheira; Santocristo, Alfredo, Caxambu, Nestor e Magalhães
MEC: Lourinho; Ruben e Geraldo; Esteves, Nilton e Alegrete; Jorge, Waldemar, Durval, Waldir (Muilinho) e Murilinho (Waldir) 

Botafogo 5 x 2 São Cristóvão 
Laranjeiras
Juiz:José Pereira Peixoto
Cr$:23.924,00
Gols:Pirica 2, Tovar 4, Nestor 51, 71, Pirica 81, Heleno 87, 89 
BFR: Aymoré; Caieira e Dannilo; Zarcy, Helio e Gonzalez; Lula, Geninho, Heleno, Tovar e Pirica 
SCFR: Joel; Mundinho e Augusto; Bianchi, Papetti e Castanheira; Santocristo, Alfredo, Caxambu, Nestor e Magalhães

São Cristóvão 4 x 1 Flamengo 
General Severiano
Juiz: Carlos Gomes Potengy
Cr$: 40.000,00
Gols: João Pinto 5, Nestor 6, 18, João Pinto 34, Pirilo (P) 37
SCFR: Joel; Mundinho e Augusto; Bianchi, Papetti e Castanheira; Santocristo, Alfredo, João Pinto, Nestor e Magalhães
CRF: Jurandyr; Domingos e Newton; Artigas, Jayme e Quirino; Nilo, Zizinho, Pirilo, Alarcon e Vevé 

São Cristóvão 1 x 0 América 
São Januário
Juiz: Guilherme Gomes
Cr$ 78904,10
Gols:João Pinto 73
SCFR: Joel; Mundinho e Augusto; Bianchi, Papetti e Castanheira; Santocristo, Alfredo, João Pinto, Nestor e Magalhães
AFC:Cabrita; Osny e Gritta; Itim, Domicio e Laxixa; Jorginho (Maneco) (Jorginho) (Maneco) (Lima), Cesar, Lima (Maneco) (Lima) (Maneco) e Esquerdinha

São Cristóvão 4 x 2 Fluminense 
Gávea 
Juiz: José Pereira Peixoto
Expulso: Norival 53
Cr$ 50.245,80
Gols: Nestor 19, Pedro Nunes 26, Alfredo 35, Maracaí 37, Nestor 82, João Pinto 86
SCFR: Joel; Mundinho e Augusto; Bianchi, Papetti e Castanheira; Santocristo, Alfredo, João Pinto, Nestor e Magalhães
FFC: Batataes; Norival (Affonsinho) e Renganesch; Bioró, Spinelli e Affonsinho (Carreiro);  Pedro Amorim, Pedro Nunes, Maracaí, Tim e Carreiro

Canto do Rio 6 x 6 São Cristóvão 
Caio Martins
 Juiz:Oscar Pereira Gomes
Cr$ 23.808,40
Gols:J. Pinto, Fantoni, Santo Cristo, J.Pinto, Mical, Vadinho, Mical, Santo Cristo, Alfredo, Fantoni, Santo Cristo, Danilo
CR: Pedrinho; Gerson e Laranjeiras; Bolinha, Danilo e Alcebíades; Orlando, Fantoni, Mical, Carango e Vadinho   
SCFR: Veliz; Mundinho e Augusto; Bianchi, Papetti e Castanheira; Santocristo, Alfredo, João Pinto, Nestor e Magalhães




Fonte: https://brfut.blogspot.com/2021/08/torneio-municipal-rio-de-janeiro-1943.html
Fonte: https://rsssfbrasil.com/tablesr/rj1943tm.htm
Fonte: Livro Chuva de Glórias 
Fonte: Hemeroteca Nacional 
Fonte: História do Campeonato Carioca 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

HOMENAGEM AOS NOSSOS IDOLOS

 UM ÍTALO ARGENTINO QUE EM POUCO TEMPO VIROU LENDA ...

HECTOR PAPETTI


CLUBES DA CARREIRA 
  • GIMNASIA Y ESGRIMA 
  • PLATENSE 
  • BAHIA 
  • VITÓRIA( UM JOGO ) 
  • SÃO CRISTÓVÃO 
  • BOTAFOGO 
  • AMÉRICA MG. 


