segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

HOMENAGEM AOS NOSSOS IDOLOS

 UM ÍTALO ARGENTINO QUE EM POUCO TEMPO VIROU LENDA ...

HECTOR PAPETTI


CLUBES DA CARREIRA 
  • GIMNASIA Y ESGRIMA 
  • PLATENSE 
  • BAHIA 
  • VITÓRIA( UM JOGO ) 
  • SÃO CRISTÓVÃO 
  • BOTAFOGO 
  • AMÉRICA MG. 


PAPETI NO CENTRO DA FOTO . 


Mais um capítulo de nossos ídolos que iremos contar hoje. Um gringo que saiu da Argentina para brilhar com a camisa do São Cristóvão de Futebol e Regatas, que considerava a Rua Figueira de Melo como a casa de sua família.

Ele foi grato ao clube por ter aberto as portas do futebol nacional para que ficasse conhecido, e a dedicação foi tanta que apenas um time foi capaz de tirar Papetti dos Cadetes: o Botafogo de Futebol e Regatas.

O argentino teve propostas de Sociedade Esportiva Palmeiras, Club de Regatas Vasco da Gama e Clube de Regatas do Flamengo, mas, como ele mesmo disse:

— Apenas um time me tira do São Cristóvão: o Botafogo!


Formação do SCFR no Torneio Inicio de 1944- ultimo torneio de Papetti 

Papetti nasceu na Argentina, no dia 8 de junho de 1914, na cidade de Rosário. Oriundo de uma família pobre da periferia da cidade, desde pequeno tinha o sonho de ser jogador de futebol. Seus pais não tinham condições de comprar uma chuteira, e o menino, aos 7 anos, foi trabalhar em uma carpintaria para conseguir adquirir seu primeiro par. No mesmo local, trabalhou até a adolescência.

Começou em um time da cidade chamado Atlético Calçada, passando também pelas categorias de base do Newell's Old Boys. Mas foi no Gimnasia y Esgrima La Plata que se profissionalizou, ainda com 17 anos. Contudo, uma situação marcou sua primeira decepção: quando o clube viu potencial no jovem e o vendeu para o Club Atlético Platense. A transferência provocou uma tristeza tão grande que ele quase desistiu do futebol.

E, para completar, uma situação gravíssima quase o tirou de forma definitiva dos gramados: uma contusão no joelho — que ajudou a encurtar sua vida futebolística — o afastou das partidas. A lesão fez com que a diretoria do Platense rescindisse seu contrato, deixando o jovem Papetti desamparado.

Mas sua história mudaria por causa de um presidente ambicioso e de um clube que queria subir de patamar. Carlos Wildberger, um homem rico da época, decidiu trazer de imediato três jogadores da Argentina, formando uma linha média que marcaria a história do São Cristóvão de Futebol e Regatas e mudaria a vida daqueles atletas. Papetti, Bianchi e Avalle — os dois primeiros jogariam no São Cristóvão mais tarde.

Avalle era italiano, mas atuou no Estudiantes de La Plata e no Racing Club. Papetti vinha do Platense, e Bianchi também tinha passagem pelo Racing. Era a época denominada “platinismo”, pois os brasileiros desenvolveram um misto de admiração e temor diante dos clubes e da seleção argentina. O Brasil era freguês de caderno.

Os clubes argentinos chegavam ao país com organização tática mais avançada, jogo mais físico e, sobretudo, uma mentalidade competitiva que impressionava. O intercâmbio entre as equipes do Rio da Prata fortalecia o nível técnico, enquanto o futebol brasileiro ainda buscava consolidar sua identidade e profissionalização.

O supertime montado por Carlos acabou levando o próprio dirigente à falência. Mesmo conquistando o título, a renda dos ingressos não cobria os gastos e, como patrocínio era praticamente inexistente na época, o presidente precisou tirar dinheiro do próprio bolso para manter o elenco.

Vale uma observação: a equipe terminou invicta, e o trio foi escolhido como o melhor meio-campo da Bahia, consolidando-se como uma das formações mais marcantes daquele período.


Argentinos Bianchi e Papetti e o brasileiro Castanheira 

Papetti e os companheiros chegaram à Bahia, mais especificamente a Salvador, no dia 6 de abril de 1940, e uma situação inusitada aconteceu. Eles chegaram pouco menos de dois meses antes do Campeonato Baiano, que começou no dia 2 de junho. Os três jogaram e dominaram as ações, mas Papetti estava “irregular”, pois se encontrava no país em situação migratória indefinida: os documentos de autorização para trabalhar ainda não tinham sido liberados.

Por consequência, o jogador foi preso pelo Serviço de Estrangeiros, ficando incomunicável durante um período. Acabou sendo liberado com a ajuda do presidente do Esporte Clube Bahia, conseguindo, assim, retornar aos gramados para ajudar sua equipe.

No total, Papetti disputou 62 jogos pelo Bahia e marcou dois gols, conquistando um Campeonato Baiano e um vice-campeonato da mesma competição.

Papetti tinha uma peculiaridade: ele detinha o próprio passe e fazia contrato por temporada. Ao fim de cada ano, sentava para renegociar com a diretoria. Em 1942, depois de dois anos na Bahia, resolveu voltar para a Argentina. Porém, antes, desejava conhecer a cidade mais linda e charmosa do Brasil: o Rio de Janeiro. Queria ver de perto suas belezas naturais e descobrir se a fama da cidade era verdadeira.

No Rio de Janeiro, enquanto tomava um café, encontrou-se com um “hermano”, um argentino que vivia havia muito tempo na cidade, treinador e ex-jogador. Ao conhecer as habilidades de Papetti, convidou-o para integrar o time que estava formando — ali nascia um dos melhores elencos da história do São Cristóvão de Futebol e Regatas.

O treinador era Abel Picabéa, campeão carioca de 1937 e considerado um dos maiores jogadores do clube. A notícia animou Papetti. E havia ainda outro motivo para se empolgar: Bianchi também chegaria ao São Cristóvão.


