quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

NOSSA HISTÓRIA COMEÇOU NO MAR !

 A HISTÓRIA DO SÃO CRISTÓVÃO COMEÇOU NO MAR , A HISTÓRIA DAS SEDES NÁUTICAS!

Foto retirada do google street 


A história de alguns clubes de futebol começou com o remo. Flamengo e Vasco eram clubes originalmente de remo e que, posteriormente, fundaram seus departamentos de futebol. Com o São Cristóvão foi um pouco diferente, já que o clube de remo existiu, mas o futebol funcionava como se fosse outro clube, e a fusão de ambos aconteceu apenas nos anos 40. Essa fusão não ocorreu com os clubes citados acima. A história é parecida com a do Botafogo, que também nasceu da fusão de dois clubes: o de futebol e o de regatas.

FOTO Ponta do caju 



Mas, para contar a história do remo do São Cristóvão, é necessário contar um pouco da história das praias do Caju e de São Cristóvão. Essa região, assim como todo o subúrbio carioca, possuía praias que já tinham sido ocupadas por indígenas, fazendas e chácaras. Com a expansão do subúrbio, tornou-se uma área de lazer para as camadas mais pobres da população.

Essas praias, entre outras, também eram usadas nos carnavais, nos festivais de banho de mar e, no Caju, para a prática esportiva do remo, onde era comum ver competições do esporte, assim como treinos na areia. Nessa região nasceria o Club de Regatas São Cristóvão.


   CLUB DE REGATAS SÃO CRISTÓVAM 




A história do C.R. São Cristóvão começa em 1885, com o Clube de Regatas Cajuense, clube que nasceu com o objetivo de levar o remo ao subúrbio carioca. Nada melhor do que a região do bairro imperial, que contava com diversos militares, os quais viam na prática esportiva uma forma de manter a boa forma física. Vale lembrar que, nessa época, o mar era bem próximo ao Campo de São Cristóvão, e a Igreja Matriz ficava literalmente à beira-mar.

O Clube Cajuense durou pouco tempo, apenas sete anos de história, pois onde há ambição humana, surgem problemas. Um clube próspero logo passou a enfrentar brigas financeiras, que acabaram levando ao seu encerramento. Alguns associados saíram e, em 1892, fundaram o Clube de Regatas Fluminense. Em 1898, um grupo desses remadores voltou a se reunir e fundou o Grupo de Regatas Cajuense, que daria origem ao Clube de Regatas São Cristóvão, fundado em 12 de outubro de 1899.

Mas, neste texto, não ficaremos presos às históricas participações no remo. Vamos falar da sede em si: um espaço dedicado ao remo, à natação, ao polo aquático e a um carnaval tão intenso que era aguardado por todo o subúrbio carioca. Um detalhe curioso é que, além do vôlei de praia (já praticado pelos associados), ali também se praticava a peteca.



O clube foi fundado em uma casa próxima à Matriz de São Cristóvão, mas sua primeira sede náutica ficou localizada na Quinta do Caju. Apesar de, algum tempo depois, ter adquirido uma garagem próxima à mesma matriz, a sede náutica permanecia na Quinta do Caju.

Para um clube de subúrbio, a sede era invejável. De frente para a Ponta do Caju, contava com um amplo espaço, não apenas para a prática esportiva, mas também para festas de carnaval que se concentravam nas areias e se tornaram famosas, não só durante o período carnavalesco. Os associados, sempre que podiam, organizavam festas inclusive para a população local, conforme registros da época.

RESUMO : A sede náutica do São Cristóvão de Futebol e Regatas, historicamente ligada ao remo desde a fundação do clube de regatas, em 1898, teve na região do Caju e em áreas próximas, como a Praia das Palmeiras e a antiga Enseada de São Cristóvão, seus principais locais de treinamento.

Após fusões, o clube estabeleceu sua sede na Quinta do Caju, em 1901, e atualmente mantém uma sede na entrada da Ilha do Fundão, voltada para esportes de base. Antes dessa consolidação, utilizou garagens de barcos localizadas na Praia das Palmeiras, na própria Quinta do Caju.

Em 12 de setembro de 1901, o clube fundiu-se com o Grupo União Náutica, transferindo-se para a sede deste último, também situada no Caju.

UM PEQUENO PEDAÇO DO INSTATUTO DO CLUBE: 

 DESPORTOS AQUÁTICOS – camisa rósea, com escudo oficial no peito (centro), e calção preto.