PAPETI NO CENTRO DA FOTO . 


Mais um capítulo de nossos ídolos que iremos contar hoje. Um gringo que saiu da Argentina para brilhar com a camisa do São Cristóvão de Futebol e Regatas, que considerava a Rua Figueira de Melo como a casa de sua família.

Ele foi grato ao clube por ter aberto as portas do futebol nacional para que ficasse conhecido, e a dedicação foi tanta que apenas um time foi capaz de tirar Papetti dos Cadetes: o Botafogo de Futebol e Regatas.

O argentino teve propostas de Sociedade Esportiva Palmeiras, Club de Regatas Vasco da Gama e Clube de Regatas do Flamengo, mas, como ele mesmo disse:

— Apenas um time me tira do São Cristóvão: o Botafogo!


Formação do SCFR no Torneio Inicio de 1944- ultimo torneio de Papetti 

Papetti nasceu na Argentina, no dia 8 de junho de 1914, na cidade de Rosário. Oriundo de uma família pobre da periferia da cidade, desde pequeno tinha o sonho de ser jogador de futebol. Seus pais não tinham condições de comprar uma chuteira, e o menino, aos 7 anos, foi trabalhar em uma carpintaria para conseguir adquirir seu primeiro par. No mesmo local, trabalhou até a adolescência.

Começou em um time da cidade chamado Atlético Calçada, passando também pelas categorias de base do Newell's Old Boys. Mas foi no Gimnasia y Esgrima La Plata que se profissionalizou, ainda com 17 anos. Contudo, uma situação marcou sua primeira decepção: quando o clube viu potencial no jovem e o vendeu para o Club Atlético Platense. A transferência provocou uma tristeza tão grande que ele quase desistiu do futebol.

E, para completar, uma situação gravíssima quase o tirou de forma definitiva dos gramados: uma contusão no joelho — que ajudou a encurtar sua vida futebolística — o afastou das partidas. A lesão fez com que a diretoria do Platense rescindisse seu contrato, deixando o jovem Papetti desamparado.

Mas sua história mudaria por causa de um presidente ambicioso e de um clube que queria subir de patamar. Carlos Wildberger, um homem rico da época, decidiu trazer de imediato três jogadores da Argentina, formando uma linha média que marcaria a história do São Cristóvão de Futebol e Regatas e mudaria a vida daqueles atletas. Papetti, Bianchi e Avalle — os dois primeiros jogariam no São Cristóvão mais tarde.

Avalle era italiano, mas atuou no Estudiantes de La Plata e no Racing Club. Papetti vinha do Platense, e Bianchi também tinha passagem pelo Racing. Era a época denominada “platinismo”, pois os brasileiros desenvolveram um misto de admiração e temor diante dos clubes e da seleção argentina. O Brasil era freguês de caderno.

Os clubes argentinos chegavam ao país com organização tática mais avançada, jogo mais físico e, sobretudo, uma mentalidade competitiva que impressionava. O intercâmbio entre as equipes do Rio da Prata fortalecia o nível técnico, enquanto o futebol brasileiro ainda buscava consolidar sua identidade e profissionalização.

O supertime montado por Carlos acabou levando o próprio dirigente à falência. Mesmo conquistando o título, a renda dos ingressos não cobria os gastos e, como patrocínio era praticamente inexistente na época, o presidente precisou tirar dinheiro do próprio bolso para manter o elenco.

Vale uma observação: a equipe terminou invicta, e o trio foi escolhido como o melhor meio-campo da Bahia, consolidando-se como uma das formações mais marcantes daquele período.


Argentinos Bianchi e Papetti e o brasileiro Castanheira 

Papetti e os companheiros chegaram à Bahia, mais especificamente a Salvador, no dia 6 de abril de 1940, e uma situação inusitada aconteceu. Eles chegaram pouco menos de dois meses antes do Campeonato Baiano, que começou no dia 2 de junho. Os três jogaram e dominaram as ações, mas Papetti estava “irregular”, pois se encontrava no país em situação migratória indefinida: os documentos de autorização para trabalhar ainda não tinham sido liberados.