O argentino aceitou o convite, começando na reserva, pois chegava a um time que já tinha uma espinha dorsal formada. Mas seus treinos mostravam que ele jamais poderia ser apenas opção no banco. Um camisa 8 disciplinado, efetivo, de ótimo passe e com visão de jogo acima da média. E isso se refletiria nos dois anos em que defendeu o São Cristóvão de Futebol e Regatas.

A estreia de Papetti (conforme reportagem da época) aconteceu no dia 31 de março de 1942, contra o America Football Club. Os “Diabos da Tijuca” venceram por 3x2. Naquele momento, o time ainda não contava com Bianchi, que, ao lado de Papetti e Castanheira, seria escolhido como parte do melhor meio-campo do Rio de Janeiro nos anos de 1942 e 1943.

O primeiro jogo oficial de Papetti ocorreu no dia 3 de maio de 1942, quando o São Cristóvão venceu o Canto do Rio Foot-Ball Club por 4x0. A equipe foi escalada da seguinte forma:

Oncinha;
Augusto e Mundinho;
Papetti, Dodô e Castanheira;
Santo Cristo, Salim, Alfredo, Magalhães e Nestor.



Estreia do Papetti pelo SCFR


O São Cristóvão de Futebol e Regatas teve campanhas épicas nos anos de 1942 e 1943 no Campeonato Carioca e, em 1943, conquistou o terceiro título mais importante de sua história: o Campeonato Municipal de 1943.

Papetti considerava o clube acolhedor; para ele, o time era uma família. Foi escolhido a revelação do Campeonato Carioca de 1942, e foram dois anos de muito brilho. A equipe contava com jogadores como Santo Cristo, Castanheira, entre outros, que formaram uma das melhores gerações da história do clube.

Mas ele sempre comentava que tinha um sonho: jogar pelo Botafogo de Futebol e Regatas, para onde se transferiu em 1944. Antes, fez uma excursão com o time dos Cadetes, na qual disputou seus últimos jogos pelo São Cristóvão, apresentando-se depois ao clube de General Severiano.

A diretoria tentou dificultar ao máximo sua saída, propondo aumento salarial, entre outras ofertas. Mas Papetti agradeceu por tudo e seguiu para o time alvinegro.

Certamente, por tudo o que construiu, Papetti está nos anais da história do clube. É mais do que justa esta homenagem a quem tanto realizou com a camisa do São Cristóvão.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

HOMENAGEM A NOSSOS ÍDOLOS

 UM CRAQUE QUE CARREGAVA A HISTÓRIA DE UM BAIRRO : 

SANTO CRISTO !  


Ele carregava o nome do bairro com orgulho. Um craque habilidoso, de gênio forte, que marcou geração por onde passou. Sempre apontado entre os destaques das partidas, Walter Goulart da Silveira foi um gigante de sua época, um dos principais responsáveis pelo segundo maior título do São Cristóvão de Futebol e Regatas: o Torneio Municipal de 1943.

Entre idas e vindas, o Santo Cristo jogou cinco anos pelo clube dos Cadetes, em três passagens. Em duas delas, foi um dos principais jogadores da equipe. Vamos conhecer esse verdadeiro craque de sua geração.

Walter Goulart da Silveira nasceu no dia 12 de setembro de 1922, no bairro de Santo Cristo. As origens do bairro remetem aos tempos coloniais. A região recebeu esse nome em razão da Igreja de Santo Cristo, construída em frente ao cais do porto. Por ali passaram alguns dos primeiros bondes da cidade — inicialmente de tração animal e, posteriormente, elétricos.

Com proximidade ao bairro Imperial de São Cristóvão, ao Caju e à antiga região da Praia Formosa, foi nesse cenário que Santo Cristo iniciou sua vida futebolística.



Como descrito acima, a proximidade entre os bairros facilitou o início de Santo Cristo no futebol. No entanto, ele não se limitou apenas à região para tentar a sorte.

Ainda jovem, passou pelas categorias do Club de Regatas Vasco da Gama, atuou pelo Oposição, equipe da Piedade, e também pelo Bonsucesso Futebol Clube, onde se destacava bastante — embora, na época, não tenha sido aproveitado como poderia.

Foi, porém, no Marvillis, time da fábrica do Caju, que seu talento chamou atenção. Olheiros do São Cristóvão de Futebol e Regatas perceberam o potencial daquele jovem promissor e decidiram contratá-lo, dando início a uma trajetória marcante no clube dos Cadetes.




página Caju Cultural 

Uma pequena aula sobre a antiga fábrica que deu origem ao time : 

O Rui Barbosa — sim, o mesmo nome eternizado na Literatura — defendia a industrialização como eixo central para o progresso nacional. As medidas de ampliação de crédito e a política econômica do Encilhamento, conduzidas por ele à frente do Ministério da Fazenda, somadas às mudanças na legislação das Sociedades Anônimas, abriram caminho para a expansão da Companhia América Fabril.

Em aproximadamente uma década, a então Santos Peixoto & Cia. América Fabril ampliou seu capital de maneira significativa, fortalecendo sua posição no setor industrial.

O crescimento levou, em 1903, à aquisição da Fábrica Bonfim, localizada no bairro do Caju — área que anteriormente integrava a freguesia de São Cristóvão. Com isso, a empresa passou a figurar entre as dez maiores indústrias têxteis do país.

Entretanto, foi a partir de 1911, com a inauguração da Fábrica Mavilis, também instalada na região portuária do Caju, ao lado da Bonfim, que a companhia atingiu seu auge de modernização. Reconhecida como “a mais avançada fábrica de fiação e tecelagem do Brasil” naquele período, a Mavilis destacou-se por operar com os equipamentos de fiação mais modernos da época, consolidando definitivamente o protagonismo da Companhia América Fabril no cenário industrial brasileiro.



Santo Cristo iniciou sua trajetória no juvenil do Marvillis. Tentou a sorte no Club de Regatas Vasco da Gama, mas, apesar de toda a habilidade, isso não foi suficiente para se firmar.

