quinta-feira, 20 de agosto de 2026

1988 E 1989 - DOIS ANOS BONS : PARTE 1

 MOMENTOS BONS DO SÃO CRICRI- SEGUNDONA DE 1988. 


A retomada do São Cristóvão no final dos anos 1980

O final dos anos 1980 parecia indicar que o São Cristóvão retomaria a grandeza de seu passado. A diretoria tinha um projeto pronto para transformar a pequena Figueira de Melo em um estádio com capacidade para 40 mil pessoas. O lado financeiro também parecia bastante equilibrado. Tanto em 1988 quanto em 1989, além da briga pelo acesso com bons times, o departamento de futebol recebeu diversos investimentos.

Um dos primeiros responsáveis por esse projeto foi o treinador Américo Farias, um homem experiente e conhecedor do futebol, que resolveu ser ousado e montou um time com média de idade de apenas 21 anos. Era uma equipe muito jovem, mas com disposição e potencial para, no futuro, render financeiramente ao clube com a venda de seus jogadores.

Américo Farias, que pouco tempo depois trabalharia na CBF durante um longo período, tinha planos ambiciosos para o São Cristóvão ao lado de Irã Terra, diretor de futebol do clube. Um dado interessante é que, apesar dos bons investimentos, ambos também buscavam reduzir os custos.

O clube treinava na Refinaria de Manguinhos, próxima à sede de futebol e de fácil acesso para os jogadores. Américo Farias não queria repetir os fracassos anteriores, principalmente o sistema de cooperativa criado em 1984 e que persistia até 1988. Alguns pensam que esse projeto acabou naquele mesmo ano, mas ele existia, pelo menos no papel, até 1988, quando Américo acabou definitivamente com o sistema.

Acompanhando aquela fase, nascia também a TOSC — Torcida Organizada do São Cristóvão, fundada em abril de 1988 por Flávio Monteiro dos Santos, grande torcedor e apaixonado pelo clube.

O clube investiu 50 milhões de cruzeiros para contratar "apenas" seis jogadores experientes e com mais de 21 anos, que se juntariam aos jovens formados pelo próprio São Cristóvão. A decisão se mostraria acertada. Os contratados, negociados diretamente com a participação de Américo Farias, foram Jesus, Evandro, Paulo Cesar, Chico, Pituca e José Carlos.

Um dos grandes destaques daquela equipe foi o goleiro Carlos, que, no Campeonato de 1988, ficou mil minutos sem sofrer um único gol.

O time de 1988 era uma máquina. Jogava um futebol bonito, eficiente e rápido. Entretanto, as crônicas da época apontavam dois motivos principais para o fracasso na tentativa de acesso: a inexperiência dos jogadores e a arbitragem, que teria prejudicado imensamente o São Cristóvão.

Aquele campeonato também revelaria três jogadores que posteriormente seriam negociados pelo clube para ajudar a reforçar o caixa: o goleiro Carlos, Dênis e Válber.

A folha salarial era baixa, mas ainda assim uma das maiores daquela Segunda Divisão: CZ$ 500 mil. Para se ter uma ideia, esse era o salário de um jogador de Flamengo ou Vasco na época.

Outro responsável pela montagem do elenco foi o empresário Elias Zacarias, que tinha planos de levar o clube novamente para excursões, inclusive ao exterior — algo que não acontecia desde 1967.

O presidente Armando Moraes deixava claro que não existia mordomia no clube, mas o básico era bem feito: material de treinamento, refeições em pensões próximas e concentrações em bons hotéis.

Todo esse planejamento começaria a dar resultado dentro de campo. Aquele grande time conquistaria o primeiro turno do Campeonato Carioca da Segunda Divisão de 1988, reacendendo no torcedor a esperança de ver o São Cristóvão novamente entre os grandes do futebol carioca.



Troféu de campeão primeiro turno de 1988- o mesmo da foto do jornal acima 





A FINAL ENTRE SÃO CRISTOVÃO X MESQUITA

O empate que valeu o título

Não foi exatamente uma final, já que o campeonato era disputado por pontos corridos. Porém, Mesquita e São Cristóvão chegavam àquela partida com reais condições de conquistar o título. O jogo terminou empatado, mas foi marcado por muita confusão, brigas e um público recorde para o torneio.

Era a última rodada do primeiro turno, e a equipe do Mesquita precisava vencer para conquistar o título. O Estádio Nielsen Louzada estava lotado para uma partida daquele tamanho. Mais de 4 mil pessoas gritavam o nome do Mesquita e transformavam o local em um verdadeiro caldeirão. Há registros de tentativas de invasão de campo e de intimidação aos jogadores do São Cristóvão.

O jogo foi um verdadeiro inferno para os Cadetes, que suportaram uma pressão enorme. Apesar de contar com uma equipe muito jovem, o São Cristóvão conseguiu segurar o Mesquita, uma equipe mais experiente e considerada por muitos como superior.

O árbitro daquela partida era o lendário Jorge Emiliano, o famoso "Margarida".