Por consequência, o jogador foi preso pelo Serviço de Estrangeiros, ficando incomunicável durante um período. Acabou sendo liberado com a ajuda do presidente do Esporte Clube Bahia, conseguindo, assim, retornar aos gramados para ajudar sua equipe.

No total, Papetti disputou 62 jogos pelo Bahia e marcou dois gols, conquistando um Campeonato Baiano e um vice-campeonato da mesma competição.

Papetti tinha uma peculiaridade: ele detinha o próprio passe e fazia contrato por temporada. Ao fim de cada ano, sentava para renegociar com a diretoria. Em 1942, depois de dois anos na Bahia, resolveu voltar para a Argentina. Porém, antes, desejava conhecer a cidade mais linda e charmosa do Brasil: o Rio de Janeiro. Queria ver de perto suas belezas naturais e descobrir se a fama da cidade era verdadeira.

No Rio de Janeiro, enquanto tomava um café, encontrou-se com um “hermano”, um argentino que vivia havia muito tempo na cidade, treinador e ex-jogador. Ao conhecer as habilidades de Papetti, convidou-o para integrar o time que estava formando — ali nascia um dos melhores elencos da história do São Cristóvão de Futebol e Regatas.

O treinador era Abel Picabéa, campeão carioca de 1937 e considerado um dos maiores jogadores do clube. A notícia animou Papetti. E havia ainda outro motivo para se empolgar: Bianchi também chegaria ao São Cristóvão.


O argentino aceitou o convite, começando na reserva, pois chegava a um time que já tinha uma espinha dorsal formada. Mas seus treinos mostravam que ele jamais poderia ser apenas opção no banco. Um camisa 8 disciplinado, efetivo, de ótimo passe e com visão de jogo acima da média. E isso se refletiria nos dois anos em que defendeu o São Cristóvão de Futebol e Regatas.

A estreia de Papetti (conforme reportagem da época) aconteceu no dia 31 de março de 1942, contra o America Football Club. Os “Diabos da Tijuca” venceram por 3x2. Naquele momento, o time ainda não contava com Bianchi, que, ao lado de Papetti e Castanheira, seria escolhido como parte do melhor meio-campo do Rio de Janeiro nos anos de 1942 e 1943.

O primeiro jogo oficial de Papetti ocorreu no dia 3 de maio de 1942, quando o São Cristóvão venceu o Canto do Rio Foot-Ball Club por 4x0. A equipe foi escalada da seguinte forma:

Oncinha;
Augusto e Mundinho;
Papetti, Dodô e Castanheira;
Santo Cristo, Salim, Alfredo, Magalhães e Nestor.



Estreia do Papetti pelo SCFR


O São Cristóvão de Futebol e Regatas teve campanhas épicas nos anos de 1942 e 1943 no Campeonato Carioca e, em 1943, conquistou o terceiro título mais importante de sua história: o Campeonato Municipal de 1943.

Papetti considerava o clube acolhedor; para ele, o time era uma família. Foi escolhido a revelação do Campeonato Carioca de 1942, e foram dois anos de muito brilho. A equipe contava com jogadores como Santo Cristo, Castanheira, entre outros, que formaram uma das melhores gerações da história do clube.

Mas ele sempre comentava que tinha um sonho: jogar pelo Botafogo de Futebol e Regatas, para onde se transferiu em 1944. Antes, fez uma excursão com o time dos Cadetes, na qual disputou seus últimos jogos pelo São Cristóvão, apresentando-se depois ao clube de General Severiano.

A diretoria tentou dificultar ao máximo sua saída, propondo aumento salarial, entre outras ofertas. Mas Papetti agradeceu por tudo e seguiu para o time alvinegro.

Certamente, por tudo o que construiu, Papetti está nos anais da história do clube. É mais do que justa esta homenagem a quem tanto realizou com a camisa do São Cristóvão.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

HOMENAGEM A NOSSOS ÍDOLOS

 UM CRAQUE QUE CARREGAVA A HISTÓRIA DE UM BAIRRO : 

SANTO CRISTO !  


Ele carregava o nome do bairro com orgulho. Um craque habilidoso, de gênio forte, que marcou geração por onde passou. Sempre apontado entre os destaques das partidas, Walter Goulart da Silveira foi um gigante de sua época, um dos principais responsáveis pelo segundo maior título do São Cristóvão de Futebol e Regatas: o Torneio Municipal de 1943.