Chegou ao Bonsucesso Futebol Clube e, nos treinamentos, “fazia chover”. Com apenas 17 anos, integrou o elenco principal e disputou o Campeonato Carioca de Reservas (segundos quadros). No entanto, sem oportunidades no time de cima, retornou ao Marvillis — e foi aí que sua história começou a mudar.

Aos 18 anos, em 1942, acertou com o São Cristóvão de Futebol e Regatas. Desde o início, treinador e diretoria tinham uma convicção: haviam encontrado seu craque.


time de veteranos em 1943 do SCFR 


No dia 29 de março de 1942, aconteceu o primeiro jogo oficial de Santo Cristo pelo São Cristóvão de Futebol e Regatas. A partida foi válida pelo antigo Torneio Início, e os Cadetes saíram vitoriosos por 1 a 0 contra o America Football Club (RJ).

Uma semana depois, em 5 de abril, veio a estreia no Campeonato Carioca — e já deixou sua marca: Santo Cristo marcou um gol na vitória por 5 a 2 sobre o Bangu Atlético Clube.

Santo Cristo teve três passagens pelo São Cristóvão, sempre com muito destaque e identificação com o clube.



TIME CAMPEÃO DO TORNEIO MUNICIPAL 

Naquele time montado em 1942 — que custou caro à diretoria, inclusive com investimentos em excursões — os comandados de Santo Cristo e Caxambu, ambos grandes craques da época, formaram uma equipe muito forte.

Em 1943, aquele elenco conquistou o terceiro título mais importante do futebol carioca à época: o Campeonato Municipal do Rio de Janeiro.

Santo Cristo era um verdadeiro craque. Tanto que seu destino foi a maior potência do período: o Club de Regatas Vasco da Gama, que montava o time que ficaria conhecido como “Expresso da Vitória”. Lá, Santo Cristo disputou 71 jogos e marcou 34 gols, participando de um dos elencos mais emblemáticos da história do clube. Chegou a ser cogitado para jogar a Copa de 1950. 

  • SCFR; 1942-1944/ 1954-1956/ 1959
  • Vasco: 1945-1946
  • Botafogo : 1947 
  • São Paulo: 1948
  • Fluminense: 1948-1951
  • Guarani: 1951
  • XV de Piracicaba: 1951-1953
  • Portuguesa SP: 1953
  • Ferroviária SP: 1953-1954
  • Altético-MG: 1955
  • Olaria: 1956

Na campanha do título do Campeonato Municipal do Rio de Janeiro de 1943, Santo Cristo marcou cinco gols. Um dado curioso é que três deles aconteceram em uma mesma partida — e que partida! No último jogo do campeonato, contra o Canto do Rio Foot-Ball Club, no dia 6 de junho, as equipes protagonizaram um eletrizante empate em 6 a 6, com nada menos que 12 gols.

Santo Cristo também esteve presente em um dos episódios mais marcantes da história do São Cristóvão de Futebol e Regatas: o fechamento do Estádio da Figueira de Melo. No dia 19 de setembro, em uma partida contra o Clube de Regatas do Flamengo, assim que o Flamengo marcou o primeiro gol — anotado por Vevé — parte da arquibancada onde estava a torcida rubro-negra desabou, gerando desespero e confusão. O incidente levou à interdição do estádio.

No meio de sua segunda passagem pelo São Cristóvão, Santo Cristo saiu para treinar por três meses no Clube Atlético Mineiro, mas retornou ao clube carioca.

Em 1956, participou da excursão do São Cristóvão pela Europa e África, sendo novamente um dos principais jogadores da equipe.

Ao fim da carreira, já com 39 anos, decidiu encerrar sua trajetória no clube que o projetou para o futebol. Em 1959, seu último ano como profissional, não poderia ter sido diferente: aposentou-se vestindo a camisa do São Cristóvão, consolidando seu nome como um dos grandes ídolos da história do clube.

Educação salvou a vida de Santo Cristo

Dois anos antes, em 1948, quando atuava no futebol paulista, Santo Cristo viveu um episódio que marcaria sua história. Era sexta-feira, 27 de agosto, e ele aguardava um voo da Vasp com destino ao Rio de Janeiro, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando um imprevisto mudou tudo.

O cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar, precisava chegar com urgência à então capital federal. O voo estava lotado. Consultado, Santo Cristo não hesitou: adiou a própria viagem e cedeu seu lugar ao religioso.

A aeronave seguiu viagem, mas, ao tentar pousar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, uma das asas atingiu o prédio da Escola Naval. O avião caiu na Baía de Guanabara.

Dezoito pessoas morreram e apenas três sobreviveram. Entre as vítimas estava o jornalista Cásper Líbero, fundador do jornal A Gazeta.

Com um gesto de generosidade, Santo Cristo acabou salvando a própria vida.

Histórias do futebol que parecem roteiro de cinema — mas são absolutamente reais.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

NOSSA HISTÓRIA COMEÇOU NO MAR !

 A HISTÓRIA DO SÃO CRISTÓVÃO COMEÇOU NO MAR , A HISTÓRIA DAS SEDES NÁUTICAS!

Foto retirada do google street 


A história de alguns clubes de futebol começou com o remo. Flamengo e Vasco eram clubes originalmente de remo e que, posteriormente, fundaram seus departamentos de futebol. Com o São Cristóvão foi um pouco diferente, já que o clube de remo existiu, mas o futebol funcionava como se fosse outro clube, e a fusão de ambos aconteceu apenas nos anos 40. Essa fusão não ocorreu com os clubes citados acima. A história é parecida com a do Botafogo, que também nasceu da fusão de dois clubes: o de futebol e o de regatas.

FOTO Ponta do caju 



Mas, para contar a história do remo do São Cristóvão, é necessário contar um pouco da história das praias do Caju e de São Cristóvão. Essa região, assim como todo o subúrbio carioca, possuía praias que já tinham sido ocupadas por indígenas, fazendas e chácaras. Com a expansão do subúrbio, tornou-se uma área de lazer para as camadas mais pobres da população.