§ 1º Os atletas, em geral, apresentar-se-ão com os uniformes previstos neste artigo; todavia, de acordo com a modalidade do desporto e a necessidade momentânea, os praticantes dos desportos terrestres poderão utilizar o uniforme nº 2, e os praticantes dos desportos aquáticos, o uniforme nº 1.

§ 2º Aos uniformes não poderá ser acrescentado nenhum distintivo extra, além do número de posição ou ordem, ou símbolo de luto, quando determinado ou permitido.

A DESTRUIÇÃO DO CAJU E O FIM DA SEDE NÁUTICA 




Um local não apenas de prática esportiva, mas também de festas lendárias e de formação de um dos melhores atletas das águas brasileiras de todos os tempos, que chegou a disputar uma Olimpíada. As águas do Caju e de São Cristóvão tinham um dono: Abraão Saliture.

O atleta começou a se envolver com o carnaval do clube. Já era famoso, multicampeão, e conheceu o São Cristóvão por intermédio de atletas que organizavam os banhos de mar. Em 1916, tornou-se um dos organizadores desses banhos, que eram realizados à fantasia. Existia um concurso de fantasias promovido pelo clube, no qual pessoas e agremiações de samba eram julgadas e, ao final da disputa, todos entravam na água com suas fantasias, que se desfaziam no mar.

Os banhos à fantasia ajudavam a desenvolver o subúrbio, pois o grande deslocamento de público exigia do poder público transporte e segurança no local, serviços que ainda começavam a engatinhar.

Quando Saliture participou das Olimpíadas de 1920 , vestia o branco e rosa sagrado do São Cristóvão . 



Na imagem, equipe feminina de remo do Club de Regatas São Cristóvão. Fotografia publicada no jornal Correio da Manhã, em 25 de junho de 1940.

Mas, assim como o subúrbio carioca foi sendo implodido aos poucos, o mesmo aconteceu com o clube de regatas. A expansão do subúrbio ocorreu de forma desordenada, praticamente sem qualquer planejamento. Os mais pobres foram sendo lançados nas antigas regiões de chácaras e fazendas, ocupando morros e praias, construindo suas casas de madeira e dando origem a diversas favelas.

Nos anos 40, a construção da Avenida Brasil condenou diretamente as praias suburbanas, somando-se ao crescimento urbano desordenado. No entanto, o que de fato destruiu a sede — que, na prática, foi tomada — foi a expansão do Porto do Rio de Janeiro. Vamos entender.

1954: Correio da Manhã: frente sede quinta do Caju



O problema começou com a expansão do porto do Rio de Janeiro .A expansão do Porto do Rio de Janeiro, nos anos 1950, foi marcada pela consolidação das grandes obras de aterro iniciadas nas décadas anteriores, com foco na modernização necessária para atender ao acelerado processo de industrialização e urbanização do Brasil. Ainda assim, ao final da década, o porto já começava a perder parte de sua importância relativa para outros portos brasileiros.

Com essa expansão avançando em direção à Ponta do Caju, tudo o que se encontrava em seu caminho foi gradualmente incorporado à área portuária. Famílias foram “indenizadas”, clubes esportivos e espaços de lazer desapareceram, e regiões inteiras, como a Ponta do Caju e as Quintas do Caju, entre outros locais, deixaram de existir em sua configuração original. Em 1954 começou o problema.

O clube e sua sede, que, apesar dos problemas sociais, ainda eram muito frequentados e serviam como base para os esportes aquáticos, foram retirados de seus locais. Um drama começava naquele momento.

Antigos atletas protestaram intensamente e entraram com petições na prefeitura, reclamando que o clube nada fizera para impedir a situação. Segundo o periódico Luta Democrática, a raia da Praia do Caju, pertencente ao clube, foi fechada sem qualquer aviso prévio aos atletas.

E como a empresa responsável fechou a raia? Construindo um muro entre as casas, o clube e o mar. Ou seja, ninguém mais teria acesso ao mar do Caju. Aos poucos, essa mesma empresa passaria a desapropriar toda a região, já que o projeto de expansão do Porto do Rio de Janeiro necessitava dos terrenos da Ponta do Caju.

Esse ato administrativo do Porto do Rio foi comunicado à diretoria do clube, que nada fez. Os atletas acusavam de negligência Sidney Franklin, vice-presidente do clube, que, de braços cruzados, permaneceu inerte diante da situação.

Uma frase dita por um dos atletas mais importantes do clube tocou o coração dos associados e dos leitores do Correio da Manhã, em 1954:

Retiraram o São Cristóvão do mar!