Entre idas e vindas, o Santo Cristo jogou cinco anos pelo clube dos Cadetes, em três passagens. Em duas delas, foi um dos principais jogadores da equipe. Vamos conhecer esse verdadeiro craque de sua geração.

Walter Goulart da Silveira nasceu no dia 12 de setembro de 1922, no bairro de Santo Cristo. As origens do bairro remetem aos tempos coloniais. A região recebeu esse nome em razão da Igreja de Santo Cristo, construída em frente ao cais do porto. Por ali passaram alguns dos primeiros bondes da cidade — inicialmente de tração animal e, posteriormente, elétricos.

Com proximidade ao bairro Imperial de São Cristóvão, ao Caju e à antiga região da Praia Formosa, foi nesse cenário que Santo Cristo iniciou sua vida futebolística.



Como descrito acima, a proximidade entre os bairros facilitou o início de Santo Cristo no futebol. No entanto, ele não se limitou apenas à região para tentar a sorte.

Ainda jovem, passou pelas categorias do Club de Regatas Vasco da Gama, atuou pelo Oposição, equipe da Piedade, e também pelo Bonsucesso Futebol Clube, onde se destacava bastante — embora, na época, não tenha sido aproveitado como poderia.

Foi, porém, no Marvillis, time da fábrica do Caju, que seu talento chamou atenção. Olheiros do São Cristóvão de Futebol e Regatas perceberam o potencial daquele jovem promissor e decidiram contratá-lo, dando início a uma trajetória marcante no clube dos Cadetes.




página Caju Cultural 

Uma pequena aula sobre a antiga fábrica que deu origem ao time : 

O Rui Barbosa — sim, o mesmo nome eternizado na Literatura — defendia a industrialização como eixo central para o progresso nacional. As medidas de ampliação de crédito e a política econômica do Encilhamento, conduzidas por ele à frente do Ministério da Fazenda, somadas às mudanças na legislação das Sociedades Anônimas, abriram caminho para a expansão da Companhia América Fabril.

Em aproximadamente uma década, a então Santos Peixoto & Cia. América Fabril ampliou seu capital de maneira significativa, fortalecendo sua posição no setor industrial.

O crescimento levou, em 1903, à aquisição da Fábrica Bonfim, localizada no bairro do Caju — área que anteriormente integrava a freguesia de São Cristóvão. Com isso, a empresa passou a figurar entre as dez maiores indústrias têxteis do país.

Entretanto, foi a partir de 1911, com a inauguração da Fábrica Mavilis, também instalada na região portuária do Caju, ao lado da Bonfim, que a companhia atingiu seu auge de modernização. Reconhecida como “a mais avançada fábrica de fiação e tecelagem do Brasil” naquele período, a Mavilis destacou-se por operar com os equipamentos de fiação mais modernos da época, consolidando definitivamente o protagonismo da Companhia América Fabril no cenário industrial brasileiro.



Santo Cristo iniciou sua trajetória no juvenil do Marvillis. Tentou a sorte no Club de Regatas Vasco da Gama, mas, apesar de toda a habilidade, isso não foi suficiente para se firmar.

Chegou ao Bonsucesso Futebol Clube e, nos treinamentos, “fazia chover”. Com apenas 17 anos, integrou o elenco principal e disputou o Campeonato Carioca de Reservas (segundos quadros). No entanto, sem oportunidades no time de cima, retornou ao Marvillis — e foi aí que sua história começou a mudar.

Aos 18 anos, em 1942, acertou com o São Cristóvão de Futebol e Regatas. Desde o início, treinador e diretoria tinham uma convicção: haviam encontrado seu craque.


time de veteranos em 1943 do SCFR 


No dia 29 de março de 1942, aconteceu o primeiro jogo oficial de Santo Cristo pelo São Cristóvão de Futebol e Regatas. A partida foi válida pelo antigo Torneio Início, e os Cadetes saíram vitoriosos por 1 a 0 contra o America Football Club (RJ).