Essas praias, entre outras, também eram usadas nos carnavais, nos festivais de banho de mar e, no Caju, para a prática esportiva do remo, onde era comum ver competições do esporte, assim como treinos na areia. Nessa região nasceria o Club de Regatas São Cristóvão.


   CLUB DE REGATAS SÃO CRISTÓVAM 




A história do C.R. São Cristóvão começa em 1885, com o Clube de Regatas Cajuense, clube que nasceu com o objetivo de levar o remo ao subúrbio carioca. Nada melhor do que a região do bairro imperial, que contava com diversos militares, os quais viam na prática esportiva uma forma de manter a boa forma física. Vale lembrar que, nessa época, o mar era bem próximo ao Campo de São Cristóvão, e a Igreja Matriz ficava literalmente à beira-mar.

O Clube Cajuense durou pouco tempo, apenas sete anos de história, pois onde há ambição humana, surgem problemas. Um clube próspero logo passou a enfrentar brigas financeiras, que acabaram levando ao seu encerramento. Alguns associados saíram e, em 1892, fundaram o Clube de Regatas Fluminense. Em 1898, um grupo desses remadores voltou a se reunir e fundou o Grupo de Regatas Cajuense, que daria origem ao Clube de Regatas São Cristóvão, fundado em 12 de outubro de 1899.

Mas, neste texto, não ficaremos presos às históricas participações no remo. Vamos falar da sede em si: um espaço dedicado ao remo, à natação, ao polo aquático e a um carnaval tão intenso que era aguardado por todo o subúrbio carioca. Um detalhe curioso é que, além do vôlei de praia (já praticado pelos associados), ali também se praticava a peteca.



O clube foi fundado em uma casa próxima à Matriz de São Cristóvão, mas sua primeira sede náutica ficou localizada na Quinta do Caju. Apesar de, algum tempo depois, ter adquirido uma garagem próxima à mesma matriz, a sede náutica permanecia na Quinta do Caju.

Para um clube de subúrbio, a sede era invejável. De frente para a Ponta do Caju, contava com um amplo espaço, não apenas para a prática esportiva, mas também para festas de carnaval que se concentravam nas areias e se tornaram famosas, não só durante o período carnavalesco. Os associados, sempre que podiam, organizavam festas inclusive para a população local, conforme registros da época.

RESUMO : A sede náutica do São Cristóvão de Futebol e Regatas, historicamente ligada ao remo desde a fundação do clube de regatas, em 1898, teve na região do Caju e em áreas próximas, como a Praia das Palmeiras e a antiga Enseada de São Cristóvão, seus principais locais de treinamento.

Após fusões, o clube estabeleceu sua sede na Quinta do Caju, em 1901, e atualmente mantém uma sede na entrada da Ilha do Fundão, voltada para esportes de base. Antes dessa consolidação, utilizou garagens de barcos localizadas na Praia das Palmeiras, na própria Quinta do Caju.

Em 12 de setembro de 1901, o clube fundiu-se com o Grupo União Náutica, transferindo-se para a sede deste último, também situada no Caju.

UM PEQUENO PEDAÇO DO INSTATUTO DO CLUBE: 

 DESPORTOS AQUÁTICOS – camisa rósea, com escudo oficial no peito (centro), e calção preto.

§ 1º Os atletas, em geral, apresentar-se-ão com os uniformes previstos neste artigo; todavia, de acordo com a modalidade do desporto e a necessidade momentânea, os praticantes dos desportos terrestres poderão utilizar o uniforme nº 2, e os praticantes dos desportos aquáticos, o uniforme nº 1.

§ 2º Aos uniformes não poderá ser acrescentado nenhum distintivo extra, além do número de posição ou ordem, ou símbolo de luto, quando determinado ou permitido.

A DESTRUIÇÃO DO CAJU E O FIM DA SEDE NÁUTICA 




Um local não apenas de prática esportiva, mas também de festas lendárias e de formação de um dos melhores atletas das águas brasileiras de todos os tempos, que chegou a disputar uma Olimpíada. As águas do Caju e de São Cristóvão tinham um dono: Abraão Saliture.

O atleta começou a se envolver com o carnaval do clube. Já era famoso, multicampeão, e conheceu o São Cristóvão por intermédio de atletas que organizavam os banhos de mar. Em 1916, tornou-se um dos organizadores desses banhos, que eram realizados à fantasia. Existia um concurso de fantasias promovido pelo clube, no qual pessoas e agremiações de samba eram julgadas e, ao final da disputa, todos entravam na água com suas fantasias, que se desfaziam no mar.

Os banhos à fantasia ajudavam a desenvolver o subúrbio, pois o grande deslocamento de público exigia do poder público transporte e segurança no local, serviços que ainda começavam a engatinhar.

Quando Saliture participou das Olimpíadas de 1920 , vestia o branco e rosa sagrado do São Cristóvão . 



Na imagem, equipe feminina de remo do Club de Regatas São Cristóvão. Fotografia publicada no jornal Correio da Manhã, em 25 de junho de 1940.

Mas, assim como o subúrbio carioca foi sendo implodido aos poucos, o mesmo aconteceu com o clube de regatas. A expansão do subúrbio ocorreu de forma desordenada, praticamente sem qualquer planejamento. Os mais pobres foram sendo lançados nas antigas regiões de chácaras e fazendas, ocupando morros e praias, construindo suas casas de madeira e dando origem a diversas favelas.

Nos anos 40, a construção da Avenida Brasil condenou diretamente as praias suburbanas, somando-se ao crescimento urbano desordenado. No entanto, o que de fato destruiu a sede — que, na prática, foi tomada — foi a expansão do Porto do Rio de Janeiro. Vamos entender.