MARGARIDA- FOTO GOOGLE 


Um jogo desse tamanho, com a pressão a mil, acabou se tornando muito perigoso. A confusão começou antes mesmo da bola rolar. A organização abriu apenas uma bilheteria e não imaginava uma demanda tão grande de torcedores. O resultado foi confusão e tentativas de invasão por parte do público.

Os números oficiais apontaram 4.765 pagantes, mas algumas fontes indicam que até 6 mil pessoas estiveram presentes no estádio.

Precisando da vitória, o Mesquita abandonou o bom futebol apresentado até então e passou a apelar para a violência. Foi nesse momento que Margarida começou a aparecer. O árbitro controlou bem os nervos e atuou de forma enérgica com os jogadores do Mesquita.

O jornal O Globo destacou sua atuação e foi claro ao afirmar que o árbitro não havia cometido nenhum erro. Uma das principais reclamações do Mesquita foi a expulsão do jogador Pirada, aos 26 minutos do primeiro tempo, por faltas consecutivas.

O São Cristóvão também foi repreendido. Diante do jogo violento praticado pelo Mesquita, os Cadetes passaram a ficar mais recuados e a retardar a partida, o que gerou diversas advertências de Margarida.

O clima estava tão tenso que dois torcedores chegaram a pular o alambrado e partiram para cima do árbitro, mas foram contidos a tempo pelos seguranças.

Nada disso, porém, abalou o São Cristóvão. Os Cadetes seguraram o empate, conquistaram o título do primeiro turno e garantiram a classificação para o quadrangular geral.

A equipe titular foi: CARLOS; CHICO, MARCÃO, VALBERT E DÊNIS; SÉRGIO GALOCHA,PITUCA(DANILO) E ANTONIO CARLOS; RONALDO, PAULO CESAR E DUDU         ( JOÃO CARLOS). 

A segundona de 1988 teve os seguintes participantes : 

  1. SÃO CRISTÓVÃO 
  2. BONSUCESSO 
  3. CAMPO GRANDE 
  4. CENTRAL SPORT 
  5. MADUREIRA 
  6. MESQUITA 
  7. MIGUEL COUTO 
  8. NOVA CIDADE 
  9. OLARIA 
  10. RUBRO 
  11. SERRANO 
  12. TOMAZINHO 
JOGOS DO PRIMEIRO TURNO

  • SCFR 1X0 PADUANO 
  • SERRANO 4X2 SCFR 
  • SCFR 0X0 OLARIA 
  • PORTUGUESA 0X0 SCFR 
  • SCFR 1X0 CENTRAL 
  • SCFR 0X0 RUBRO 
  • MADUREIRA 0X0 SCFR 
  • SCFR 1X0 MIGUEL COUTO 
  • TOMAZINO 0X1 SCFR 
  • SCFR 1X0 CAMPO GRANDE 
  • SCFR 2X0 NOVA CIDADE 
  • MESQUITA 0X0 SCFR           
Campanha: 1º- 13 Jogos, 7 vitórias , 5 empates e 1 derrota - Campeão 
Campanha do Segundo turno : 10º- 4 vitórias ,3 empates e 6 derrotas 
Campanha geral : 6º- 26 jogos : 11 vitórias, 8 empates e 7 derrotas 
Rebaixados: Miguel Couto e Tomazinho 

JOGOS DO SEGUNDO TURNO 

  • PADUANO 0X0 SCFR 
  • SERRANO 2X2 SCFR 
  • OLARIA 2X1 SCFR 
  • SCFR 2X1 PORTUGUESA 
  • CENTRAL 2X0 SCFR 
  • RUBRO 2X2 SCFR 
  • SCFR 2X0 MADUREIRA 
  • MIGUEL 2X1 SCFR 
  • SCFR 2X1 BONSUCESSO 
  • CAMPO GRANDE 1X0 SCFR 
  • NOVA CIDADE 3X1 SCFR 
  • SCFR 0X1 MESQUITA 

No quadrangular final, o time deu os sinais que já havia apresentado no segundo turno: uma queda de rendimento.

A equipe que havia sido a sensação do campeonato acabou pagando pela inexperiência de seus jogadores e, infelizmente, não conseguiu a classificação. E foi por muito pouco: o São Cristóvão empatou duas partidas e perdeu uma, resultado que acabou sendo suficiente para a eliminação.

No quadrangular final, classificaram-se Olaria, Nova Cidade e Campo Grande.

4º colocado no quadrangular final : 3 Jogos, 2 empates e 1 derrota. 

  • CAMPO GRANDE 1X1 SCFR 
  • NOVA CIDADE 2X1 SCFR 
  • OLARIA 0X0 SCFR 

* Nova Cidade (campeão) e Olaria (vice) foram promovidos para a Primeira Divisão.
* Tomazinho e Miguel Couto seriam originalmente rebaixados para a Terceira Divisão, mas participaram normalmente da Segunda Divisão de 1989
devido as desistências de Central e Serrano.


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