Uma semana depois, em 5 de abril, veio a estreia no Campeonato Carioca — e já deixou sua marca: Santo Cristo marcou um gol na vitória por 5 a 2 sobre o Bangu Atlético Clube.

Santo Cristo teve três passagens pelo São Cristóvão, sempre com muito destaque e identificação com o clube.



TIME CAMPEÃO DO TORNEIO MUNICIPAL 

Naquele time montado em 1942 — que custou caro à diretoria, inclusive com investimentos em excursões — os comandados de Santo Cristo e Caxambu, ambos grandes craques da época, formaram uma equipe muito forte.

Em 1943, aquele elenco conquistou o terceiro título mais importante do futebol carioca à época: o Campeonato Municipal do Rio de Janeiro.

Santo Cristo era um verdadeiro craque. Tanto que seu destino foi a maior potência do período: o Club de Regatas Vasco da Gama, que montava o time que ficaria conhecido como “Expresso da Vitória”. Lá, Santo Cristo disputou 71 jogos e marcou 34 gols, participando de um dos elencos mais emblemáticos da história do clube. Chegou a ser cogitado para jogar a Copa de 1950. 

  • SCFR; 1942-1944/ 1954-1956/ 1959
  • Vasco: 1945-1946
  • Botafogo : 1947 
  • São Paulo: 1948
  • Fluminense: 1948-1951
  • Guarani: 1951
  • XV de Piracicaba: 1951-1953
  • Portuguesa SP: 1953
  • Ferroviária SP: 1953-1954
  • Altético-MG: 1955
  • Olaria: 1956

Na campanha do título do Campeonato Municipal do Rio de Janeiro de 1943, Santo Cristo marcou cinco gols. Um dado curioso é que três deles aconteceram em uma mesma partida — e que partida! No último jogo do campeonato, contra o Canto do Rio Foot-Ball Club, no dia 6 de junho, as equipes protagonizaram um eletrizante empate em 6 a 6, com nada menos que 12 gols.

Santo Cristo também esteve presente em um dos episódios mais marcantes da história do São Cristóvão de Futebol e Regatas: o fechamento do Estádio da Figueira de Melo. No dia 19 de setembro, em uma partida contra o Clube de Regatas do Flamengo, assim que o Flamengo marcou o primeiro gol — anotado por Vevé — parte da arquibancada onde estava a torcida rubro-negra desabou, gerando desespero e confusão. O incidente levou à interdição do estádio.

No meio de sua segunda passagem pelo São Cristóvão, Santo Cristo saiu para treinar por três meses no Clube Atlético Mineiro, mas retornou ao clube carioca.

Em 1956, participou da excursão do São Cristóvão pela Europa e África, sendo novamente um dos principais jogadores da equipe.

Ao fim da carreira, já com 39 anos, decidiu encerrar sua trajetória no clube que o projetou para o futebol. Em 1959, seu último ano como profissional, não poderia ter sido diferente: aposentou-se vestindo a camisa do São Cristóvão, consolidando seu nome como um dos grandes ídolos da história do clube.

Educação salvou a vida de Santo Cristo

Dois anos antes, em 1948, quando atuava no futebol paulista, Santo Cristo viveu um episódio que marcaria sua história. Era sexta-feira, 27 de agosto, e ele aguardava um voo da Vasp com destino ao Rio de Janeiro, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando um imprevisto mudou tudo.

O cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar, precisava chegar com urgência à então capital federal. O voo estava lotado. Consultado, Santo Cristo não hesitou: adiou a própria viagem e cedeu seu lugar ao religioso.

A aeronave seguiu viagem, mas, ao tentar pousar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, uma das asas atingiu o prédio da Escola Naval. O avião caiu na Baía de Guanabara.

Dezoito pessoas morreram e apenas três sobreviveram. Entre as vítimas estava o jornalista Cásper Líbero, fundador do jornal A Gazeta.

Com um gesto de generosidade, Santo Cristo acabou salvando a própria vida.

Histórias do futebol que parecem roteiro de cinema — mas são absolutamente reais.


Rodada 02

NOVA CIDADE X SÃO CRISTÓVÃO.  Chegamos à segunda rodada da Série B1 Carioca e, jogando fora de casa, o São Cristóvão ficou apena...