1954: Correio da Manhã: frente sede quinta do Caju



O problema começou com a expansão do porto do Rio de Janeiro .A expansão do Porto do Rio de Janeiro, nos anos 1950, foi marcada pela consolidação das grandes obras de aterro iniciadas nas décadas anteriores, com foco na modernização necessária para atender ao acelerado processo de industrialização e urbanização do Brasil. Ainda assim, ao final da década, o porto já começava a perder parte de sua importância relativa para outros portos brasileiros.

Com essa expansão avançando em direção à Ponta do Caju, tudo o que se encontrava em seu caminho foi gradualmente incorporado à área portuária. Famílias foram “indenizadas”, clubes esportivos e espaços de lazer desapareceram, e regiões inteiras, como a Ponta do Caju e as Quintas do Caju, entre outros locais, deixaram de existir em sua configuração original. Em 1954 começou o problema.

O clube e sua sede, que, apesar dos problemas sociais, ainda eram muito frequentados e serviam como base para os esportes aquáticos, foram retirados de seus locais. Um drama começava naquele momento.

Antigos atletas protestaram intensamente e entraram com petições na prefeitura, reclamando que o clube nada fizera para impedir a situação. Segundo o periódico Luta Democrática, a raia da Praia do Caju, pertencente ao clube, foi fechada sem qualquer aviso prévio aos atletas.

E como a empresa responsável fechou a raia? Construindo um muro entre as casas, o clube e o mar. Ou seja, ninguém mais teria acesso ao mar do Caju. Aos poucos, essa mesma empresa passaria a desapropriar toda a região, já que o projeto de expansão do Porto do Rio de Janeiro necessitava dos terrenos da Ponta do Caju.

Esse ato administrativo do Porto do Rio foi comunicado à diretoria do clube, que nada fez. Os atletas acusavam de negligência Sidney Franklin, vice-presidente do clube, que, de braços cruzados, permaneceu inerte diante da situação.

Uma frase dita por um dos atletas mais importantes do clube tocou o coração dos associados e dos leitores do Correio da Manhã, em 1954:

Retiraram o São Cristóvão do mar!

Osmundo Pimentel
Benemérito do São Cristóvão


Ao que tudo indica, a desapropriação do terreno já era conhecida pela diretoria, pois, quando isso aconteceu, surgiu a notícia de que a Marinha cedeu um terreno de frente para o Fundão, com acesso direto ao canal que levava ao mar. À época, a região era considerada bonita e limpa, porém o terreno era pantanoso e exigiria grandes obras de infraestrutura.

Entre os beneméritos do São Cristóvão estavam Osmundo Pimentel, Bernardino Veloso, Sidney Frank, Floriano Dourado e Mário Madalena. Os protestos chegaram até o Colégio Militar, já que muitos militares praticavam remo no local. Mesmo situado em meio a áreas de pescadores e favelas, o clube ainda mantinha suas atividades esportivas.

Apesar de todos os protestos, em fevereiro de 1955, após a perda da raia, da praia e, por fim, da sede, o clube teve seu terreno definitivamente desapropriado.


Em 1955, o jornal Diário da Noite anunciava o fim da sede do Caju e apresentava o local da nova sede, no bairro de Ramos. Tratava-se de uma região considerada bela à época, embora situada em um terreno pantanoso, que ainda previa a anexação de uma pequena ilha próxima.

O presidente Abílio Ferreira de Almeida recebeu a doação de um terreno da Marinha; entretanto, a cessão foi realizada por intermédio do Departamento de Urbanismo da Prefeitura do Distrito Federal. A doação foi formalizada pelo departamento, então representado pelo Dr. Eduardo Reidy. O engenheiro Hermínio Andrade da Silva estudou o terreno em profundidade e liberou a área para uso.

As informações variam quanto ao tamanho exato do terreno, mas foi apurado que, inicialmente, a área possuía cerca de 17 mil metros quadrados. Com a anexação da pequena ilha ao projeto, a área total passou a aproximadamente 20 mil metros quadrados. Uma cerimônia oficial foi realizada, e o documento de cessão foi aceito pelo professor Clóvis Monteiro Filho, na presença de atletas do remo e da velha guarda do clube. Praticamente todos os atletas aquáticos do clube estavam presentes.

O projeto de construção da nova sede foi elaborado e iniciado pela empresa do Porto do Rio de Janeiro. Ele previa garagens de 20 metros para os barcos, banheiras de 10 x 5 metros, masculinas e femininas, vestiários, praça de esportes com quadras de basquete e futebol, oficina de 20 x 5 metros, quadra de tênis e um moderno departamento náutico, considerado um dos mais avançados da época. A prefeitura ainda fez uma doação para as obras: CR$400.000,00 Cruzeiros. 

DIA 13 DEOUTUBRO DE 1955 ÁS 12 HORAS: POSSE DO TERRENO 

1957 : INAGURAÇÃO DAS INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS 

1962: GRANDE OBRA 



Em 1957, houve uma festa de inauguração das instalações provisórias, com a presença de toda a diretoria, além de um grande churrasco e feijoada oferecidos à imprensa. O presidente Clóvis Monteiro, às 11 horas da manhã, fez um discurso marcado pela esperança de tempos melhores para o clube.

Em 1960, um grande dirigente do futebol brasileiro visitou o local: o presidente da CBD, João Havelange, que passou a tarde no clube analisando as instalações, demonstrando apreço pelo projeto, que ainda seria totalmente modernizado. Esse plano de expansão viria a se concretizar em 1962.



Em 1962, teve início a grande obra que daria origem a dois campos de futebol, piscina, duas quadras poliesportivas, quatro vestiários, garagem para barcos, píer moderno, sauna e dez banheiros. O projeto recebeu o nome de “Dois clubes em um: um novo São Cristóvão”. O senhor Adelino Borelli era o presidente da Empresa Santa Paula, contratada para a execução das obras.

A proposta incluía também a remodelação da sede da Rua Figueira de Melo, transformando-a em um dos melhores centros de treinamento do Rio de Janeiro.