Osmundo Pimentel
Benemérito do São Cristóvão


Ao que tudo indica, a desapropriação do terreno já era conhecida pela diretoria, pois, quando isso aconteceu, surgiu a notícia de que a Marinha cedeu um terreno de frente para o Fundão, com acesso direto ao canal que levava ao mar. À época, a região era considerada bonita e limpa, porém o terreno era pantanoso e exigiria grandes obras de infraestrutura.

Entre os beneméritos do São Cristóvão estavam Osmundo Pimentel, Bernardino Veloso, Sidney Frank, Floriano Dourado e Mário Madalena. Os protestos chegaram até o Colégio Militar, já que muitos militares praticavam remo no local. Mesmo situado em meio a áreas de pescadores e favelas, o clube ainda mantinha suas atividades esportivas.

Apesar de todos os protestos, em fevereiro de 1955, após a perda da raia, da praia e, por fim, da sede, o clube teve seu terreno definitivamente desapropriado.


Em 1955, o jornal Diário da Noite anunciava o fim da sede do Caju e apresentava o local da nova sede, no bairro de Ramos. Tratava-se de uma região considerada bela à época, embora situada em um terreno pantanoso, que ainda previa a anexação de uma pequena ilha próxima.

O presidente Abílio Ferreira de Almeida recebeu a doação de um terreno da Marinha; entretanto, a cessão foi realizada por intermédio do Departamento de Urbanismo da Prefeitura do Distrito Federal. A doação foi formalizada pelo departamento, então representado pelo Dr. Eduardo Reidy. O engenheiro Hermínio Andrade da Silva estudou o terreno em profundidade e liberou a área para uso.

As informações variam quanto ao tamanho exato do terreno, mas foi apurado que, inicialmente, a área possuía cerca de 17 mil metros quadrados. Com a anexação da pequena ilha ao projeto, a área total passou a aproximadamente 20 mil metros quadrados. Uma cerimônia oficial foi realizada, e o documento de cessão foi aceito pelo professor Clóvis Monteiro Filho, na presença de atletas do remo e da velha guarda do clube. Praticamente todos os atletas aquáticos do clube estavam presentes.

O projeto de construção da nova sede foi elaborado e iniciado pela empresa do Porto do Rio de Janeiro. Ele previa garagens de 20 metros para os barcos, banheiras de 10 x 5 metros, masculinas e femininas, vestiários, praça de esportes com quadras de basquete e futebol, oficina de 20 x 5 metros, quadra de tênis e um moderno departamento náutico, considerado um dos mais avançados da época. A prefeitura ainda fez uma doação para as obras: CR$400.000,00 Cruzeiros. 

DIA 13 DEOUTUBRO DE 1955 ÁS 12 HORAS: POSSE DO TERRENO 

1957 : INAGURAÇÃO DAS INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS 

1962: GRANDE OBRA 



Em 1957, houve uma festa de inauguração das instalações provisórias, com a presença de toda a diretoria, além de um grande churrasco e feijoada oferecidos à imprensa. O presidente Clóvis Monteiro, às 11 horas da manhã, fez um discurso marcado pela esperança de tempos melhores para o clube.

Em 1960, um grande dirigente do futebol brasileiro visitou o local: o presidente da CBD, João Havelange, que passou a tarde no clube analisando as instalações, demonstrando apreço pelo projeto, que ainda seria totalmente modernizado. Esse plano de expansão viria a se concretizar em 1962.



Em 1962, teve início a grande obra que daria origem a dois campos de futebol, piscina, duas quadras poliesportivas, quatro vestiários, garagem para barcos, píer moderno, sauna e dez banheiros. O projeto recebeu o nome de “Dois clubes em um: um novo São Cristóvão”. O senhor Adelino Borelli era o presidente da Empresa Santa Paula, contratada para a execução das obras.

A proposta incluía também a remodelação da sede da Rua Figueira de Melo, transformando-a em um dos melhores centros de treinamento do Rio de Janeiro.

A sede náutica, localizada na Avenida Brigadeiro Trompowski, era considerada um dos locais mais belos e encantadores da região. Diante da grandiosidade da obra e da necessidade de recursos financeiros, foram criados novos títulos patrimoniais, vendidos ao valor de Cr$ 45.000,00, com pagamento em prestações mensais de Cr$ 1.500,00.

Os adquirentes dos títulos participariam de um sorteio de três automóveis. O slogan da campanha de venda dos títulos era bastante sugestivo: “UM CLUBE PARA QUEM APRECIA A VIDA”.

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