A sede náutica, localizada na Avenida Brigadeiro Trompowski, era considerada um dos locais mais belos e encantadores da região. Diante da grandiosidade da obra e da necessidade de recursos financeiros, foram criados novos títulos patrimoniais, vendidos ao valor de Cr$ 45.000,00, com pagamento em prestações mensais de Cr$ 1.500,00.

Os adquirentes dos títulos participariam de um sorteio de três automóveis. O slogan da campanha de venda dos títulos era bastante sugestivo: “UM CLUBE PARA QUEM APRECIA A VIDA”.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

AMISTOSO INTERESTADUAL

 SÃO CRISTÓVÃO X ATLÉTICO MG

1960 DIÁRIO DE NOTÍCIAS - SCFR X ATLÉTICO 




O tempo é cruel com todos — e no futebol, ele cobra com ainda mais rigor. Alguns clubes nascem pequenos e se tornam gigantes; outros, mesmo grandes, desaparecem ou são condenados a vagar pelo limbo do esporte. Os caminhos de Atlético Mineiro e São Cristóvão são muito distintos, mas, em determinados momentos da história, eles se cruzaram.

O Atlético Mineiro já teve embates com o time dos Cadetes, embora encontrar informações sobre esses confrontos seja tarefa quase impossível. Registros completos, com detalhes relevantes, praticamente não existem. A única partida da qual se tem dados mais concretos ocorreu em 1960, em um amistoso realizado em São Januário, como jogo preliminar do duelo entre Vasco e Palmeiras.

O São Cristóvão venceu o Atlético Mineiro em apenas um desses encontros, e essa vitória veio com a geração brilhante dos anos 1930. Um time que contava com nomes como Affonsinho, Walter, Villegas, Picabéia e Carreiro. Foi essa equipe que derrotou o Atlético no dia 24 de agosto de 1938 e que, meses antes, também venceu o Fluminense — justamente o mesmo Fluminense que conquistou o Campeonato Carioca de 1937 com apenas uma derrota em toda a competição: a derrota para o São Cristóvão.

Era um time especial. Campeão de um campeonato interrompido em 1937, vencedor do Torneio Início desse mesmo ano , e formado por jogadores acima da média, muitos deles com passagem pela Seleção Brasileira. Walter, goleiro daquela equipe, permaneceu no clube até 1938, quando se transferiu para o Flamengo e ali foi convocado  para a Copa do Mundo. Affonsinho e Roberto também estiveram no Mundial, sendo que  vestindo a camisa do São Cristóvão. Houve ainda um terceiro convocado, Caxambu, que acabou não sendo selecionado.

Essa geração marcou a história do clube e prova que, mesmo em caminhos tão distintos, o futebol reserva encontros em que o tempo parece, por um instante, ser mais justo.

HISTÓRICO DO CONFRONTO 

4 VITÓRIAS DO ATLÉTICO MG

1 VITÓRIA DO SÃO CRISTÓVÃO 

4 EMPATES 


  1. 21 de Junho de 1926 - Atlético 3x1 SCFR
  2. 20 de setembro de 1930- Atlético 3x1 SCFR
  3. 24 de Agosto de 1938- Atlético 1x2 SCFR ( Jogo na Figueira de Melo)
  4. 07 de Abril de 1940- Atlético 1x1 SCFR
  5. 17 de Março- Altético 1x1 SCFR 
  6. 21 de Março -Atlético 2x1 SCFR
  7. 11 de Julho de 1951- Atlético 2x1 SCFR 
  8. 26 de junho de 1960- Atlético 0x0 SCFR

Como comentei anteriormente, o único jogo entre Atlético Mineiro e São Cristóvão do qual foi possível encontrar informações mais consistentes foi justamente o último, realizado nos anos 1960. A partida aconteceu em São Januário, como jogo preliminar do confronto entre Vasco da Gama e Palmeiras, e terminou empatada.

O jogo teve início às 15h30 e teve como árbitro Nuno Álvares Ribeiro. Segundo os relatos da época, foi uma partida sofrível, tecnicamente muito fraca, marcada pelo excesso de marcação e por sistemas defensivos bem postados, o que resultou em um jogo truncado e de poucas emoções.

As raras chances criadas surgiram, em sua maioria, do lado do São Cristóvão. O time dos Cadetes foi ligeiramente superior ao Atlético Mineiro, levando algum perigo ao gol adversário, embora sem conseguir balançar as redes. O Atlético, que vinha de derrota para o Bangu, conseguiu ao menos segurar bem o empate.

A renda da partida foi de CR$ 36.070,00 (trinta e seis mil e setenta cruzeiros).

O São Cristóvão atuou com os seguintes titulares:

PICHAU;
JAIME, RENATO e MOACYR;
AZEITONA (ÂNGELO) e MEDEIROS;
WILSON, CELSO (GERALDO), GENIVALDO, RUSSO e OLIVAR.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

AMISTOSO INTERESTADUAL

 UM JOGO ESQUECIDO : SÃO CHRISTOVAM X ATHLETIC DE SÃO JOÃO DEL REY 

1940 SPORT ILUSTRADO 

Nos dias atuais, o Athletic ressurgiu com força e protagonismo. Além de boas campanhas no Campeonato Mineiro, o clube alcançou a Série B do Campeonato Brasileiro, reafirmando sua importância no cenário nacional.

Mas essa vocação para grandes momentos vem de longe. Imagine uma cidade ainda jovem, com pouco população, buscando afirmar sua identidade por meio do futebol. Para isso, seu time convida diversas equipes para a realização de amistosos. Muitas aceitam, mas poucas levam a sério o desafio. Apenas uma delas, porém, decide agir de forma diferente: respeita o adversário e entra em campo com seus principais jogadores.

Esse episódio marcante aconteceu em 1940, quando o time dos Cadetes aceitou o convite e, demonstrando grandeza e espírito esportivo, levou o que tinha de melhor em seu plantel. A atitude não passou despercebida. Em retribuição, a equipe visitante foi recebida com festa, respeito e admiração, em um ambiente que celebrava não apenas o futebol, mas também o encontro entre tradição, honra e competitividade.

O amistoso ficou marcado na memória local como um símbolo de respeito mútuo e da força do esporte na construção da história de uma cidade e de seu clube. Episódios como esse ajudam a explicar por que o Athletic, ontem como hoje, ocupa um lugar especial no coração de seus torcedores e na história do futebol brasileiro.


1940 SPORT ILUSTRADO 

O time de São João del-Rei acompanhou atentamente toda a trajetória dos Cadetes e preparou uma grande festa na estação de trem da cidade para recepcioná-los. Outros times cariocas já haviam visitado a cidade anteriormente e deixado um rastro de frustração. América, Botafogo e o time da Polícia Civil disputaram amistosos contra o Athletic, mas todos utilizaram plantéis mistos ou equipes reservas. Diferentemente deles, o São Cristóvão levou sua força máxima, demonstrando respeito ao adversário e ao público local.

A delegação dos Cadetes embarcou na Central do Brasil no dia 20 de agosto, seguindo em direção a São João del-Rei. A chegada ocorreu por volta das 19 horas, quando os jogadores foram recebidos por uma grande festa, com a presença de parte significativa da população, além do prefeito e outras autoridades locais, ansiosos para ver de perto atletas como Affonsinho, Roberto e Magdalena.

No dia do jogo, foi oferecido um café da manhã especial aos visitantes, seguido de diversos passeios pela cidade, todos organizados e conduzidos pelo presidente do Athletic, Ottoni Sobrinho. Entre os locais visitados, destacou-se a Companhia Industrial Sanjoanense, da qual Ottoni Sobrinho era diretor e um dos proprietários.

O time dos Cadetes ficou hospedado no Grande Hotel Brasil, onde recebeu presentes e diversos “mimos”, em mais uma demonstração do carinho, da hospitalidade e do respeito do povo sanjoanense aos seus ilustres visitantes.


1940 SPORT ILUSTRADO 

A partida aconteceu em um estádio em Governador Valadares, com a presença de políticos, dirigentes esportivos e a população em massa, que compareceu para prestigiar o grande evento. Em campo, o Athletic saiu vitorioso pelo placar de 2 a 1, coroando uma jornada que já era especial muito além do resultado.

Apesar da derrota, aqueles jogadores certamente jamais esqueceram a receptividade e o carinho que receberam em São João del-Rei, marcando para sempre a memória da delegação dos Cadetes.

Pelo lado do São Cristóvão, os destaques da partida foram Magdalena, o goleiro, além de Roberto, Oscarino, Mundinho e o ídolo conhecido como “Problema” Affonsinho, que foi amplamente tietado pelo público, não apenas por seu talento, mas também por ser um jogador de Copa do Mundo, o que despertou enorme admiração entre os torcedores e moradores da cidade.

O amistoso entrou para a história como um raro exemplo de respeito, grandeza esportiva e celebração do futebol, valores que ajudaram a moldar a tradição do Athletic e a memória esportiva da região.



HISTORIADOR PAULO JORGE 

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO E HISTÓRIA DO SÃO CRISTÓVÃO F.R.

sábado, 24 de janeiro de 2026

HOMENAGEM A NOSSOS ÍDOLOS

 AFFONSINHO- CRAQUE E PROBLEMÁTICO. 


Um verdadeiro craque de sua época, com passagens por equipes gigantes e pela Seleção Brasileira. Um jogador do passado que, certamente, está entre os grandes nomes da história do São Cristóvão. Chegou a ser suspenso pelo clube por problemas relacionados a convocações, mas, enquanto esteve em campo, honrou a camisa branca e foi titular em uma Copa do Mundo.

Affonso Guimarães da Silva, mais conhecido como Affonsinho ou “Affonsinho Delegado”, nasceu em 8 de março de 1914, no então Distrito Federal. Iniciou sua vida futebolística no América-RJ, onde atuou pela primeira vez em 1931 e permaneceu até 1932. Logo em seu primeiro ano no clube, conquistou um título importante: o Campeonato Carioca de 1931, participando de três jogos daquela campanha. Nunca foi titular absoluto, atuando mais como reserva nesse período.

Do América, transferiu-se para o Flamengo, onde jogou no início de 1933 e em 1934. Foi titular, disputou 50 partidas e marcou três gols. Seus números pelo clube foram 18 vitórias, nove empates e 23 derrotas. Foi um período nebuloso do Flamengo, sem títulos, marcado por disputas em torno do profissionalismo e pela falta de um time competitivo.

Affonsinho fazia parte do elenco que terminou na última colocação do Campeonato Carioca de 1933. Apesar de já ser reconhecido como um grande talento, acabou inserido em uma geração ruim do Rubro-Negro, o que prejudicou seu desempenho coletivo e a trajetória do clube naquele momento.

Em 1935, foi negociado com o São Cristóvão, e foi aí que sua vida mudou drasticamente.



Botafogo 3x0 São Cristóvão
Local: General Severiano
Juiz: Virgilio Fredrighi
Gols: Carvalho Leite (2) e Álvaro (pênalti)
Botafogo: Alberto, Albino e Nariz; Afonso, Martim e Canali; Álvaro, Artur, Carvalho Leite, Nilo e Patesko.
São Cristóvão: Francisco, Mário e Zé Luiz; Agrícola, Dodô e Afonsinho; Quintanilha, Joãozinho, Hugo, Ceci e Carreiro.( primeiro jogo do Affonsinho com a camisa do clube. )


                                                                                                                                                                                                                                                       
                                                                                                                                                                                                                                                                    
Affonsinho no Flamengo 

O primeiro ano de Affonsinho no São Cristóvão mostrou que aquele time montado faria história e daria muito trabalho aos chamados gigantes. Em 1935, não houve a disputa do Torneio Início, partindo-se diretamente para o Campeonato Carioca. (Affonsinho não esteve em campo no amistoso contra o Boca Juniors.) Ainda assim, a campanha foi histórica. O São Cristóvão investiu 20 contos de réis para contar com o jogador.

Em 1934, o São Cristóvão já havia alcançado uma colocação sensacional, ficando com o vice-campeonato. Em 1935, a equipe terminou na terceira colocação, mas, comparando as campanhas, apresentou um futebol superior ao do ano anterior.

Comparativo de campanhas:

  • 1934: 12 jogos, 5 vitórias, 4 empates, 3 derrotas, 15 gols pró e 15 gols contra.

  • 1935: 21 jogos, 6 vitórias, 10 empates, 5 derrotas, 42 gols pró e 37 gols contra.

Nesse campeonato, Affonsinho já demonstrava o craque que era, comandando a equipe e assumindo a braçadeira de capitão ao lado de Augusto. Ambos eram os líderes do time, algo refletido nas crônicas da época, que frequentemente o descreviam como um jogador nervoso e de temperamento forte.

Em 1936, a equipe fez uma campanha muito irregular, mas, ainda assim, o jogador continuou sendo o grande destaque do São Cristóvão. Já em 1937, clube e atleta explodiram definitivamente para o cenário nacional.


O ano de 1937 marcou a pacificação do futebol carioca e teve o Fluminense como campeão oficial. No entanto, a história deveria registrar dois campeões, pois o São Cristóvão também conquistou um título naquele período. Vejamos o porquê.

Em 1935, a AMEA aderiu ao profissionalismo e mudou sua razão social, passando a se chamar FMD (Federação Metropolitana de Desportos). Nesse mesmo ano, o Vasco entrou em conflito com a outra liga existente, a Liga Carioca de Futebol, e passou a fortalecer a nova entidade, agora mais estruturada. O Bangu e o São Cristóvão seguiram o mesmo caminho.

Dessa forma, entre os anos de 1933 e 1937, o futebol carioca contou com dois campeões simultâneos, embora a história oficial registre apenas os campeonatos disputados entre 1933 e 1936.

A FMD realizou seu torneio inicial no dia 4 de abril, no Estádio do Vasco, tendo o São Cristóvão como vencedor. Em capítulo à parte, estão narrados os quatro títulos conquistados pelo clube nesse torneio. O campeonato propriamente dito teve início em maio, com a participação de oito equipes, e o São Cristóvão obteve os seguintes resultados:

09/05 – São Cristóvão 3 x 1 Vasco da Gama
16/05 – São Cristóvão 7 x 2 Andaraí
23/05 – São Cristóvão 6 x 2 Carioca
13/06 – São Cristóvão 2 x 1 Madureira
20/06 – São Cristóvão 4 x 3 Olaria
27/06 – São Cristóvão 3 x 1 Bangu
30/06 – São Cristóvão 3 x 0 Botafogo

Com uma campanha impecável, o clube conquistou sete vitórias em sete jogos, de forma incontestável. O Jornal dos Sports, em sua edição de 1º de julho, estampava em suas páginas já amareladas pelo tempo:

“O São Cristóvão, campeão invicto do 1º Torneio da FMD.”

Na realidade, o clube havia adiantado uma de suas partidas, pois em 1º de julho embarcaria com destino ao Peru para iniciar sua primeira excursão internacional. É verdade que ainda restavam quatro ou cinco jogos para o encerramento total do torneio, mas esses resultados não alterariam em nada a classificação final, que já consagrava o São Cristóvão como campeão.

 Esse time comandado pelo Affonsinho sem duvida nenhuma é um dos melhores times dos cadetes de todos os tempos e o jogador mantinha uma regularidade assustadora que mostrava que era um dos maiores jogadores brasileiros e essa regularidade continuou pós unificação, quando ele ajudou a equipe a alcançar a quinta colocação no novo Campeonato Unfiicado .  Affonsinho esteve também na primeira excursão ao exterior que aconteceu em 1937 e também na segunda em 1938.

O brilho dentro do campo , levou a maior premiação que ele poderia ter : a convocação a Copa do Mundo de 1938. O Affonsinho não apenas foi convocado , ele foi foi tituloar em quatro dos cinco jogos da equipe da Copa do Mundo . 

  • BRASIL 6X5 POLÔNIA 
  • BRASIL 1X1 TCHECOSLOVÁQUIA 
  • BRASIL 1X2 ITÁLIA 
  • BRASIL 4X2 SUÉCIA 
Sempre com muito destaque , comandando o meio campo Brasileiro em uma Copa do Mundo . Um canhoto habilidoso que mostrou todo seu temperamento também na Copa . O jogador participou de três competições pela seleção: 

  • SULAMERICANO DE 1936
  • COPA DO MUNDO 1938 
  • COPA ROCA 1939 
CAMPANHA COM A SELEÇÃO: 18 Jogos, 9 Vitórias, 3 Empates e 6 Derrotas- Marcando 1 gol. 

O Affonsinho jogou no São Cristóvão até 1940  e a diretoria fez um verdadeiro leilão para vender o jogador, diversas equipes brigaram pelo seu passe , sendo comprado pelo Fluminense por 40 conto de réis , onde jogou até sua aposentadoria. 

  1. AMÉRICA RJ: 1931 A 1933
  2. FLAMENGO : 1933 E 1934 
  3. SÃO CRISTÓVÃO: 1935 A 1940
  4. FLUMINENSE 1941 A 1946
Jogou 6 anos pelo clube e sem duvidas nenhuma é um dos grandes ídolos. Pelo São Cristóvão foi Campeão Carioca de 1937 e Campeão do Torneio Início em 1937.
AFFONSINHO PELO SÃO CRISTÓVÃO : 121 JOGOS 2 GOLS 

HOMENAGEM AOS NOSSOS IDOLOS

 UM ÍTALO ARGENTINO QUE EM POUCO TEMPO VIROU LENDA ... HECTOR PAPETTI CLUBES DA CARREIRA  GIMNASIA Y ESGRIMA  PLATENSE  BAHIA  VITÓRIA( UM J...